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HQ do Dia | Gotham DPGC: No cumprimento do dever

O ano é 2002. Um momento complicado para o mercado de quadrinhos Americano. Uma época de vendas irregulares e ideias meio esdrúxulas. Felizmente em momentos difíceis como este é que a criatividade mostra seu valor. No final daquele ano o núcleo editorial da DC Comics resolve unir dois de seus roteiristas criminais mais promissores (Ed Brubaker e Greg Rucka) em uma iniciativa um pouco diferente: Contar os bastidores do departamento de polícia da cidade mais violenta de seu universo sob o olhar realista de seus profissionais. Assim nasce a já antológica série chamada “Gotham Central”. Auxiliados pelo artista em ascensão Michael Lark, os três criam um novo clássico em histórias em quadrinhos urbanas na DC Comics.

“Gotham Central” foi publicada aqui no Brasil no ano de 2005 na extinta revista “DC Especial” da Panini que reunia diversos arcos completos da editora compilados em histórias fechadas. Agora, em um formato novo temos as 10 primeiras edições de “Gotham Central” neste primeiro volume encadernado em capa dura pela mesma editora. Lançado agora como “Gotham DPGC” utilizando o subtítulo homônimo ao trade paperback, “No cumprimento do dever”, este encadernado nos trás as duas primeiras histórias publicadas no título mensal gringo.

No primeiro arco acompanhamos o drama do Detetive Marcus Driver que, ao investigar o sequestro de uma jovemGotham-DPGC-1 estudante, perde seu parceiro Charlie Fields pelas mãos de um dos vilões mais impiedosos de Gotham. A morte mobiliza toda a unidade de crimes especiais do departamento que se empenha em capturar o bandido antes que um certo Homem-Morcego o faça. O arco inicial se estende pelas primeiras cinco edições do título e aqui a trama gira não só em torno da captura do assassino de Fields, mas sim toda a subsequente investigação do sequestro e a relação entre este crime e um outro obscuro vilão da galeria da cidade. A segunda história conta a tragédia pessoal da Detetive Rene Montoya. A moça é vítima de um obsessivo e psicótico criminoso da cidade e tem sua vida destruída quando seus segredos mais íntimos são expostos e sua carreira como policial é jogada na lama.

O principal mérito dos roteiristas em “Gotham” é terem utilizado um elenco principal praticamente novo na publicação naquela época. Convenientemente, os chamados “baluartes” da polícia da cidade (O onipresente Comissário James Gordon e o caricato detetive Harvey Bullock) se encontravam afastados de suas atividades na época por meio de arcos prévios em títulos do Batman. Com isso Brubaker e Rucka tiveram uma liberdade muito maior para estabelecer as bases de sustentação de personalidade de praticamente todos os membros deste elenco. Como o título é focado nos profissionais do departamento de polícia, as aparições tanto do Batman quanto de qualquer vilão mais conhecido na publicação são rápidas, pontuais e muito impactantes. Essa estratégia narrativa permeia toda a publicação e mantem o leitor ligado o tempo todo. Batman é algumas vezes usado como uma válvula de escape narrativa para amarrar algumas situações difíceis demais para serem resolvidas por “meros mortais”, no entanto este é o trabalho do Homem-Morcego e aqui ele é feito de maneira rápida, limpa e não ocupa muito espaço. O tom da publicação é até bastante adulto com certa dose de violência e temas como homossexualidade, bullying e corrupção policial. Um outro ponto a favor do roteiro que mostra o lado feio de seus personagens neste universo fantástico.

A arte de Michael Lark neste título é ideal para o tom noir / criminal proposto pelos roteiristas. Com uma caracterização sóbria e minimalista dos personagens principais, um visual urbano sombrio e sujo da cidade e suas locações e caprichando muito nas poucas páginas mais “fantásticas” protagonizadas pelo Batman e alguns de seus antagonistas, o ilustrador dá uma cara bastante peculiar a esta revista. Na época este tipo de arte com um estilo mais rústico, sombrio e por vezes despojado tomou de assalto as publicações urbanas tanto na DC Comics quanto na Marvel e reflexos deste trabalho de Lark são sentidos posteriormente nos títulos do Demolidor e até em “Alias”.

É extremamente gratificante ver um material que marcou época e causou grande impacto na indústria ser relançado em um formato nacional de qualidade. “Gotham” é uma visão muito íntima de uma mitologia bastante popular na cultura pop, arquitetada por dois dos roteiristas criminais mais competentes do mercado de quadrinhos e ilustrada por um de seus maiores talentos dentro deste estilo. Uma leitura elétrica, inteligente e rica que expande este universo e atende as necessidades de leitores interessados em contos urbanos na cidade mais violenta da DC Comics.

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E aí, curtiu?

Escrito por Igor Tavares

Carioca do Penhão. HQ e Videogames desde 1988. Bateria desde 1996. Figuras de ação desde 1997. Impropérios aleatórios desde 1983.

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