Capitã Marvel (2019)

O que é essencial não pode chegar tão tarde assim

Foram necessários uma década e 20 filmes passarem, para finalmente a Capitã Marvel chegar ao Universo Cinematográfico da Marvel. O que é definido como essencial não pode chegar tão tarde assim em lugar nenhum! Com Carol Danvers não é diferente, mas, neste primeiro momento, a questão não será sobre a sua importância para a cronologia dos filmes, mas sim sobre a demora na chegada do primeiro filme de uma heroína da Marvel Studios.

A Marvel possui uma série de personagens femininas que são cativantes e poderia ter explorado elas no cinema há muito tempo. E aqui não vale usar produções de super-heroínas que não foram bem no passado como Supergirl (1984), Mulher-Gato (2004) e Elektra (2005), para justificar que esse tipo de filme não atraem o público ou não o agradam em sua maioria. Vivemos outros tempos e, desde Vingadores (2012), a Viúva Negra ou a Mulher Hulk, por exemplo, teriam chances de ter uma produção feita com carinho e respeito. Não falo apenas da Marvel Studios, Sony e a Fox (quando esta ainda detinha os direitos antes da venda para a Disney) poderiam ter produzido filmes com a Vampira, Tempestade, Mulher-Aranha, Gata Negra, Spider Gwen etc. Enquanto a DC apostou muito bem na Mulher Maravilha há três anos – quando o mundo conheceu Gal Gadot na pele de Diana Prince em Batman Vs Superman – A Origem da Justiça (2016) -, e logo depois fez um dos melhores filmes de seu universo até então, Mulher Maravilha (2017), a Marvel levou mais um tempo para confiar, mesmo com todo o seu poder, que um filme como Capitã Marvel só poderia chegar agora.

Tudo bem, eu entendo qual é a importância dela para a cronologia, e que só agora acharam um gancho que pudessem introduzi-la de uma forma mais fluída e menos forçada. Mas eu volto a reafirmar, capacidade e opções para fazer um filme de uma heroína, a Marvel já tinha faz tempo. Enfim, que bom que ela chegou!

Capitã Marvel se passa em 1995 e vai contar a origem da super-heroína, como era a vida dela na Terra, como ela foi viver em Hala, como se tornou meio humana meia Kree e qual vai ser a sua função depois do longa para o Universo Cinematográfico da Marvel. Tudo isso é contado de forma dinâmica e que difere de qualquer outro filme “padrão” de origem de um super-herói. Não tem nada daquela coisa de voltar no tempo e contar tudo desde a infância até a fase adulta, por exemplo. No andar do filme, você obtém todas as informações necessárias, tanto para conhecer a personagem como para saber seu papel e o que esperar dela num geral. Há respostas para perguntas dentro do universo dos filmes da Marvel como a causa da cegueira de Nick Fury, a estreia do agente Coulson na S.H.I.E.L.D, onde a Capitã Marvel esteve enquanto acontecia todos os outros filmes e uma série de outras coisas. Tudo numa narrativa que traz uma forte influência das comédias de ação das décadas de 1980 e 1990 como Maquina Mortífera (1987), Os Bad Boys (1995) e Um Tira da Pesada (1984). A trilha sonora está recheada de músicas que marcaram os anos 1990, e todas foram cuidadosamente escolhidas pela compositora Pinar Toprak (mesma responsável pela trilha da série Krypton),

É importante saber que este filme segue uma linha parecida com Capitão América: O Primeiro Vingador (2011). Ou seja, não coloque suas expectativas lá no alto ou busque muitas respostas para os eventos de Vingadores: Guerra Infinita (2018). Seu papel aqui é outro, é de vir pra completar e não para amplificar qualquer grandeza já vista no último Vingadores. Capitã Marvel traz também uma série de ensinamentos, passa uma mensagem muito forte sobre cair, levantar e continuar lutando. Fala sobre a capacidade da mulher exercer qualquer função tão bem quanto qualquer outro homem, além de deixar a atmosfera da representatividade feminina um tanto inspiradora. Carol Danvers vai causar em meninas, garotas e mulheres o mesmo tipo de sentimento que Kara Danvers, a Supergirl, conseguiu proporcionar desde sua estreia na televisão, em 2015. E isso é essencial! 

A personagem é maravilhosamente bem interpretada por Brie Larson, atriz que possui um Oscar na estante, atriz que se dedicou, que treinou por nove meses artes marciais como judô, boxe e luta livre, que andou com a primeira mulher a se tornar piloto de um caça da Força Aérea dos Estados Unidos – a brigadeiro general Jeannie Leavitt, numa velocidade de 6,5G em um F-16 -, pra saber como era ser um piloto desse tipo de avião e ser uma mulher nas forças armadas americana. Atriz que fez o possível e o impossível para levar o seu melhor para às telonas. Ela não só conseguiu entregar um bom trabalho, como deu gosto de ver que havia um brilho no olhar dela que pouco se vê em personagens desse mesmo porte em outras produções.

Capitã Marvel deixa de ser uma personagem desconhecida do grande público e passa a ser tão importante quanto qualquer outro super-herói da Marvel até então. Ela chega para uma geração nova de fãs e chega também para um momento de renovação nos filmes do estúdio. Uma vez que Chris Evans e Robert Downey Jr. estão se despedindo do Universo Marvel. Além de tudo isso que ela carrega em sua estreia, há uma esperança daquela único jeito que o Doutor Estranho viu em Vingadores: Guerra Infinita (2018) acontecer.


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