HQ do Dia

Faith #1

Hoje é o dia dela! Sim.

Conforme anunciamos, Zephyr estreia sua primeira mini série solo na Valiant Entertainment. Para quem não está familiarizado, Faith Herbert é a jovem órfã, nerd, superpoderosa que surgiu nas páginas de “Harbinger” e tomou de assalto o Universo Valiant nos últimos 2 anos co-protagonizando os principais arcos narrativos de “Harbinger” e logo em seguida sendo convidada para participar da super equipe de super heróis da editora, Unity. Para mais detalhes sobre a heroína plus size da Valiant leia a resenha de sua primeira edição única na editora aqui ou nosso artigo sobre as novas musas dos quadrinhos aqui.

Esta “Faith” é uma mini série em quatro partes escrita pela autora de Orphan Black, Jody Houser e ilustrada através de uma colaboração entre o artista Francis Portela (que trabalhou em gibis recentes do Lanterna Verde) e Marguerite Sauvage (que recentemente fez belos trabalhos tanto em “Angela” quanto em “DC Comics: Bombshells”).

Na primeira edição vemos uma Faith Herbert muito mais madura do que o que estávamos acostumados nas páginas de “Harbinger” vivendo em Los Angeles e tentando recomeçar sua vida enquanto divide seu tempo entre um emprego em um site de entretenimento e cultura pop e sua função (e fantasia) de super heroína. Enquanto isso uma trama envolvendo abduções de jovens psióticos como Zephyr começa a preocupar a moça. FAITH_001

Para quem já conhece Faith Herbert, logo nas primeiras páginas fica cristalino o quanto Jody Houser entende como funciona a cabeça da jovem. A roteirista foca bastante tempo no cotidiano mundano da personagem, suas relações atuais, seu passado com o ex-membro dos Renegados, Torque e como a moça está se virando para sobreviver atualmente. Com isso o aspecto heroico fica intencionalmente guardado (não jogado) num cantinho do gibi. Isso não quer dizer que estamos diante de um simples episódio de “Seinfeld” nesta primeira edição. A autora sabe que a personalidade de Faith é muito mais cativante e interessante que seus poderes e coloca a moça trabalhando justamente com aquilo que ela se identifica. Portanto a primeira edição simplesmente apresenta de forma bem humorada e dinâmica a personagem e seu novo status neste universo tanto aos novos quanto antigos leitores. Faith é gente como você e eu: Com suas inseguranças, seus sonhos, suas paixões e sua bagagem. É muito bacana experimentar isso de forma tão leve e divertida. Espere referências bem sacadas (e não muito excessivas) à cultura pop, além de certa dose de auto reflexão. A única cena de ação é cirurgicamente arquitetada por Jody Houser para fazer qualquer fã de Faith Herbert se apaixonar ainda mais pela moça. Então prepare-se porque o golpe é baixo (no melhor sentido possível). O gancho deixado no final é burocrático, mas serve para movimentar as próximas edições da mini série.

A arte de Francis Portela e Marguerite Sauvage em “Faith” é belíssima e de uma consistência louvável. As cenas são divididas entre a realidade que é desenhada por Portela e os breves sonhos da personagem (com a presença de um certo Chris que pode ou não ser o Evans) ilustrados por Sauvage. Tudo funciona perfeitamente na parte gráfica desde a paleta de cores, passando pelo fluxo de quadros até o design de cenários, deixando a leitura muito leve e rápida. O destaque gráfico vai para o cuidado com o apartamento de Faith com seus posters, bonecos e livros espalhados por todos os cantos, além da caracterização impecável da protagonista que honra suas curvas e é retratada como uma belíssima moça completamente fora dos padrões de beleza dos quadrinhos atuais.

Um dos aspectos mais importantes felizmente herdados por Jody Houser da passagem de Joshua Dysart por “Harbinger” é que a autora em momento algum usa a condição física da protagonista como artifício para definir quem ela é. Faith Herbert é muito mais que a sua aparência e aqui você vai ler uma bela introdução de uma personagem riquíssima sem um pingo de pregação ou propaganda por diversidade. Só isso já é suficiente para mostrar o quanto a história pode e deve vir em primeiro lugar e que os aspectos físicos, étnicos ou de orientação sexual dos personagens são somente uma parte do que os define e não “O” personagem em si. O roteiro de Jody Houser está acima disso. Temos aqui um belo início de arco de uma querida e importante personagem tanto da Valiant quanto da cultura pop em geral. Uma leitura leve, divertida e muito bem ilustrada que sustenta todo o hype gerado e já merece todo o sucesso que tem no mercado de quadrinhos mesmo antes de seu lançamento.

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