HQ do Dia | Lucifer #1

2 anos atrás ( 29/12/2015 )

Mesmo para quem está acompanhando de longe o mercado americano de quadrinhos, observando os lançamentos deste semestre final de 2015, fica claro que a Vertigo voltou de maneira avassaladora este ano. Séries como The Twilight Children ou Sheriff of Babylon mostram o quanto a DC Comics se comprometeu em investir talentos e dar liberdade aos seus autores no selo que lançou obras clássicas como Sandman e Preacher no passado.

Em meio aos diversos novos gibis lançados pelo selo Vertigo agora no fim de ano, foi dada à criadora da franquia “As crônicas de Spiderwick”, Holly Black a tarefa de re-inserir no contexto do selo um dos personagens mais queridos da mitologia mística dos quadrinhos adultos da DC Comics – Lucifer.Lucifer-1

Lucifer” #1 tem início com uma daquelas páginas totalmente empolgantes evocando o verdadeiro espírito do retorno de um ícone. O anjo caído não poderia escolher um lugar mais apropriado do que Los Angeles para seu retorno e Black faz questão de apresentar o personagem da maneira mais “like a boss” possível em uma estreia.

O retorno do protagonista é seguido de uma série de eventos que mostram a magnitude de sua influência nos ambientes no qual ele se manifesta. Ao mesmo tempo, Holly Black introduz a trama motor de “Lucifer” através da figura do anjo Gabriel – uma figura decadente e derrotada que é o oposto perfeito para o protagonista da série.

O principal “porém” no gibi, é justamente a premissa da trama proposta pela autora: Apesar de todo o estilo da escrita, o ótimo ritmo alternado entre as cenas, as referências ao trabalho de Gaiman e Mike Carey com o personagem e os diálogos que de fato representam a personalidade ácida de seu ator principal, “Lucifer” não tem uma premissa forte ou mesmo original nesta sua estreia. Portanto, uma apresentação narrativa impecável não tem um alicerce muito firma que sustente toda esta pompa. E isso o leitor atento percebe logo de cara. Resta saber se isso vai incomodá-lo ou não.

A arte em “Lucifer” é de responsabilidade de Lee Garbett e vemos uma apresentação muito mais caprichada do que seus últimos trabalhos na Valiant Entertaiment. “Lucifer” tem a fotografia consistente, a apresentação classuda e o impacto visual de uma estreia deste porte. Apesar de algumas expressões faciais por vezes parecerem um pouco “travadas” e os cenários mitológicos serem bem genéricos, vemos bastante influência da passagem do artista por “Loki, Agente de Asgard” nesta “Lucifer“.

E, em se tratando de divindades místicas que escarnecem até da própria criação, o sujeito sabe o que está desenhando. Muito do impacto das primeiras páginas desta revista se deve ao trabalho de Garbett no quadros grandes e retos e na fotografia do caos gerado pela volta de Lucifer ao nosso plano. Associado ao texto de Black, as primeiras páginas podem ganhar um leitor que ocasionalmente folhear a revista em uma banca ou pegar uma prévia para ler na internet.

Lucifer” é estilo puro. As primeiras cinco páginas da revista de fato podem empolgar novos e antigos fãs por conta do ritmo, visual e tom “badass” do retorno de um ícone. No entanto, apesar de todo este capricho e cuidado com a caracterização, rapidamente notamos a proposta meio rasa da trama de Holly Black para este arco inicial. Isso mesmo com um gancho final até bem forte é o ponto fraco da estreia que pode agradar o leitor dependendo de sua tolerância à premissas manjadas.

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