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HQ do Dia | The Twilight Children #1

Mesmo sendo uma mini série limitada em (teoricamente) quatro edições que poderia facilmente ser resenhada quando todo o material for lançado, fica muito difícil ler o número 1 de “The Twilight Children” da Vertigo e não escrever algumas linhas sobre o gibi. Portanto espere uma nova resenha completa quando a história fora concluída.

Voltando ao que interessa, “The Twilight Children” faz parte da nova leva de lançamentos Vertigo em 2015 que começou este mês (veja a lista completa aqui). A mini série é a primeira colaboração entre o aclamado roteirista Gilbert Hernandez (Love and Rockets) e o queridão dos DCnautas, Darwyn Cooke (DC: A nova fronteira) e conta uma misteriosa história em uma cidadezinha praiana aqui na América Latina que tem sua rotina totalmente alterada com o aparecimento de estranhas esferas brancas em sua pacífica costa.

hq-do-dia-the-twilight-children-1-2Hernandez dá a “The Twilight Children” aquele clima gostoso de ficção esquisitinha em cidades pequenas que tanto amamos em obras como “Twin Peaks” por exemplo. A principal diferença é que 99% do elenco da revista é composto de personagens Latinos, mudando um pouco os moldes e o cenário deste tipo de formato de história. Nas primeiras páginas desta primeira edição somos introduzidos ao elenco e seus dramas domésticos, que são mundanos sim, mas escritos de uma maneira tão sensível e natural que conquistam o leitor. As crianças por exemplo são meio estúpidas e até cruéis, mas o mais importante é que são crianças reais e relacionáveis, longe de algum tipo de caricatura infantil idealizada. Outro ótimo exemplo de dinâmica entre personagens estabelecida logo na primeira edição é o triângulo adúltero formado por Tito, Anton e Nikolas – apesar de aparentemente isso não ter nada a ver com o tema central da HQ, o cuidado do roteirista em mostrar uma situação real e personagens com várias camadas é louvável.

Mas “The Twilight Children” #1 está longe de ser somente apresentações. O ritmo da história que começa lento e o clima mundano se alteram bruscamente com a aparição da tal esfera esquisita e o próprio tom da narrativa sofre uma metamorfose no meio da leitura, deixando toda a experiência da primeira edição com aquele gostinho de “desconforto viciante” que os fãs de mistérios de ficção adoram.

A arte de Darwyn Cooke está melhor do que você pode esperar dentro do estilo cartoon característico do ilustrador. Livre das “amarras” visuais de títulos de super heróis, o artista dá um show de caracterização tanto na concepção e design deste elenco (que é marcante logo de cara), quanto na ambientação da pequena cidade praiana. Se você já conhece o desenhista, não há muito o que acrescentar sobre a arte de Cooke. O sujeito continua um mestre no estilo em que se propõe. Usando quadros simples e soluções de fotografia muito inteligentes, o ilustrador consegue transmitir algumas situações um pouco complicadas do roteiro de Hernadez com extrema facilidade isso tudo em um visual geral lindo de chorar.

“Twilight Children” #1 já é o cartão de visitas da Vertigo em 2015. Uma colaboração única entre uma equipe de artistas consagrados com liberdade suficiente para criar um roteiro envolvente e misterioso com uma arte singular e deslumbrante. Tão legal de ler que dá até pena imaginar que isso só deve durar quatro edições. Para quem anda reclamando que a Vertigo não é mais como antigamente, isso aqui prova que sempre há espaço para material autoral de qualidade neste querido selo da DC Comics.

Veja também: HQ do Dia | Survivors’ Club #1

E aí, curtiu?

Escrito por Igor Tavares

Carioca do Penhão. HQ e Videogames desde 1988. Bateria desde 1996. Figuras de ação desde 1997. Impropérios aleatórios desde 1983.

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