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Euphoria | Uma juventude que só deseja ser aceita

Séries sobre comportamento na adolescência são essenciais. Drogas, sexualidade e aceitação são os pontos mais importantes em Euphoria

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Atualmente está difícil se empolgar com alguma série. Os heróis estão desgastados e a comédia sempre indo pela mesma vertente, mas se tem algo que pode ser muito bem feito e que vale vários temas é o drama, e com toda certeza a HBO está sendo campeã esse ano.

A emissora sempre nos impressionou com seus conteúdos de drama, isso não é algo novo, mas esse ano chegou com o pé na porta novamente. Temos grandes séries como “Veep”, “Sharp Objects”, “Big Little Lies” – que voltou com tudo em 2019 com sua segunda temporada -, “Chernobyl” – que veio em modelo de mini série com apenas cinco episódios, mas que conta bem a história dos acontecimentos na cidade de Pripyat –, e agora temos mais um grande sucesso que é “Euphoria”, na qual a adolescência é contada de forma nua, crua e sem esteriótipos. 

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A trama é narrada pela jovem, Rue (Zendaya) que após sair da reabilitação por seu vício em drogas – e sofrer uma overdose –, volta a sua rotina em casa e escola, mas obviamente usando suas drogas para conseguir aguentar as pessoas e a vida. Uma nova menina se muda para a cidade, Jules (Hunter Schafer) que com seu jeito único muda a vida de Rue e de algumas pessoas que estão a sua volta.

A forma que a história é contada é muito boa, sem defeitos para ser destacados. No formato de narrativa feito por Zendaya – já que Rue é quem nos apresenta cada um dos personagens durante a temporada –, contamos com cenas que parecem quase um clipe musical, graças a produção executiva incrível comandada por Drake e momentos de quebra da quarta parede.

A direção de Sam Levinson (Assassination Natin), faz toda a diferença, com sua visão de jogo de câmera e montagem de cenas, temos uma obra de arte perfeita e que só especialistas podem tocar. O elenco também não fica de fora, com interpretações surpreendentes como o de Jacob Elordi (A Barraca do Beijo) como Nate, Sydney Sweeney (‘Objetos Cortantes’ e ‘O Conto da Aia) como Cassie, Barbie Ferreira (‘Divorce‘) como Kat e Alexa Demie (‘Anos 90’) como Maddy. Dá vontade de entregar um Emmy para cada ator do elenco, já que não existem defeitos e cada um cabe muito bem em seu personagem e explorando de uma forma que chega a arrepiar o corpo todo. Dando um destaque especial para Eric Dane (Greys Anatomy) como o pai de Nate, protagonizando uma das melhores cenas junto de Elordi que já assisti na minha vida.

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A direção de arte e fotografia chegam a arrepiar, com ângulos, movimentos e momentos de planos sequência de tirar o fôlego durante o episódio, trazendo uma dinâmica diferente na narrativa e sendo algo muito divertido para aqueles que reclamam do tema e de ser ou não o “público alvo” da série – afinal isso é uma frescura e é muito bem possível dar uma chance sem criar um pré-conceito. A trilha sonora, muitas delas vindas de Labrinth,  são as primeiras que procuro no Spotify logo que o episódio acaba, já que elas casam maravilhosamente com os momentos certos e fazem total diferença para a narrativa, já que se as vezes apenas a letra de uma música já diz tudo para aquele momento, seja ele alegre ou de tragédia.

A química de Rue e Jules (Zendaya e Hunter) é também uma das melhores que tenho visto no mundo das séries atualmente, sendo impossível não criar uma expectativa em cima da relação entre as duas, mesmo que o buraco da história seja mais embaixo sua relação acaba nos trazendo momentos de relaxamento da série, já que juntas trazem cenas muito divertidas, principalmente quando Lexi (Maude Apatow) se junta à elas em alguns momentos.

Os temas abordados na série como sexualidade, drogas, álcool, depressão, sexo, vícios, traumas, abusos e a pressão sofrida na adolescência, são contadas de forma nunca vista por aí. São assuntos delicados e difíceis de ser contados, mas “Euphoria” faz isso com maestria e de maneira que todos conseguem entender o assunto, sem em nenhum momento romantizar as situações e mostrando a gravidade de muitos desses problemas, que muitos atos não afetam apenas sua vida mas de quem está próximo a você muitas vezes.

Eu até gostaria de ter algo para reclamar sobre “Euphoria” – seja o erro mais simples, já que nem tudo nessa vida é perfeito – mas é impossível. Tudo em volta dessa série funciona como em uma ópera bem orquestrado, em que nenhum erro acontece e o show é um grande sucesso. Fotografia, direção, elenco, edição e todo o resto não tem o que colocar defeito, apenas encher de elogios e #Emmys que podem estar por vir.

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Euphoria | Uma juventude que só deseja ser aceita

No final das contas podemos concluir que “Euphoria” chegou mesmo para ficar – principalmente com a renovação para uma segunda temporada confirmada. Com a equipe dos sonhos, a HBO mais um vez nos apresentou uma série que mesmo com o passar dos anos, será falada e usada de exemplo para jovens diretores e atores – já que é a perfeição em formato de projeto de Tv. E com um final de temporada em aberto e já sofrendo com ele, só podemos aguardar a próxima temporada e sentir saudade de Rue e seu humor ácido, sendo a amiga que todos gostariam de ter no colegial para andar no intervalo ou ir em uma festa.

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Escrito por

Cineasta que entrou para o mundo do jornalismo. Amante de filmes e games, fã filmes de terror trash e joguitos que duram meses. As Premiações pelo mundo todo que me aguardem e os noobs que sofram.

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