Conhecemos uma das salas publicas de cinema do circuito SPcine

Desde quando o prefeito da cidade de São Paulo, Fernando Haddad, disse que a SPcine brigaria de perto com a Cinemark, nós no Proibido Ler, ficamos interessados em conhecer o circuito público de salas de cinema de São Paulo, a SPcine. O circuito foi lançado inicialmente com 20 salas de cinemas que estão abertas em 15 Centros de Educação Unificada (CEU), além de cinco centros culturais. É uma rede popular de cinemas com ingressos subsidiados, mas a população terá acesso gratuito ás sessões. Nos centros culturais, o preço do bilhete varia de R$ 4,00 a R$ 8,00; nos CEUs, é gratuito.

Buscamos uma sessão por meio do site do circuito e fomos até um CEU para assistir ao filme e conhecer as instalações do lugar, o sistema de som e de projeção. E o resultado não poderia ter sido melhor.

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O CEU escolhido foi o “CEU Meninos” que fica na zona sul da cidade, mais precisamente no bairro São João Clímaco, colado com a comunidade de Heliópolis. No “Cine Meninos” a sessão escolhida foi a do filme nacional “O Escaravelho do Diabo (2016)” que já estava em exibição desde a inauguração da sala de cinema no CEU Meninos, que aconteceu no dia 30 de março de 2016. Esta unidade foi escolhida por ser a mais próximo da nossa redação e também por estar exibindo um filme que nós tínhamos o interesse de assistir para publicar uma resenha – que você pode conferir aqui.

conhecemos-uma-das-salas-publicas-de-cinema-do-circuito-spcineAo chegar no local, avistei uma guichê com um logo da SPcine com os dizeres “bilheteria”, me desloquei até lá e fiz a retirada do ingresso de formas simples e prática, pois não havia filas ou muita gente presente para assistir ao filme. O ingresso traz o nome do filme, a data, o horário da sessão e a palavra “cortesia”. Em dias de mais movimento ou de estreias de blockbusters (sim, eles também exibem filmes de Hollywood), a orientação é retirar o ingresso com uma hora de antecedência. Questionei onde ficava a sala para um dos atendes do Cine Meninos, e o mesmo me mostrou o local que pelo que constatei é um teatro que foi adaptado para receber o circuito.

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Enquanto a sessão não começava eu fui conhecer um pouco mais das instalações do local e dei uma passada pelos banheiros. Apesar de limpos, eles carecem um pouco mais de cuidado, sanitários com acentos quebrados e o lavabo não possuía sabonete liquido ou qualquer outro produto que pudesse ser usado para lavar as mãos.

Quando voltei para a porta de entrada da sala, ela já estava liberada e fui convidado a entrar por dois jovens. Percebi que o lugar era muito grande, o teatro do CEU acomoda 450 lugares, sentei em um deles, me acomodei e aguardei a sessão começar. Enquanto o filme era preparado para ser rodado por uma adolescente, que pelo que apurei pertencia a comunidade do entorno do CEU Meninos, assim como o outro jovem que me convidou para entrar na sala, chegavam outras pessoas para assistir ao filme. Em sua maioria, eram mães com filhos ainda pequenos, algumas crianças e adolescentes. Muitos deles estudavam no próprio CEU e estavam aproveitando mais uma opção de lazer que o complexo oferecia. Para muitas delas, era o primeiro contato que as mesmas tinham com o cinema e deu para notar o brilho no olhar em cada uma quando fui conversar com elas.

Sala do Cine Meninos que com 450 lugares

Sala do Cine Meninos , são 450 lugares ao todo.

A sala estava impecavelmente limpa, as cadeiras são de teatro e não como uma de sala de cinema, mas ainda assim, não oferecia desconforto algum. A projeção e o som são de ultima qualidade, porém o que não ajuda é a acústica da sala que não foi projetada para receber uma sonorização adequada de uma sala de cinema. Mas ainda sim, não deixa a desejar. O som reverbera um pouco, os ruídos externos em dias de maior fluxo dos frequentadores do CEU podem atrapalhar um pouco a exibição, mas no dia em que eu conheci a sala, estava tudo muito calmo e eu não tive problema algum com ecos ou conversa de pessoas que partiam da área externa do local. Quem nunca foi a um cinema, por exemplo, dificilmente vai se incomodar ou sentir qualquer problema com a acústica da sala e com a qualidade do som da sala.

E o que mais me chamou a atenção foi exatamente isso, independente de ser uma sala “adaptada” para exibir filmes enquanto não existe espetáculo rodando no teatro, ainda sim, é um cinema e dos bons. É o melhor que aquela comunidade, que se quisesse ver um filme, teria que se dirigir ao Park Shopping São Caetano e pagar quase R$30,00 reais por uma entrada inteira de um filme qualquer. Na SPcine ela pode assistir ao mesmo filme de graça e próximo da sua casa.

Mapa que fica na parte externa da sala com o endereço de outras salas da circuito

Mapa que fica na parte externa da sala com o endereço de outras salas da circuito

Pelo apurei no local, 30% da comunidade do entorno do Heliópolis, nunca assistiram um filme em uma sala de cinema. E além do CEU oferecer essa opção hoje, a maioria da população local acaba achando que é algo itinerante e que não vai permanecer ali por muito tempo. Outra coisa importante, é que isso gera emprego para as pessoas da comunidade, como no caso dos dois jovens que eu relatei acima, e também um melhor trabalho pedagógico para os professores do CEU. Muitos deles passaram a trabalhar os filmes em sala aula juntamente com outras mídias, como foi o caso de “O Escaravelho do Diabo”. Muitos professores trabalharam o livro em sala de aula, depois levaram os alunos para assistir ao o filme que fica no mesmo complexo.

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Ou seja, o projeto que o prefeito implementou trouxe uma gama de benefícios tanto para a comunidade, quanto para os professores, e, claro, para o fomento do cinema nacional. Muitos filmes que aguardavam salas de exibição agora podem ser exibidos nas salas publicas da SPcine. Com isso, muitos filmes vão sair da gaveta e finalmente poderão ser exibidos ao público. Eu voltarei lá para assistir outros filmes, pode ter certeza!


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