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Batman Planetary: Noite sobre a Terra

“Planetary” foi um dos primeiros títulos impactantes lançados pelo sub-selo Wildstorm da Image após sua aquisição pela DC Comics em 1998. As histórias dos arqueólogos do impossível criadas pela dupla Warren Ellis e John Cassaday, cativaram os leitores da conturbada década de 2000 e o título sobreviveu a um hiato de praticamente três anos (entre 2001 e 2004) quando seu roteirista enfrentou uma doença e o ilustrador trabalhava em outros projetos.

Para marcar o retorno da publicação e de certa forma promover a franquia, em 2003 a DC Comics orquestrou um evento crossover com o time de exploradores em um de seus universos mais frutíferos – Gotham. Daí surgiu esta história em edição individual intitulada “Batman Planetary: Noite sobre a Terra” pelas mãos dos criadores da série. Aqui no Brasil, tendo em vista o sucesso dos encadernados de Planetary entre os leitores de quadrinhos adultos, a editora Panini recentemente toma a decisão de publicar o material em encadernado nacional com o roteiro completo de Ellis como extra.

Este encontro entre Batman e a organização Planetary se passa em um período da cronologia da DC Comics que precede a saga Flashpoint. Portanto, explicando muito resumidamente, todos os personagens adquiridos na aquisição do selo de Jim Lee ainda não estavam integrados de forma homogênea ao Multiverso da editora. Isso torna o roteiro de “Batman Planetary” muito simples – Elijah Snow, Jakita Wagner e o Baterista são chamados a uma Gotham de sua realidade, na qual não existe um Cavaleiro das Trevas, para capturar um assassino com estranhos dotes de manipulação de realidades. O jovem chamado John Black, que é um sobrevivente de experimentos nefastos na chamada Cidade Científica Zero, está fora de controle e seus poderes desencadeiam rupturas na realidade trazendo diversas versões de Gotham (E consequentemente do Batman) para o universo de Planetary durante este confronto.

A simplicidade da premissa de Ellis se reflete no roteiro que mostra basicamente nos membros do PlanetaryBatman-Planetary “trombando” com diversas encarnações do Batman durante o curso do gibi enquanto tentam impedir que Black destrua a cidade com seus poderes descontrolados. Não há muita profundidade nestes encontros casuais e a HQ consiste em confrontos entre os membros da equipe da Wildstorm lutando ou tentando argumentar com estas versões do Homem Morcego em uma das locações mais conhecidas do universo do Cavaleiro das Trevas. Portanto se você espera uma história nos moldes do que o roteirista de fato fez no título regular de “Planetary” este crossover definitivamente não chega aos pés daquele trabalho. Contudo este não chega a ser um roteiro ruim, só fica nítido no decorrer da leitura o caráter promocional da publicação. Ou seja: Vamos re-apresentar este grupo de personagens de forma bem simplória ao público usando o Batman como anfitrião e “promoter”. Se você nunca leu nada de “Planetary” saiba que o título felizmente é muito (muito) mais do que é mostrado aqui. Em relação ao Batman, Ellis faz um trabalho até interessante nos diálogos, dando uma personalidade distinta para cada uma das aparições do personagem, mesmo que com falas reduzidas. Não é que o Cavaleiro das Trevas roube a cena, mas a falta de profundidade no roteiro beneficia este tipo de homenagem ao detetive da DC Comics.

A arte de John Cassaday é eventualmente um tema polêmico em fóruns de discussão de quadrinhos. O artista está longe de ser uma unanimidade entre os leitores, mesmo porque seu trabalho é marcado por irregularidades. Aqui Cassaday não tem muita dificuldade no trabalho gráfico. O artista está desenhando personagens que basicamente ele mesmo criou, tem um elenco reduzido em suas mãos e um cenário praticamente estático durante todo o curso do gibi. Esse conjunto de fatores contribuem para uma apresentação bem consistente para a revista. O artista é beneficiado demais pela simplicidade do roteiro de Ellis e ganha de presente a oportunidade única de desenhar várias das versões mais legais do Batman. E nisso ele capricha. É um verdadeiro festival de Homens Morcego em poses heroicas, tudo mostrado em quadros largos e abertos sem muitos balões de fala. Ou seja, o sonho de consumo de todo ilustrador de super heróis. O artista ainda tem a preocupação em ambientar de maneira sutil os cenários de acordo com a versão Gotham mostrada naquelas cenas específicas. Portanto fique de olho para ambientes de fundo e repare como eles mudam de acordo com o Batman que está sendo mostrado.

“Batman Planetary” não faz jus à série original de Ellis e Cassaday. Se você acompanha o material de origem é importante ressaltar este aspecto. No entanto, o encontro entre as duas franquias está longe de ser caracterizado como uma revista “caça níquel”. Ao analisar este gibi devemos levar em consideração a situação da publicação naquele período de hiato. A série andava meio parada e as vendas precisavam de um certo “boost” para sair da inércia. E quem mais indicado para alavancar vendas do que Batman? O roteiro de Ellis é enxuto e sem firulas. Os diálogos são curtos e precisos e as interações entre os Batmans e a equipe são o destaque. Com uma arte muito consistente e divertida este gibi é um passatempo interessante e uma leitura casual que pode ser desfrutada se não levada muito a sério.

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