Chernobyl (2019)

A tragédia do real

A HBO não hesita em nos impressionar, especialmente com suas produções originais.  Mesmo que o final “Game of Thrones” tenha deixado um sabor ruim em sua última temporada para muitos de seus fãs, o canal apenas prova que o investimento em obras originais ainda valem a pena, sendo uma delas a bela surpresa como  “Chernobyl“, apesar de ser uma minissérie ela surpreende com uma trama profunda e realista em ganha grande destaque esse ano.

Criada por Craig Maizin, a minissérie aborda a explosão do reator 4 da usina nuclear situado na cidade de Chernobil em 26 de abril de 1984,  em uma Ucrânia que era comandada pela União Soviética. O acidente causou a morte de mais 90 mil pessoas, desde os trabalhadores da usina, bombeiros que foram ao resgate e os pobre e inocentes cidadãos que moravam nas redondezas, todos foram impactados e sofreram o mal causados pela radiação emitida pelo grafite que teve contato com o ar livre da cidade.

O foco aqui não é apenas na explosão, como também nas suas causas e na imensa falha humana em querer enganar o inevitável, temos a busca pela verdade e a melhor maneira para interromper a emissão da radiação, mesmo que em fatores baixos, trazer a solução, mesmo que isso determine perdas inevitáveis. Nesse olhar, que somos apresentados ao químico Valery Legasov (Jared Harris), Borys Shcherbyna (Stellan Skarsgård) o vice-presidente do Conselho de Ministros e Lyudmilla Ignatenko (Jessie Buckley) uma personagem criada especialmente para representar vários cientistas que fizeram parte da história e que ajudaram na reparação do desastre.

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No decorrer dos cinco episódios, Craig Maizin apresenta os dilemas enfrentados para diminuir os riscos em uma trama concisa, prudente e sem firulas. Não há dramas perdidos em coisas que não acrescentam, o importante é mostrar a visão que o União Soviética proporcionava na época, desde seu patriotismo em proteger o segredo do governo até mesmo as dores das pessoas em suas perdas no desastre, além de corajoso e frio, algumas ações deveriam ser tomados para amenizar e controlar a radiação, apenas de se colocar no lugar e imaginar que tais fatos são reais tornam a história dolorida e plausível.

O clima das intrigas é retratado maravilhosamente pelos atores, Jared Harris que demostra um químico que mesmo sendo movido pela ciência tem um olhar humano e um peso em suas costas em cada ação tomada,  já Stellan Skarsgard incorpora o burocrata que não se ilude por sentimentos e mostra a verdadeira face de como o sistema do governo funciona, especialmente em uma fase que o país vivia Guerra Fria. São nessas diferenças que trazem o equilíbrio e proporciona um olhar diferente da mesma moeda dos fatos.

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A ideia para nos mostrar o clima da época é demostrado por sua fotografia, cores secas e deprimentes transmitem ainda mais a veracidade do acontecimento em um olhar triste e seco, os planos abertos da câmera pela cidade de Chernobil são cópias idênticas em um olhar da ambientação e vivência, as poderosas maquiagens  causam estranhezas e dores emocionais, o que traz o pesar ainda mais realista do próprio horror vivido por todos.

Chernobyl é uma das provas que a HBO  ainda pode proporcionar grandes espetáculos audiovisuais,  como um fato que assolou um época e deixou marcada uma nação, aqui é aquele famoso discurso onde arte imita a vida em demostrar que o real é dolorido, trágico e inconformável, e o bom fica ausente em um mundo onde os segredos ficam flutuam na superfície de suas condenações.


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