Guardiões da Galáxia Vol.2 (2017) | Cores e valores

5 meses atrás ( 26/04/2017 )

James Gunn retorna com a equipe de super-heróis mais louca da galáxia, em um filme que consegue ampliar levemente toda magia que eu e você conheceu no primeiro volume. Fazer um filme não é fácil, aliás, nunca foi. Quando um diretor entrega um filme perfeito assim como foi Guardiões da Galáxia (2014), fazer uma sequência com a mesma qualidade do primeiro se torna um desafio. Gunn aceitou esse desafio da mesma forma que aceitou o primeiro. Você percebe o carinho que ele teve com a sequência e o melhor de tudo, ele deu ainda mais profundidade para seus personagens.

O filme começa com os já conhecidos Guardiões da Galáxia em uma missão. Eles foram contratados pelos Soberanos para proteger algumas baterias que são muito importante para esse povo. Até ai, a missão é concluída com sucesso, porém ao entregar as baterias para soberana Ayesha (Elizabeth Debicki) e de receberem a Nebula (Karen Gillan) como parte do pagamento pelo trampo, um membro da equipe dá um golpe nos Soberanos e furta as bateria por puro prazer. Ao descobrir que isso aconteceu, começa uma caça dos Soberanos contra os Guardiões. Nessa caça a equipe, aparece pela primeira vez o pai de Peter Quill (Chris Pratt) – Ego (Kurt Russell) -, um ser celestial ou melhor dizendo, uma espécie de deus com “D” minúsculo que se materializou em um planeta. Ego tentará recuperar o tempo perdido com seu filho, mostrando a ele como é seu mundo e o que o Senhor das Estrelas é capaz de fazer, mas para isso acontecer a equipe se divide em duas. Rocket Raccoon (voz de Bradley Cooper), Nebula e Baby Groot (voz de Vin Diesel) ficam em um planeta, enquanto Drax (Dave Bautista), Gamora (Zoe Saldana) e Peter Quill vão para o Ego, afim de entender melhor as reais intenções do “pai” do Senhor das Estrelas. A partir daqui, tudo de mais empolgante vai acontecer e o espectador será levado a maior viagem intergaláctica para dentro dos problemas de cada um dos personagens, como eles “lavam a roupa suja” e como cada um deles entendem por si só o conceito de família.

 Guardiões da Galáxia Vol. 2 esquece um pouco das grandes batalhas e dos grandes embates e foca em uma coisa que a Marvel sabe fazer muito bem, que é lidar com problemas humanos e nada heroicos. A treta entre Nebula e Gamora, Quill e o pai ausente aliado a tudo que Yondu (Michael Rooker) representa na vida de ambos, enquanto o próprio Yondu também tem que lidar com problemas do passado ao encontrar Stakar Ogord (Sylvester Stallone), um cara que ele admira, mas que por uma desavença no passado ambos não se falam mais. Além do relacionamento de Raccoon com todos eles e com o seu criador, enfim, o drama serve à trama muito mais do que qualquer outra coisa. É nítido como Gunn conseguiu trabalhar bem os dilemas de cada personagem e como cada um deles têm o tempo em tela que são necessários para que o espectador compreenda o que aconteceu com cada um e como eles passaram a lidar com seus problemas. Parece que você tá vendo uma lavação de roupa suja coletiva e é com isso que o filme demonstra todo o seu valor. Aliado ao conjunto de cores vibrantes que deixam a fotografia espetacular, Gunn faz você embarcar numa psicodelia de cores com uma pegada oitentista, que fica difícil fazer com que você não se apaixone por todo o visual demonstrado em tela.

Apesar de toda a profundidade e a carga dramática exposta, as cores dão o alívio necessário para fazer com que o filme mesmo nos momentos mais intensos não perca a sua alegria. Apesar de todo alivio cômico característico de todos da equipe, ou seja, não é uma função que fica centrada em apenas um personagem como o próprio Drax, pois todos os outros contribuíram também para fazer com que o alívio cômico seja algo coletivo. As piadas são necessárias, mas a alegria em si não estão nelas, e sim em todas as camadas de cores usadas no longa. É um filme vivo e é assim que ele se mostra e, claro, se vende.

A trilha sonora é a parte que dispensa qualquer comentário. Gunn sabe usá-la a seu favor muito bem. Tem cena que a musica fala por si só, nem precisava de dialogo, você entende muito bem o que está passando diante dos seus olhos. Se a Awesome Mix Vol.1 foi sensacional, a Awesome Mix Vol.2 está tão boa quanto a sua predecessora.

Guardiões da Galáxia Vol. 2 é um longa riquíssimo em referências, é um filme que te empolga e te diverte do começo ao fim, que te apresenta o melhor que a Marvel pode entregar para qualquer um. Seja você fã ou não da equipe mais louca da galáxia. Mas acima de tudo é um filme sobre cores e valores. As cores dão (assim como eu disse acima) o tom da alegria e os valores ditam o que cada um dos personagem entendem o conceito de família. Afinal de contas, cada um de nós é que sabemos o que esse conceito representa para nós mesmos e como nós lidamos com qualquer problema que exista dentro de um ambiente familiar. E até mesmo para saber que a formação de uma família independe de ser sangue do mesmo sangue. O conceito apresentado por Gunn é puro, simples e emocionante. 


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