HQ do Dia

Harbinger: Faith #0

Se você é leitor da revista Universo Valiant provavelmente já está familiarizado com Faith Herbert nas páginas de Harbinger. A nerd gordinha superpoderosa já é um dos novos ícones femininos dos quadrinhos desde que fez sua estreia na edição 4 de Harbinger. Se você nunca leu Harbinger procure Universo Valiant, pois trata-se de um dos melhores títulos mensais publicados no Brasil atualmente.

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No final do ano passado o roteirista de Harbinger, Joshua Dysart e o desenhista Robert Gill se juntaram para lançar a one-shot estrelada pela personagem, chamada Harbinger: Faith #0. Ao contrário do que se espera de uma edição zero, a história não conta a origem da personagem (mesmo porque se você é leitor de Harbinger com certeza já sabe a origem de Zephyr) e se passa logo após a mini-série Armor Hunters. Após o violento conflito na Cidade do México e o desmantelamento de sua equipe de Renegados, Faith e seu namorado Torque se encontram meio sem rumo. É aí que esta edição entra. Conforme anunciado pela Valiant recentemente Zephyr entrará no elenco da super equipe de pesos-pesados da editora chamada Unity e o roteiro de Dysart faz esta conexão com o novo papel da heroína além de nos mostrar um pouco de sua infância como nerd fã de quadrinhos.

Como sempre Joshua Dysart dá um show de sensibilidade e franqueza quando escreve histórias ou mesmo passagens estreladas por Faith Herbert. Pra quem nunca leu Harbinger, a personagem apesar de sua aparência volumosa, em momento algum é retratada como um estereótipo do “nerd gordo imprestável” e sim como uma típica jovem fã de quadrinhos de super-heróis com suas virtudes, defeitos e problemas normais. A diferença é o fato dela ter superpoderes e ter recentemente enfrentado um exército alienígena. Assim como em Harbinger não há drama excessivo sobre sua infância e não há a típica e irritante história de “superação de dificuldades” tão comum em protagonistas deste tipo. O roteiro conta uma história que poderia ser protagonizada por qualquer jovem heroína em qualquer universo de quadrinhos. A diferença e o principal atrativo da personagem (não só nesta edição) é a visão de mundo de Faith que é de uma sensibilidade, doçura e sinceridade que nos fazem indagar se o autor não insere alguma coisa auto-biográfica no meio deste roteiro. Os diálogos entre John e Faith são totalmente relacionáveis e o uso do Twitter para narrar esta história foi uma sacada de mestre do roteirista.

A arte de Robert Gill em Harbinger: Faith tem uma pegada levemente indie com traços suaves e expressões faciais bem definidas. Os cenários são bem caprichados, mas a caracterização dos personagens pode não agradar a todos os leitores. O destaque vai para as lindas cenas de flashback mostrando uma jovem Faith em uma tarde de leitura em uma Comic Shop. Cenas bonitas e que atendem perfeitamente o roteiro de Dysart.

Harbinger: Faith #0 não é uma edição introduzindo Zephyr, mesmo porque a personagem a esta altura não necessita de introduções muito alongadas (Se você quer conhecer mais esta personagem a dica é ler a edição #9 de Harbinger publicada na revista Universo Valiant). Também não é uma HQ cheia de ação frenética e combates de vida ou morte (se você quer ler este tipo de coisa a sugestão é ler Armor Hunters). O que temos aqui é uma pausa para examinar as repercussões dos recentes acontecimentos de Harbinger Armor Hunters na vida desta protagonista. Apesar de não ser um roteiro complicado definitivamente é uma leitura muito mais divertida se você conhecer um pouco da moça. O principal mérito do tratamento de Joshua Dysart a esta personagem continua sendo a falta de “dedos” e dramas para retratar uma adolescente nerd e obesa como protagonista. Faith nunca precisou superar nada relacionado a sua condição física pois na concepção do autor, da própria personagem e de quem lê não há nada de errado com a moça. Ela é perfeita do jeito que é. É extremamente revigorante ler histórias protagonizadas por Faith Herbert escritas por Dysart justamente pelo fato do autor tratar esta personagem (e, diga-se de passagem, todo o elenco de Harbinger) como uma pessoa normal. O mundo, não só dos quadrinhos, precisa de mais leitores e de mais pessoas como Faith.

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