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HQ do Dia | Oleg – Frederick Peeters

O refúgio familiar é o caminho para se encontrar e seguir em frente

É difícil não começar falando de “Oleg”, do quadrinista suíço Frederick Peeters, sem citar “Pílulas Azuis”, talvez o seu quadrinho mais famoso no mundo. Aqui, ele volta após 20 anos para contar um pouco mais de sua vida.

Se o leitor se comoveu com a demonstração de força, serenidade, perseverança e outros fortes atributos quando teve que lidar com um caso de HIV na família, em “Oleg” aumenta o volume e o tom.

Nesta história, a doença não é mais o foco narrativo, mas sim as perspectiva sobre o futuro e como tudo muda em questão de segundos. O quadrinista está sem ideias, não sabe mais o que escrever, quer fugir dos clichês ao mesmo tempo que tenta entender a transformação do mundo com seu olhar de meia idade.

A ultramodernidade está incomodando, a falta de sentido no que faz, também, e pior ainda, ele está colocando em cheque toda hora o que é ser um quadrinistas neste momento da vida. Enquanto a cabeça do protagonista divaga sobre ser e o estar, Oleg vai encontrar na filha (que agora é uma adolescente) e na esposa aquilo que ele sempre teve a vinda inteira, refúgio.

A rotina da esposa como professora é sufocante, ela também tem crises existenciais e de falta de perspectiva de futuro. Mas diferentemente dele, Cati continua a vida, a rotina, os exercícios de ioga etc. Enfim, ela não para no tempo e, talvez para continuar dando sentido à vida, ela se lota de trabalho. O resultado acaba num AVC. A partir daí, o ponto de virada da HQ começa e o leitor vai embarcar numa viagem única e interessante.

A arte de “Oleg” é semelhante à de “Pílulas Azuis”, mas dessa vez totalmente em preto e branco. Há quadros com os traços carregados quando ele está em alguns festival de quadrinhos ou quando ilustra seus devaneios e incertezas. Já a leveza, ocorre quando está com a filha ou trocando ideia com a esposa.

Cati tem um papel totalmente diferente nesta história e chega a ser mais importante que Oleg em alguns pontos. É ela quem dá à luz que ele precisa pra produzir e se fazer entender. Ao mesmo tempo que também o crítica, aponta as manias produtivas e como ele tenta fugir da realidade em seus quadrinhos sempre que está cansado do mundo real.

“Oleg” também serve como uma autocrítica ao pensamento ideológico de Peeters. Isso fica claro em um determinado momento da história quando a esposa o questiona sobre produzir autobiografias. Vou deixar essa parte subtendida para não dar spoilers, mas vai por mim. Vai valer a pena!

A edição da Nemo está caprichada e demonstra um pouco do tom que vamos encontrar no quadrinho. Uma parada muito mais pessoal e minimalista, mas nada relacionado ao material. É algo muito mais intrínseco e existencial, que vale a pena ler e reler quantas vezes você quiser.

Se você ficou interessado em conhecer este belo quadrinho, compre aqui seu exemplar de “Oleg” e conte nos comentários o que você achou. Ok?

E aí, curtiu?

Escrito por Bruno Fonseca

Fundador e editor-chefe do PL. Jornalista apaixonado por quadrinhos, filmes, games e séries.

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