Pantera Negra (2018) | O peso do discurso, dos conflitos e empatia
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Pantera Negra (2018) | O peso do discurso, dos conflitos e empatia

O filme de super-herói mais importante de todos os tempos – Wakanda FOREVER!

Quando um universo cinematográfico existe há mais de 10 anos, fica difícil mostrar algo diferente para espectadores cada vez mais ávidos por novidades. Pode até ser que apareça um filme ou outro que remonte o novo ou que apresente uma história que contrapõe tudo que já foi visto. “Mulher Maravilha” (2017) fez isso e “Thor: Ragnarock” (2017) também, mas “Pantera Negra” fez isso demais e num ponto que não víamos há tempos.

Não importa de qual universo estamos falando, se Marvel ou DC, o que importa é que estamos diante do novo mais uma vez e de como um filme que traz como protagonista um super-herói negro pode ser arrebatador quando o assunto é a velha arte de contar histórias.

Ryan Coogler como diretor foi tão importante para este filme como foi para duas outras obras: “Fruitvale Station: A Última Parada” (2013) e Creed: Nascido para Lutar (2015). Você pode dizer que obviamente ele foi importante, pois é o diretor. Mas é ai que você se engana.

Pantera Negra (2018) | O peso do discurso, dos conflitos e empatia

Ele foi importante, pois trouxe o seu olhar, seu DNA e toda a bagagem que tem como ser humano que também veio do gueto, mais precisamente de East Bay, ao norte de Oakland, Califórnia. Foi bolsista da escola por jogar futebol, depois foi transferido para outra escola até chegar na pós que fez na Escola de Artes Cinematográficas do sul da Califórnia. Também já trabalhou como segurança e com jovens presos em reformatórios (como é chamado a prisão para jovens nos EUA) de São Francisco.

Ele é um cara que sabe como as coisas funcionam, que entende a língua que se fala nos guetos e sabe principalmente da cultura afro e de toda a sua importância para o mundo que vivemos hoje. Coogler faz você realmente se importar com a trajetória do protagonista e do antagonista independentemente de ser um herói, lutador, vilão, alguém que está tentando apenas ter uma vida melhor ou que acha que ser dono de algo precisa ser na base da mágoa, da raiva e do egoísmo.

Foi isso que ele fez ao lado do roteirista Joe Robert Cole, elevou a história de um super-herói ao patamar de um filme que acaba deixando de lado o estereótipo das produções desse sub gênero. “Pantera Negra” parte do momento em que T’Challa (Chadwick Boseman) tem que assumir o posto de rei de Wakanda, pois seu pai, T’Chaka, morreu nos eventos de “Capitão América: Guerra Civil” (2016).

Logo de cara, ele mostra que não estamos diante de um filme ~crássico~ de origem de um herói. T’Challa é outro cara, ele sabe que tem que ser o melhor para o seu povo não é mais uma questão de ter apenas superpoder ou dominar uma série de artes marciais, T’Challa tem que entender suas novas responsabilidades, entender o que foi feito em Wakanda antes e como será com ele agora, como ele vai fazer para deixar as nove tribos de seu reino unidas e de como não cometer os mesmos erros de outros líderes da nação.

Tudo piora quando ele descobre os problemas de família que norteiam Wakanda há anos. Portanto, o fato de ser herói aqui fica em segundo plano. Carregar o título de Pantera Negra vai além e esse além é que faz desse filme diferente.

Pantera Negra (2018) | O peso do discurso, dos conflitos e empatia

Se você achou que “Capitão América 2: O Soldado Invernal” (2014) foi um dos filmes mais políticos do MCU, espera até por os olhos em “Pantera Negra”. Aqui, a politica é muito mais intrínseca e dialoga principalmente com o momento atual. Ela expõe duas visões de mundo, bem ao estilo de Malcom X e Martin Luther King quando o assunto é negros no poder, liberdade para o povo preto e, claro, a própria revolução. De um lado temos T’Challa como Martin e do outro temos Killmonger (Michael B. Jordan) como Malcom X.

Aproveitando que entramos no assunto vilania, em “Pantera Negra” você vai sentir pela primeira vez o impacto que um vilão como Killmonger pode causar em suas reflexões sobre o filme. Esqueça a parte do combate, isso é ótimo e nem vou entrar no mérito. Mas é importante prestar atenção em seu discurso, em suas motivações e o que ele fez pra chegar onde chegou e lutar pelo trono de Wakanda. Você vai em algum momento concordar com ele, você vai achar as suas motivações plausíveis e pode até odiá-lo de certa forma, mas vai entender legitimamente o que ele fez. Não dá pra dizer qu67e pelo todo ele está errado, mas há de pensar se seus ideais teriam feito de Wakanda e dos irmãos de pele que vivem no mesmo continente um povo melhor.

Pantera Negra (2018) | O peso do discurso, dos conflitos e empatia

Por que Wakanda se esconde com tanta tecnologia e recursos que dariam para transformar o mundo? Mas será que só por ter se escondido há tanto tempo e protegido principalmente a sua maior riqueza – o metal precioso que leva o nome de Vibranium -, é que faz desse reino um lugar que está acima dos reles mortais? Como Wakanda poderia contribuir para não ferir o estilo de vida dos wakandianos, enquanto também fornece recursos para outras nações? Todas essas perguntas são levantadas na narrativa criada em “Pantera Negra”. Para entendê-las é necessário ter um dos sentimentos que mais faltam no mundo hoje em dia, a empatia.

É somente por meio dela que conseguimos captar todo o simbolismo e importância que “Pantera Negra” tem pra sociedade, e não estamos falando aqui de sua importância para industria. Esse é um ponto que podemos discutir em outro momento. Mas há em “Pantera Negra” algo tão belo, tão impactante e importante para o mundo, que é um desperdício para aqueles que estão cegos e moram em casas do ódio gratuito, do preconceito, de achar que a representatividade é uma bobeira e tantas outras coisas que estes seres gostam de bradar por ai.

“Pantera Negra” é sem dúvidas alguma um filme tão diferente e impactante ao mesmo tempo, que dessa vez você não sente em nenhum momento que todo o discurso que ele traz não tenha um peso. Ele é real e T’Challa estampa em sua pele, coração e em seus olhos, uma liberdade e um poder que muitos gostariam de ter e levar pra vida toda.

Aproveite e conheça o Pantera Negra também nos quadrinhos aqui! 

E aí, curtiu?

Escrito por Bruno Fonseca

Fundador e editor-chefe do PL. Jornalista apaixonado por quadrinhos, filmes, games e séries.

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