HQ do Dia

Superman #41

Aqui começa uma nova fase no título principal do Homem de Aço. Se você está acompanhando as notícias ou mesmo se já leu a edição número 41 de Action Comics publicada este mês, já deve estar sabendo que daqui para frente o maior ícone super-heroico da DC Comics teve sua identidade secreta revelada e passa a atuar publicamente como Clark Kent e Superman ao mesmo tempo.

A edição 41 também marca a estreia do premiado roteirista da HQ “Avatar – The Last Airbender”, Gene Luen Yang (que nós entrevistamos aqui) no título principal do Superman com o arco chamado “Truth” (Verdade, em tradução livre). Aqui, ao contrário do que se possa imaginar, acompanhamos os eventos que precedem a revelação da identidade secreta do último filho de Krypton. Clark Kent está de volta em seu emprego no Planeta Diário e um misterioso contato vem dando dicas anônimas (via Whatsapp) sobre matérias criminais acontecendo em Metrópolis. É claro que quando a esmola é demais, o santo desconfia e Clark percebe que tem algo muito errado nessas dicas anônimas. Mas já é tarde demais.HQ do Dia | Superman #41

Gene Yang, com extrema naturalidade (você não vai perceber) transforma o título principal do Superman, que tradicionalmente é uma extravagância de super poderes, tramas maiores que a vida e lutas devastadoras, em um gibi de investigação jornalística bastante dinâmico. A dupla formada por Clark e Jimmy Olsen é o destaque na edição inteira e as intervenções pontuais e certeiras de Lois Lane durante esta edição, trazem de volta aquela dinâmica editorial leve e veloz que víamos em alguns episódios do antigo seriado “Lois e Clark”. Superman é um coadjuvante necessário, é o nome da revista, ele enfrenta uma ameaça que só alguém com seu nível de poder poderia deter nesta edição e ele está na capa do gibi, mas isso aqui é o início de uma história sobre a equipe do Planeta Diário e principalmente sobre Clark Kent e seu perigoso segredo. O roteiro de Yang é simples, mas sensível e com uma gama de nuances nos conflitos dos personagens e nos diálogos que você só percebe lendo com atenção. Por vezes a história parece rasa e só aquilo ali que estamos olhando, mas de repente o protagonista é levado a questionar seus valores de maneira profunda e forçado a agir de uma forma não muito convencional para um herói deste tipo. Os diálogos de Yang são vivos e expressivos, não há caixas de texto filosóficas divagando (pela milésima vez) sobre a natureza do personagem. Tudo que você precisa saber sobre este elenco é mostrado através das atitudes de cada um deles no roteiro.

A arte de John Romita Jr. em Superman #41 não mudou quase nada em relação a seus trabalhos anteriores no título. Então se você já estava curtindo esse visual quadrático, explosivo e não muito detalhista na revista pode ficar sossegado. Para quem não curte o traço do Romitinha, infelizmente não há muito o que fazer. As cenas de ação cinematográficas continuam sendo o forte do artista e o roteiro mais urbano deste início de arco combina muito bem com o estilo de arte do ilustrador que atualmente está bastante áspero e bruto.

Superman #41 é uma das estréias mais fortes de um roteirista na DC Comics após toda a reformulação sofrida pela editora em Convergence. Assim como seu protagonista, o título assume uma identidade diferente, mais humana, direta e próxima de quem está lendo. Isso não quer dizer que Superman se tornou um gibi indie ou algo desse tipo. As cenas de ação e a arte cinética de John Romita Jr. asseguram que isso não ocorra. Gene Yang direciona gentilmente o elenco de Superman por caminhos que ainda não foram muito bem explorados em seu título principal após Flashpoint. Com uma história sem enrolação, leve e cheia de ação investigativa este se torna rapidamente uma das mensais mais interessantes e intrigantes do novo universo DC.

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