Por Trás das Câmeras

Woody Allen

Nascido no Brooklyn, em 1 de dezembro de 1935. Allan Stewart Königsberg (Woody Allen) nunca imaginou o que a vida lhe proporcionaria.

Descendente de judeus, ele nasceu e cresceu num bairro judaico tradicional em Nova Iorque. Criado por país rígidos, nos primeiro oito anos de vida, Allan foi educado na língua iídiche, em uma escola hebraica; depois continuou os estudos na Midwood High School, no Brooklyn.

Ao contrário de seus personagens antissociais e desajeitados, Allan sempre foi popular. Red, como era conhecido por suas madeixas vermelhas, fazia mágicas e se destacava no basebol e no basquete. Dá para acreditar? 

Na universidade de NY, ele estudou filosofia até o segundo semestre, quando foi expulso.

Allan começou sua carreira nos anos 50, aos 15 anos, gapor-tras-das-cameras-woody-allen_1nhando 25 dólares a hora e usando o pseudônimo Woody Allen para escrever peças de humor para comediantes, televisão e rádio.

Nos anos 60, ele encontrou seu lugar na comédia stand-up, enfatizando os famigerados monólogos que fazem parte da maioria das suas obras cinematográficas.

Diretor, ator, roteirista e clarinetista de Jazz. No cinema, a personalidade de seus personagens é completamente intelectual (ou cult, como queira chamar) nerd e problemático, quando Woody Allen entra em cena, ame ou deixe-o.

Considerado em 2004, pelo Comedy Central o quarto melhor comediante de stand-up, ele garante ser bem diferente do personagem na vida real. Muitos concordam, afinal só Woody Allen para recusar ir a premiações.

Cinematograficamente falando, Woody Allen é considerado um gênio de sua geração e da Nova Hollywood. Indicado 23 vezes ao Oscar, 16 somente de roteiro. Ele supera qualquer outro roteiristas nas indicações. Laureado com 4 Oscars e 9 BAFTA, ainda sobra tempo para ele se apresentar como clarinetista em Manhattan.

Polêmica

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Woody Allen sempre agradou o púbico, na mesma proporção que desagradou. 8 ou 80, não tem jeito!

Muita gente confunde suas obras com sua personalidade, o que em alguns casos é inegável, mas esquece que por trás das câmeras ele tem uma vida privada. Seu personagem mais conhecido (Allan) é apenas um pequeno fragmento disso. Ou seja, se não gostou segue em frente… a vida real pode ser bem pior.

Woody Allen casou três vezes e teve seis filhos, sua vida amorosa sempre gerou comoção já que ele é casado até hoje com a filha adotiva.

Fora dos holofotes há alguns anos, em 2014, Dylan Farrow (filha da atriz Mia Farrow) declarou ao jornal “The New York Times” que foi abusada sexualmente por Woody Allen aos 7 anos. O caso chocou a mídia e fez muita gente deixar de admirar o diretor, mas não suas obras. 

Por que isso acontece?

Isso pode soar horrível, mas não vejo muitas pessoas deixando de assistir “O bebê de Rosemary” ou “Repulsa ao sexo” porque Roman Polanski foi acusado de pedofilia. Nem preciso citar Chaplin… ou preciso?

Vou deixar isso para o especial deles dois, mas o importante aqui é lembrar que o artista não é sua obra. O cinema de Woody não é feito somente dele, mas sim de diversos fragmentos que montam suas obras. É complicado admirar a obra sem admirar o artista, mas é possível.

Woody Allen é a prova viva de que o cinema pode ser o melhor lado de alguém. Muitas pessoas que discordam de sua postura admiram sua obra, assim como eu.

Com um gosto impecável para trilhas sonoras, com quadros inspirados em diretores consagrados, Woody Allen sabe muito bem fazer cinema. Embora tenha inegavelmente se vendido ao cinema comercial, que produz pelo menos um filme por ano.

Conheça algumas obras do diretor em ordem cronológica:

Sonhos de um sedutor – 1972

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Roteiro criado para ser inicialmente uma peça de teatro, o longa é claramente uma referência do clássico Casablanca (1942, dirigido por Michael Curtis)

Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo
mas tinha medo de perguntar – 1972

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Com esse título a trama dispensa explicações, as curiosidades sexuais mais bizarras e corriqueiras em um tom de comédia. A sexualidade de forma irreverente e criativa. O filme foi inspirado no livro do médico psiquiatra David Reuben, que havia se tornado grande sucesso de vendas na época.

Annie Hall – 1977

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Que os preguiçosos me perdoem mas eu não sou obrigada a traduzir esse título, rs. Um dos filmes mais aclamados do diretor, com uma visão completamente diferente sobre amor e paranoia. Muito melhor do que 500 dias com ela, mas na mesma ideia.

Interiores – 1978

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Como muitos sabem, Woody Allen era um apaixonado pelo cinema de Ingmar Bergman, essa obra é assumidamente uma homenagem ao diretor e a seus filmes. Repleta de melancolia.

Manhattan – 1979

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Uma das maiores provas de amor de Woody Allen por sua cidade, Manhattan. A história de fotografia impecável aborda amor e teve sua estreia no Festival de Cannes em 1979. Foi indicado ao Óscar de melhor roteiro original e melhor atriz coadjuvante e o Globo de Ouro de melhor filme dramático, foi vencedor do BAFTA de Melhor Filme e o César Awards de Melhor Filme Estrangeiro.

Zelig – 1983

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Um falso documentário e uma crítica explicita ao estilo de vida americano. O personagem Leonard Zelig (Woody Allen), o camaleão-humano que virou celebridade nos anos de 1920-1930, muda de características físicas e comportamentais em busca de sua verdadeira identidade.

A Rosa Púrpura do Cairo – 1985

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Sabe aquela mulher que sonha em ser a mocinha dos filmes? Essa comédia é sobre ela. Quando Cecilia (Mia Farrow) vê o filme favorito pela quinta vez no cinema, acontece o impossível: o herói da fita sai da tela para declarar seu amor por ela.

Hannah e Suas Irmãs – 1986

O longa que foi laureado em diversos prêmios, incluindo Oscar de melhor roteiro original. Fala de família, amizade, traições e relacionamentos de três irmãs.

A Era do Rádio – 1987

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Uma família judia em Nova York que só consegue pensar em escutar rádio. Considerado um dos filmes mais biográficos de Woody Allen. O diretor admite que muitos fragmentos do longa fizeram parte de sua vida. A produção é marcada por várias histórias que são vivenciadas no decorrer do período áureo do rádio nos Estados Unidos — entre 1930 e 1940.

Match Point – 2005

Um de seus filmes atuais mais aclamados, Woody Allen abandona a comédia para encarar um drama onde ele não é personagem. Jonathan Rhys-Meyers, Emily Mortimer e Scarlett Johansson, embarcam numa trama repleta de trapaças e jogos de amor e poder.

Vicky Cristina Barcelona – 2008

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O meu favorito da lista, com Rebecca Hall, Scarlett Johansson, Javier Bardem e Penélope Cruz, esse filme tem sabor de viagem. A trama toda se passa nas férias de duas amigas, Vicky e Cristina. Uma movida a paixão e outra muito racional. Ambas conhecem o pintor Juan Antonio, o que muda completamente o rumo da viagem.

Meia noite em Paris – 2011

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Gil (Owen Wilson) sempre idolatrou os grandes escritores americanos e sonhou ser como eles. A vida lhe levou a trabalhar como roteirista em Hollywood, o que fez com que fosse muito bem remunerado, mas que também o deixou frustado e decidido a mudar de vida. Esse longa ganhou Oscar de Melhor Roteiro Origial, em 2012.

Homem Irracional – 2015

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A última empreitada do diretor foi o filme Homem Irracional, um filme de 2015, com uma história envolvente e repleta de filosofia e existencialismo. Confira a resenha completa (SEM SPOILERS) clicando aqui.


Um dos maiores segredos de Woody Allen é a linguagem, ele consegue ser um camaleão e se adaptar aos mais diversos tipos de público. Encerro esse especial com uma de suas declarações: Gênio, eu? Sou só um humorista do Brooklyn que deu sorte. 

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