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Twin Peaks Vs. The Killing | Investigações e semelhanças além do bem e do mal

Se você é fã das duas séries – assim como eu – já deve ter se perguntado inúmeras vezes se a semelhança é algo da sua cabeça ou real. Twin Peaks e The Killing tem muita coisa em comum e giram em torno do mesmo ponto: encontrar o assassino e desvendar o que aconteceu de verdade.

Twin Peaks é uma dissertação filosófica sobre o bem e o mal, bem como um estudo sobre os lado mais obscuro das pessoas e dos ambientes. A pequena comunidade com o nome da trama, no Estado de Washington, com uma paisagem cênica, também me lembra Bates Motel – onde as coisas mais bizarras acontecem, sem que ninguém se surpreenda verdadeiramente – só que entre essas tramas, as coisas param de ter semelhanças na cidade. Afinal, sabemos antes da série quem é Norman Bates, e o que ele faz.

Em 8 de abril de 1990, a ABC estreou um drama investigativo intitulado Twin Peaks. A série, criada pelo diretor de cinema David Lynch, é centrada no assassinato do estudante do ensino médio Laura Palmer, na cidade de Twin Peaks, e na investigação posterior a sua morte. Em 3 de abril de 2011, a AMC estreou um drama investigativo intitulado The Killing. Também sobre investigação do que aconteceu a uma estudante do ensino médio, Rosie Larsen, antes de ser brutalmente assassinada, em Seattle.

Em Twin Peaks e The Killing, o bem e o mal são investigados o tempo todo. Ao mesmo tempo que são bemTwin Peaks Vs. The Killing | Investigações e semelhanças além do bem e do mal diferentes, as séries são bem semelhantes. Como isso é possível? Calma que você já vai saber!

Embora The Killing seja claramente baseada em um programa de tv dinamarquês chamado “Forbrydelsen”, seu slogan inicial de “Quem matou Rosie Larsen?” rapidamente nos traz à mente o slogan de Twin Peaks, 21 anos antes: “Quem matou Laura Palmer?”.

E não é para menos, ambas as séries tem mais em comum do que jovens brutalmente assassinadas. Nas duas histórias, os detetives investigam os lugares secretos onde elas se metiam. O que elas, a família e a cidade escondiam. Ambas desconstroem a imagem da inocência e da maldade. Tanto das pessoas quanto das cidades aconchegantes e visualmente atraentes. Pequenos fios de Twin Peaks podem ser vistos em The Killing, 21 anos depois. As formas diferentes de abordar a história, nos levam ao mesmo desvendar da sociedade. Onde a imagem nem sempre condiz com o que a pessoa é. Evidência de tais semelhanças podem ser encontradas com uma rápida comparação dos primeiros episódios das duas, analisando alguns personagens e cenários. Veja por si só.


As vítimas:

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Duas adolescentes brutalmente assassinadas, com muito mais em comum do que a morte prematura. Laura Palmer (Twin Peaks – lado esquerdo) foi rainha do baile de sua escola, e do tipo de adolescente que trabalhava no voluntariado. Rosie Larsen (The Killing – lado direito) era descrita como uma “boa menina sem segredos”, admirada por todos – assim como Palmer – uma aluna e filha exemplar. Na realidade, porém, as duas adolescentes tinham um lado obscuro cheio de fantasias, visitas clandestinas, e um envolvimento sórdido com suas respectivas comunidades. E claro, seus pais não suspeitavam de absolutamente nada.

Os “namorados”:

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Ambas as vítimas namoravam valentões. As investigações sobre a morte de Laura Palmer e Rosie Larsen, inicialmente nos levam a suas respectivas escolas de ensino médio, e aos seus namorados problemáticos. Bobby Briggs (Twin Peaks – lado esquerdo) namorado de Palmer – é o capitão do time de futebol, tem uma natureza rebelde e se revela pouco cooperante com as autoridades. Jasper Ames (The Killing – lado direito) – namorado de Larsen –  rico, privilegiado, rebelde é igualmente pouco cooperante com as autoridades.

Os amigos deles:

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Bobby Briggs e Jasper Ames também tem companheiros duvidosos: Mike Nelson (Twin Peaks – lado esquerdo) e Kris Echols (The Killing – lado direito). Ambos muito agressivos e descontrolados. Enquanto as duplas Bobby Briggs e Mike Nelson (Twin Peaks) e Jasper Ames e Kris Echols (The Killing) são os primeiros personagens a serem considerados como potenciais suspeitos, as primeiras investigações sobre Twin Peaks e The Killing também revelam coisas surpreendentes sobre as duas vítimas.

As amigas delas:

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Laura Palmer e Rosie Larsen tem semelhantes melhores amigas, Donna Hayward (Twin Peaks – lado esquerdo) e Sterling Fitch (The Killing – lado direito). Ambas tem muita inveja reprimida das amigas que são populares. Sem contar uma atração pelos respectivos namorados.

A descoberta dos corpos e dos pais:

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Quando assisti The Killing, a primeira cena que me fez lembrar verdadeiramente de Twin Peaks, foi essa. Quando encontraram o corpo de Laura e Rosie, os agentes tiveram a mesma sensação. Apesar das suspeitas, nenhum assassinato é provado sem o corpo.

Além disso, indiscutivelmente a semelhança mais marcante entre Twin Peaks e The Killing é a maneira angustiante que os pais das vítimas se tornam conscientes de que suas filhas foram assassinadas.

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 Em Twin Peaks, Sarah Palmer chama o marido Leland Palmer para informá-lo de que Laura tinha desaparecido. Ele imediatamente percebe o que aconteceu e deixa cair o telefone, deixando a esposa Sarah implorando aos prantos para saber o que estava acontecendo. Em The Killing, o pai de Rosie, Stan Larsen dirige para o local onde a polícia encontrou o corpo do adolescente enquanto falava em seu telefone celular para a esposa Mitch Larsen. Stan também não precisa ver o que aconteceu, de fato. E da mesma forma que Leland, deixa cair seu celular. Deixando Mitch gritando por informações como Sarah do outro lado da linha.

A abertura e o episódio piloto:

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Não são iguais. Mas ambas as aberturas e pilotos nos fazem refletir, quase filosoficamente, o tom geral dos dois shows. Apesar da bela paisagem, algo não está certo nas duas cidades. Assim como refletimos com os personagens, apesar da imagem que nos conhecemos, existe algo que não sabemos sobre eles.  Ambas as cenas foram gravadas em locais belos. De muitas maneiras, os pilotos de ambas preparam o terreno para o que está por vir.

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Na primeira imagem (do lado esquerdo) corpo de Laura Palmer é encontrado. Na segunda (lado direito) roupa de Rosie Larsen é encontrada. Em Twin PeaksPete Martell embarca em uma viagem de pesca de manhã cedo contra o pano de fundo as montanhas cênicas na área, apenas para encontrar o corpo de Laura Palmer envolto em plástico e deitado na praia de um lago. Em The Killing, a detetive de homicídios Sarah Linden vai correr na mata (igualmente cênica), porém em Seattle, e tropeça no cadáver de um animal também situado as margens de um lago, mais tarde é surpreendida com um suéter rosa manchado de sangue.

Os investigadores:

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Sarah Linden personifica a imagem em The Killing. No episódio piloto, ela é retratada como uma detetive de homicídios, mãe solteira à beira de se mudar para a Califórnia com seu noivo, a fim de começar uma nova vida. Através do curso da série, no entanto, é revelado que a Linden tem demônios internos, foi criada em lares adotivos e se esforça para ser uma boa mãe para filho Jack. Embora ela seja “forçada” por seus superiores para ficar no cargo até que a investigação sobre a morte de Rosie Larsen se encerre, também notamos a sensação incômoda de que inconscientemente ela está hospedada em Seattle, como forma de “fugir” da vida melhor que a espera em Sonoma Valley. Dale Cooper não é exatamente igual a Sarah, mas também fica em Twin Peaks mais tempo do que deveria. Fugindo assim do que a realidade o reserva.

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Embora não exista um agente do FBI igual a ele em The Killing, o drama AMC tem Stephen Holder, parceiro de homicídios de SarahDale Cooper, aderiu a um sistema de crenças Zen que se refletiu em sua alegria pelas tortas de cereja e por uma boa xícara de café. No episódio “Missing”, Holder se mostra vegetariano (ou quase isso) e do mesmo modo que Cooper oferece sua torta, ele oferece a Sarah sua própria filosofia pessoal sobre o saborear da comida. Enquanto Cooper tinha uma habilidade Sherlock Holmes, Holder não nega sua intuição.

Paralelos visuais:

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Twin Peaks contém um estilo cinematográfico original de seu criador David Lynch, e foi, em essência, um mundo de sonho e escuridão. The Killing, entretanto, tem a tradicional qualidade noir filme que é baseado na realidade. Ambas as séries, utilizam a morte de adolescentes em uma comunidade tranquila para explorar os segredos que inevitavelmente se encontram abaixo da superfície. No final, os dois dramas são, indiscutivelmente, diferentes, mas é claro que eu não vou te dar spoiler aqui. Os escritores de The Killing, chamaram ainda mais atenção acrescentando a pista da fita de vídeo “reflexiva” (semelhante a de Twin Peaks). E por inserir a prostituição (Beau Soleil) e um cassino semelhantes ao Jack Caolho (Wapi Eagle Casino).

A desconstrução: Twin Peaks se baseia em sua “estranheza” inicial e mergulha no submundo da pequena cidade aparentemente tranquila. The Killing, é baseada na realidade, mas evidencia que os personagens principais e secundários “não são o que parecem” da mesma forma. Twin Peaks, é muito mais fantasiosa e bem humorada – cheia de personagens peculiares, anões, gigantes dança enigmáticas e uma personificação do mal sobrenatural. The Killing, por outro lado, não tem essa fantástica variação de elementos, e é preenchida com os tipos de pessoas mais comuns, porém com um lado obscuro em si. A diferença também se encontra no estilo de investigação. Sarah Linden (The Killing) mostra o trabalho duro dos departamentos de polícia regulares, Dale Cooper (Twin Peaks) nos envolve mais no seu estilo Sherlock Holmes de ser. Stan Larsen (The Killing) é inicialmente retratado como um pai de família, ganhando a vida com sua empresa justamente – o que nos primeiros capítulos é desconstruído totalmente – pois descobrimos que ele costumava ser um assassino de aluguel da máfia. Benjamin Horne (Twin Peaks) também mostra suas garras por trás do empresário bem sucedido e chefe de família, logo nos primeiros episódios.


Uma prova: Em uma entrevista com Michelle Forbes (Mitch) Mãe de Rosie Larsen, em The Killing – ela concorda existem semelhanças entre ambas as séries.


“Você sabe, é realmente interessante – eu mencionei antes, eu tinha um show no Canadá, “Durham County”, que também foi comparado a “Twin Peaks” e também foi comparado a “The Killing” no NY Times, porque era mais um estudo de personagem do que um procedimento policial. Ambos muito bonitos de se ver e chocantes… Na verdade, alguém me enviou uma cena em que os pais de Laura Palmer descobem a morte da filha, e é chocantemente similar a que eu gravei em The Killing… Eu era um grande fã de Twin Peaks. Eu não sei como qualquer um de nós cresceu nesta era da televisão e não ficou espantado, eu ainda estou chocada que isso foi para a televisão. ‘Isso é tão David Lynch , é tão louco, e é tão insano, que me surpreende ter ido ao ar há 20 anos sem censura’. Não sei como isso aconteceu, mas fico feliz, afinal isso mudou a televisão pra sempre”.



Não espere que The Killing seja uma produção tão inovadora quanto Twin Peaks. Isso é praticamente impossível. Eu gostaria de ter visto os roteiristas mencionado a série clássica em Twin Peaks Vs. The Killing | Investigações e semelhanças além do bem e do malsuas inspirações – o que não foi feito – pois elas são gritantes para qualquer um que observe melhor as tramas. Entretanto, Twin Peaks é muito mais chocante do que The Killing, inclusive pela época em que foi lançada. A série é um banho de bizarrices em uma trama de assassinato, e vai te devorar por horas a fio. 

Não espere que Twin Peaks seja uma produção tão realista quanto The Killing. Encontrar o assassino de uma forma bem menos fantasiosa e bem humorada, pode, e é tão bom quanto o contrário.

Twin Peaks Vs. The Killing | Investigações e semelhanças além do bem e do malEm The Killing todos os personagens tem uma evolução lenta e deliciosa de se acompanhar, aprendemos muito sobre o sucesso e o fracasso das pessoas, bem como sobre o lado podre de cada um. considerada uma série bem pesada e depressiva por inúmeros críticos, sem personagens bizarros mas com muitos fatos interessantes: máfia, terrorismo, drogas, conspirações.

A luta pela justiça, as fraquezas humanas, a dor da perda, o mistério, as carapuças que servem e não são, os preconceitos, os achismos, o lado podre de cada história. E muita, muita, muita investigação. Tudo isso (e muito mais) é abordado em ambas as séries. E o que importa mesmo é saber: Quem matou Laura Palmer? Quem matou Rosie Larson? 

***isso não é para ser respondido. Afinal, os leitores do Proibido Ler podem estar acompanhando a série. Não seja do tipo que conta o “final do filme”. 

Essa postagem é uma análise do que está oculto no sucesso de ambas as séries, e foi feita com bastante carinho e pesquisa, para não virar um achismo qualquer de uma fã alucinada. Embora eu seja mesmo.

As duas investigações são deliciosas de se ver. Melhor do que resenhar as duas, te dei uma lista de semelhanças e motivos para assistir ambas. Agora é só começar a assistir e saborear as mortes – não pera – isso é coisa de Hannibal.

Confira também: Arquivo X | Curiosidades sobre a série sci-fi mais aclamada da TV!

E aí, curtiu?

Escrito por Juliane Rodrigues (Exuliane)

Serial killer não praticante, produtora audiovisual de formação e redatora por vocação. Falo sério mas tô brincando no twitter @exuliane

manda nudes: [email protected]

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