Sinfonia da Necrópole

Eduardo Gomes, o Deodato, conversou com a gente

Há pouco mais de um mês, escrevi um artigo de opinião sobre o comportamento atual da nossa sociedade fazendo um paralelo com o protagonista do filme dirigido por Juliana Rojas, Sinfonia da Necrópole. O artigo, Sinfonia da Necrópole | Um pouco mais de Deodato em nossas vidas, faz uma crítica a sociedade, a falta de empatia e a tantas outras coisas que você pode conferir diretamente no artigo.

Quando eu fiz esse artigo, a minha intenção era de conseguir a opinião do ator que interpretou o Deodato, Eduardo Gomes, mas por algumas complicações e um pouco também pela correria aqui na redação, eu não consegui coletar isso a tempo de publicar a matéria. Porém, eu não desisti de tentar encontrá-lo até finalmente saber o que ele achou de tudo que eu escrevi.

sinfonia-da-necropole-eduardo-gomes-o-deodato-conversou-com-a-gente6

Eu achava a opinião dele extremamente importante para dar um peso maior ao que eu falei, independente se ele concordasse ou não com a minha opinião, mas era a visão de alguém que sentiu o Deodato na pele. Enfim, depois de muito correria e de algumas conversas, eu finalmente consegui a opinião do Eduardo Gomes sobre precisarmos um pouco mais de Deodato em nossas vidas.

Com a palavra, Eduardo Gomes, o Deodato de Sinfonia da Necrópole.

Cheguei ao seu artigo pesquisando críticas ao Sinfonia da Necrópole na internet e fiquei muito comovido com seu olhar sobre Deodato. A começar pelo título, onde o personagem é reconhecido como qualidade necessária, mas carente em nossas vidas. Em seguida, o texto destaca a sensibilidade, a empatia, a tolerância e a resignação de Deodato como valores humanos cada vez mais raros “em uma sociedade que caiu diante da ruptura semiótica das suas esquinas”. Concordo totalmente. Mas onde, nesta sociedade, há espaço para um Deodato? Numa das cenas do filme, Jaqueline diz a ele: “Você é muito sensível. Não pode ser assim”. Como se tal sensibilidade não coubesse no pragmatismo violento do modo como opera a vida. Portanto, precisamos de um pouco mais de Deodato em nossas vidas, sim, só não sabemos onde encaixá-lo. Sua inadequação, ao mesmo tempo que comove e diverte, traz um componente trágico que não pode ser ignorado: a dificuldade da humanidade em aceitar seus Deodatos.

sinfonia-da-necropole-eduardo-gomes-o-deodato-conversou-com-a-gente2

Por outro lado, entendo que muitas das atitudes dele são movidas pelo medo e isso não o torna exatamente, um exemplo a ser seguido. Deodato dá muita atenção ao medo: constantemente se sente ameaçado, tem um andar tenso, quase não sorri e está sempre pronto a levar um susto. Quando ele questiona a remoção dos túmulos abandonados, por exemplo, há, claro, uma atitude de respeito, mas também de medo. E é tanto que os mortos aparecem e reivindicam seus jazigos. Ele tenta, em vão, impedir a remoção porque acredita que foi ameaçado pelos próprios mortos, e não só por senso de justiça. Ao não conseguir, ele vai embora do cemitério, certamente com medo de que os mortos voltem para se vingar. Então, sim, Deodato tem um coração raro, mas acuado. E precisamos de um pouco mais de coragem.

sinfonia-da-necropole-eduardo-gomes-o-deodato-conversou-com-a-gente

Além da sua visão e reflexão sobre o artigo, conversamos também sobre seus novos projetos e ele falou o seguinte:

No cinema, estou no novo longa de Juliana Rojas e Marco Dutra, “As Boas Maneiras”, filmado este ano, e nos próximos dois longas de Gabriela Amaral Almeida, “O Animal Cordial”, filmado no ano passado, e “A Sombra do Pai”, que será rodado em julho. Também estou no longa “El Mate”, de Bruno Koff e Fábio Marcoff, que deve ser lançado este ano, assim como o curta “Minotauro”, de Leonardo França, que eu protagonizei. Neste mês, filmarei uma participação no novo curta de Sergio Silva, “Febre”.

sinfonia-da-necropole-eduardo-gomes-o-deodato-conversou-com-a-gente4

As novidades não estão ligadas apenas ao cinema, Eduardo também está fazendo trabalhos importantes para o Teatro. Nesse campo da arte, ele está desenvolvendo seu segundo solo caseiro, “O Esgotado”, que estará em cartaz na sala da sua casa (sim é isso mesmo que você leu, um espetáculo dentro da casa do ator) em breve. É um monólogo inspirado num conto de Samuel Beckett e que faz parte de um projeto pessoal do ator de realizar peças dentro da sua casa. A primeira foi “Sobressalto”, que ficou em cartaz ano passado em seu quarto.

Sinfonia da Necrópole está disponível no NOW da NET/Claro, e também está sendo exibido esse mês no Canal Brasil. 


VEJA TAMBÉM:

COMENTE:

© 2019 Proibido Ler. Todos os direitos reservados.