HQ do Dia

Mighty Morphin Power Rangers #0

O saudosismo é uma arma poderosíssima. O BOOM! Studios pôde comprovar isso nos últimos 2 anos através do relativo sucesso de lançamentos em quadrinhos de títulos baseados em “Aventureiros do bairro proibido” e “Bill e Ted” (Esta tem resenha aqui). O apreço que temos por obras e franquias que marcaram algum período de nossas vidas é um chamariz muito interessante para as editoras de quadrinhos e se usado da forma correta pode gerar ótimos frutos.

Ciente disso o corpo editorial da BOOM! lança neste início de 2016 a edição #0 de “Mighty Morphin Power Rangers”. O gibi que logicamente é baseado no sentai americanizado de sucesso incontestável no final da década de 1990, é uma colaboração entre o roterista Kyle Higgins (que trabalhou com o Asa Noturna entre outros personagens DC Comics) e o relativamente desconhecido ilustrador Hendry Prasetya. O pacote ainda conta com a história lançada na San Diego Comic-Con do ano passado chamada “What time is it?” escrita por Mairghread Scott e ilustrada por Daniel Bayliss e além disso temos uma aventura solo dos personagens Bulk e Skull escrita pelo autor do sucesso “Midnighter”, Steve Orlando (que já conversou conosco) e desenhada pela artista Corin Howell de Transformers entre outros títulos.Power-Rangers-0

Apesar do pacote desta edição zero ter 32 páginas de Power Rangers, a história principal é a escrita por Higgins. Ao contrário do que se possa imaginar, aqui temos um roteiro que nos coloca não no início da formação da equipe adolescente, mas em um período muito marcante para este time: A chegada do Ranger Verde, Tommy. Higgins define o esqueleto de seu roteiro de forma muito parecida com o que os fãs da franquia se acostumaram a ver na televisão. Os Rangers estão em uma aula e a cidade é atacada. No entanto, Higgins pontua o início da história e outras passagens com os conflitos internos de Tommy, sua relação com Rita Repulsa e o seu passado vilanesco. É lógico que você vai ler em 90% do tempo os Rangers combatendo um monstro bem genérico e salvando a Alameda dos Anjos, mas é interessante como o roteirista consegue encaixar essa dinâmica de conflito entre Tommy e o resto da equipe no meio de uma história extremamente linear e empacotada. A história escrita por Steve Orlando para Bulk e Skull é uma mera introdução de trama para os dois personagens. Tratam-se de duas cenas curtíssimas com os dois no gabinete do diretor da escola e conversando nos corredores. Então ainda não podemos ter a menor ideia do que o autor planeja para esta dupla de encrenqueiros. Já a sessão escrita por Mairghread Scott que foi distribuída gratuitamente em várias convenções de quadrinhos em 2014 é somente um roteiro de ação no qual os Rangers enfrentam o clássico Goldar em um cenário genérico. Estas páginas tem claramente um apelo promocional e não acrescentam em nada para a continuidade a ser definida daqui para frente.

A arte de Hendry Prasetya na história principal atende perfeitamente o roteiro de Kyle Higgins. Não se trata de uma apresentação magnífica dos Power Rangers e suas identidades secretas, mas o ilustrador consegue entregar uma apresentação inteligível e com o impacto visual adequado nas cenas de ação, principalmente as envolvendo dos Zords e um monstro no meio da cidade (que de fato são as mais “complicadinhas” de se trabalhar visualmente). O visual dos adolescentes, principalmente os homens, é um pouco mais adulto do que se espera, no entanto se você for assistir o seriado antigo vai notar que quase ninguém ali tem cara de que está cursando o ginásio (a não ser que todos sejam repetentes), então está tudo de acordo com a referência televisiva. As outras equipe de arte também entregam uma apresentação bem consistente e de fato é interessante ver que rumo tomará o trabalho mais cartunesco de Corin Howell nas histórias de Bulk e Skull de Steve Orlando daqui para frente.

“Mighty Morphin Power Rangers”, assim como as demais franquias derivadas de TV e cinema da BOOM! Studios não vai mudar o mercado editorial de gibis Americanos. O título, que tem uma equipe criativa competente, atende muito bem os fãs da franquia e pode ser que cative alguns novos leitores que tenham interesse nesse tipo de formato de história. O gibi introduz alguns conflitos internos na equipe, mas se atém ao formato televisivo nesta primeira edição até por conta da facilidade em trabalhar os personagens sem enrolar muito usando este molde de roteiro. Com uma história secundária muito curta que ainda não mostra a que veio e uma outra que só serve mesmo como material promocional, esta é uma leitura divertida, mas que pode facilmente passar batida em 2016 por não ter nada de especial.

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