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HQ do Dia | Invincible Iron Man 1-5

Desde a já clássica (e premiada) passagem de Matt Fraction e Salvador Larroca em 2007, que fortuitamente coincidiu com a explosão do universo cinematográfico da Marvel no cinema, o Homem de Ferro se estabeleceu como um dos baluartes da editora na cultura pop.
De lá pra cá a popularidade do gênio, bilionário, filantropo vingador só aumentou. Isso se refletiu principalmente na atual proeminência de Tony Stark no universo de quadrinhos da empresa, ams também nas vendas e escalação de equipes criativas de seu gibi solo.
Pulamos para a tal “Nova e Diferente Marvel” e logicamente a revista do Homem de Ferro é um dos garotos propagandas dessa nova fase da editora após a saga “Guerras Secretas” (Entenda o que está acontecendo atualmente na Marvel aqui). “Invincible Iron Man” #1 foi publicada na primeira semana de lançamentos da nova linha da editora em Outubro. Agora em Janeiro, o aclamado roteirista Brian Michael Bendis e o ilustrador David Marquez concluem o seu primeiro arco de cinco edições que apresentam o Homem de Ferro novamente para os fãs e novos leitores.
As cinco primeiras edições de “Invincible Iron Man” mostram Tony Stark no período pós-Guerras Secretas da maneira em que nos acostumamos a ver o personagem em inícios de arcos: Se reinventando. Portanto na primeira edição Bendis desenvolve rapidamente a premissa da nova armadura que teoricamente pode se adaptar a praticamente qualquer situação que o personagem se encontre, mas mantendo um design limpo e funcional. Bendis também reintroduz a inteligência artificial feminina, Friday e dá a Tony um novo interesse romântico na forma da Biofísica, Dra. Amara Perera.
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O primeiro arco tem uma pegada quase que investigativa pois mostra o Homem de Ferro unindo forças a um antigo e perigoso inimigo que parece estar regenerado. Os dois se juntam em uma caçada para impedir a Madame Máscara de pôr as mãos em itens sobrenaturais remanescentes do período Pré-Guerras Secretas que podem desbalancear o fluxo sobrenatural da Marvel em mãos erradas. Aqui Bendis explora de maneira satisfatória o conturbado relacionamento entre Stark e Giuletta Nefaria, sem cair muito naquele esquema de ex-namorada vilanesca. O roteiro destas cinco partes em si não tem nada de revolucionário. Já vimos o Homem de Ferro em situações semelhantes e até mais contundentes. O final também não surpreende nem um pouco e todo o estardalhaço da mídia especializada em relação à participação de Mary Jane Watson na publicação vai por água abaixo devido à minúscula (mas providencial) participação da moça nas duas últimas edições da história. O destaque do roteiro de Bendis (como é recorrente) são seus diálogos afiadíssimos. O escritor, apesar de se mostrar extremamente limitado em premissa e desenvolvimento do arco escreve peças de diálogos como poucos na indústria de quadrinhos atualmente. Isso fica evidente desde a primeira conversa entre Tony e a Dra. Perera e se estende por todas as edições. As peças de conversação em “Invincible Iron Man” carregam o gibi nas costas e o leitor acaba sendo seduzido a ler um história que francamente não tem nada demais por conta do talento de Bendis em construir boas cenas de bate papo em praticamente todas as situações mostradas.

David Marquez é um talentosíssimo ilustrador. Isso fica evidente analisando o portfólio do sujeito desde seus tempos de Miles Morales em “Ultimate Spider-Man”. Em “Invincible Iron Man” Marquez dentro de seu estilo super limpo e sem hachuras estreia de maneira muito convincente. No entanto, provavelmente devido a prazos (as edições 1 e 2 foram publicadas com pouco mais de 2 semanas de intervalo) o trabalho de Marquez apresenta alguns tropeços em quadros pontuais neste arco inicial. O leitor pode notar em algumas passagens em praticamente todas as edições a partir da número 2 uma falta de detalhes eventual em quadros e cenários. Isso em momento algum vai atrapalhar o fluxo de leitura ou qualquer peça do roteiro de Bendis. Entretanto o contraste entre algumas páginas lindíssimas e outras que parecem meio “corridas” na mesma edição deve ser ressaltado. No geral, Marquez nos apresenta um trabalho gráfico com ótimo nível que certamente foi impactado por demandas editorias da Marvel em fechar este arco com rapidez.

O arco inicial de “Invincible Iron Man” se vende por conta da impressionante habilidade de Brian Michael Bendis em escrever peças de diálogos contundentes e divertidas e também devido ao entendimento do autor de Tony Stark. O personagem está inserido em uma trama extremamente manjada nesta primeira história, no entanto o roteirista entende tão bem como funciona a mente deste personagem e consegue transpor isso tudo de maneira tão convincente que acaba nos chamando para entrar neste universo. Com uma apresentação que varia entre o excelente e o satisfatório na mesma edição, este início de “Invincible Iron Man” na Marvel deve atender os fãs do Latinha, mesmo que não nos mostre nenhuma novidade em termos de quadrinhos de super herói.

E aí, curtiu?

Escrito por Igor Tavares

Carioca do Penhão. HQ e Videogames desde 1988. Bateria desde 1996. Figuras de ação desde 1997. Impropérios aleatórios desde 1983.

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