Life is Strange: True Colors | Os sentimentos também têm cor
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Life is Strange: True Colors | Os sentimentos também têm cor

Entenda as emoções e os mistérios na pele de Alex Chen

“Life is Strange” é um dos meus games favoritos! Tem emoções conflitantes e muitas vezes ensina lições que nos pegam de surpresa. Sofri muito jogando o primeiro game da franquia, acompanhei toda a história de Max e Chloe para salvar a pequena cidade de Acadia Bay. Senti o peso em “Before The Storm” ao conhecer Rachel aos olhos de Chloe, e seu amor que cresceu ao se conhecerem vindo de “mundos” diferentes. E para completar, em “LiS 2” rolou uma visão cultural muito diferente de um EUA tomado pela xenofobia, principalmente com um governo que desejava criar um muro para impedir imigrantes, tornando a vida dos irmãos Daniel e Sean Diaz difícil – mesmo que ambos tenham nascido lá.

A DONTNOD sempre teve muito cuidado ao trazer essas histórias, sempre cheia de detalhes e falando sobre assuntos que para alguns podem ser um tabu e muitas vezes escondidos pelos veículos de comunicação. Assédio, depressão, preconceito, xenofobia e bullying foram mostradas dentro dessas histórias sempre se adaptando aos personagens ali presentes mas na intenção de explicar e não deixar nada raso.

+ Dando play no vídeo abaixo, você assiste ao trailer legendado do game. 

Agora em “Life is Strange: True Colors” temos uma obra de arte criada pela Deck Nine, apresentando uma nova história, mas com elementos que transportam o jogador para o mundo dessa franquia gloriosa que é “LiS”.

Dessa vez, estaremos acompanhando a protagonista Alex Chen que, após sair das mãos do sistema – vulgo fazer 21 anos e não precisar mais de cuidados do Governo -, vai morar com seu irmão mais velho, Gabe, que reside em Haven nas montanhas do Colorado. Ambos não se vêem a muito tempo, já que problemas familiares fizeram com que eles fossem levados para sentidos opostos.

Porém o que poderia ser um caminho feliz, se torna um acidente após uma explosão na antiga área de mineração, tirando a vida de Gabe. Nessa aventura, investigaremos quem são os culpados pelo acidente horrível que atingiu toda a população da pequena cidade.

O sentimento é muito semelhante ao do primeiro game da franquia, já que somos a personagem com poderes misteriosos indo para uma pequena cidade e desvendando um mistério. Mas como acabei vendo alguns por aí, acho sem sentido comparar ambos os games tentando escolher qual é melhor, já que suas semelhanças trazem conforto aos jogadores e suas diferenças na história são gritantes.

Seu desenvolvimento ocorre em torno de cinco episódios, começando pelo “Lado A” e terminando no “Lado B” – sim, esses são os nomes dos episódios 1 e 5. Controlamos Alex pela cidade de Haven de maneira bem libertadora, mesmo com um segmento específico da história, o mapa é bem aberto e conseguimos ir e voltar em muitos lugares ali presentes antes de ir para o ponto de missão principal.

Missões secundárias e encontro de itens é muito presente, principalmente pelo fato de usarmos nossos poderes para isso, já que os itens são lembranças de personagens importantes para sua história, o que explica o motivo daquele objeto espalhar aquele tipo de emoção. Eles têm uma marcação específica no mapa, e que ao encontrarmos, selecionaremos e veremos a cor que ele transborda, trazendo vozes em nossa mente.

Life is Strange: True Colors | Os sentimentos também têm cor

As cores dão vida às emoções dos personagens e ao olhar de Alex conseguir aprofundar esses sentimentos deixam tudo mais fácil para aquele que está no controle, já que só de olhar sabemos o que significa: o vermelho para a raiva, roxo para medo, azul para tristeza e amarelo felicidade.

Quando as emoções são mais fortes podemos ter a chance de “absorve-las” tirando daquela pessoa, ou simplesmente entrar nessa emoção para tentar ajudá-la a superar. Um exemplo, é quando ajudamos Steph, amiga próxima de Gabe, a superar aquele sentimento de tristeza entendendo o que a deixaria feliz, o que nas minhas escolhas foi desafiá-la para uma partida de Totó, algo que ela e Gabe jogavam muito juntos.

E é aí que entramos na questão das escolhas do game. Quem já jogou “Life is Strange” sabe que é um game não apenas de história e vínculos, mas também envolve muitas escolhas, sejam elas bobas ou difíceis. Em muitos momentos devemos tomar decisões que irão não só influenciar sua jornada, mas também de personagens ali presentes, principalmente os mais próximos de você. Até mesmo quando temos a opção de escolher o par amoroso de Alex, levando a finais que ficaremos com Steph, Ryan ou sozinha, tudo dependerá de sua escolha ou até mesmo se decidirá interagir com aquela situação.

O game despertou um sentimento de conforto e nostalgia, principalmente quando vemos Steph pela primeira vez – personagem que conhecemos em “LiS: Before The Storm”. Só de vê-la, já sinto o cheiro do mar próxima a Arcadia Bay e do café da manhã da lanchonete das baleias em que a mãe de Chloe trabalhava.

Mas é incrível o quanto True Colors despertou elementos e cores dentro de mim enquanto jogava, principalmente aqueles que não estava esperando, jogar RPG me trouxe alegria, resgatar o Ethan me trouxe medo, enfrentar a Typhon me despertou raiva e ver Alex enfrentando seu passado me fez chorar. É isso que torna “LiS” tão especial e perfeito, ela mostra o quanto somos humanos e que toda aquela história é algo que podemos não estar vivenciando, mas outra pessoa por aí pode estar, tornando ele um game com ainda mais sentimento e profundidade.

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Sua mecânica continua a mesma, trazendo apenas elementos diferentes por conta dos poderes de Alex, mas nada fora do normal. Os gráficos melhoram sempre com o passar do tempo, em que vemos a Engine do game sempre sendo atualizada, tornando a experiência novamente única – tão única que o primeiro game ganhou um remaster que chega apenas em 2022 com a mesma melhora gráfica.

A trilha sonora, o que não é nenhuma surpresa, continua incrível. Somos surpreendidos com Alex cantando “Creep” do Radiohead e com muitos outros nomes que  podem ser encontrados na jukebox do bar. Phoebe Bridgers e Gabrielle Aplin até MXMToon e Michael Kiwanuka, Novo Amor, Kings of Leon e até mesmo a dupla Angus & Julia Stone. Bandas conhecidas e locais foram adicionadas ao game, sempre divulgando um ótimo conteúdo para seu público e até mesmo tornando aqueles mais “indies” conhecidos.

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Talvez a única reclamação que tenha é o fato de alguns bugs ainda estarem presentes, pelo menos no console que foi meu contato, em que alguns momentos a tela dava uma leve piscada fazendo a imagem sumir e voltar rápido, sendo algo que aconteceu apenas duas vezes e em momentos de contemplação de cena. Mesmo sendo  algo bobo, muitos podem acabar se incomodando, então só atualizações podem dar um jeito, o que provavelmente irá ocorrer.

Tirando isso não sinto nenhum desejo ruim em relação ao game, sendo ele perfeito para mim, mas que se analisarmos em questão de preço poderia ser um pouco mais barato e não o preço cheio vendido na loja digital – principalmente para os jogadores de PS4/ Xbox One, que acabam pagando o preço da nova geração.

Poderia ficar horas escrevendo sobre “Life is Strange”, mas acredito que não sejam todos que querem ficar lendo tanto assim. O que posso dizer é que “Life is Strange: True Colors” merece ser jogado por todos, principalmente aqueles que já conhecem e são fãs, já que desperta um sentimento nostálgico que a maioria adora.

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Por outro lado, fará bem para os novos jogadores conhecerem uma boa história e quem sabe se interessar pelos jogos anteriores. Quando iniciar o gameplay, liberte sua mente e deixe os sentimentos fluírem. É importante deixá-los sair e superar grandes barreiras que colocamos em nós mesmos.

“Life is Strange: True Colors” está disponível para PS4. PS5, Xbox One, Xbox Series, Nintendo Switch, Google Stadia e PC.

E aí, curtiu?

Escrito por Guta Cundari

Do cinema para o jornalismo. Amante de filmes e games, fã filmes de terror trash e joguitos que duram meses. As Premiações pelo mundo todo que me aguardem e os noobs que sofram.

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