Relatos do meublog.com

Cresceu sendo um daqueles alunos que sentavam no fundo da sala de aula, mascava chiclete no volume máximo, respondia mal educadamente para a professora toda vez que ela lhe mandava calar a boca e nunca abria o caderno nem para saber quantas linhas havia em cada folha. Não satisfeito, ainda zuava todos nerdzinhos que jogavam algum RPG de vampiro no pátio e azarava qualquer garotinha que já fizesse tibum na piscina. Inspirado em Rita Lee, um belo dia ele resolveu mudar e… criou um blog.

A criação de um blog é ditada como a saída de uma vida ranzinza para a entrada em uma vida moderna. Tão moderna que hoje tu é capaz de criar uma página em cinco cliques, sair contando para seus familiares e tornar-se um exemplo para todos: “Ah… porque Fulano tem um blog e você mal sabe amarrar os cadarços.” – uma mãe se referindo ao sobrinho perante ao seu filho mais velho.

O dito Fulano nunca sequer leu um livro inteiro, escreve só asneiras em seus relatos e sai divulgando para Deus e o mundo suas pseudo-criações. Claro que essa assiduidade textual não durará muito tempo até porque a produção flui conforme a quantidade de temas que a mente de um indivíduo consegue reproduzir, então logo logo qualquer imagem engraçada ou vídeo no Youtube virará a sensação dos seus posts. E quando não encontrar novidade apelará para as sensações ultrapassadérrimas como a gagueira ao vivo da Ruth Lemos ou a “i’m burning, i’m burning, i’m burning“.

Depois de alguns dias, implorará para seus amigos acessarem sua página alegando da seguinte forma: “Pô. Tenho um blog sãper manero. Comenta lá!” Claro que de primeira instância eles acessarão e até mesmo comentarão algo bem simples, mas não se surpreenda caso isso não volte a acontecer. Acredite que ninguém deixará seu blog como página inicial do navegador para nunca se esquecerem de acessar a página, ainda mais se anúncios, pop-ups e mensagenzinhas “clique aqui” começarem a saltar na tela.

Blogueiro safado aprende duas tags de HTML nas aulas de informática da escola, insere uns gifs animados e sai linkando sites que até então você duvidaria a existência. Depois passará por trocentos blogs comentando qualquer palavrinha, deixando o link do site e lotando a caixa de e-mail do Stanislaw para pedir parceria.

Concordo que para conseguir um lugarzinho ao sol nessa vida virtual precisa-se de um bucado de puxa-saquismo e sorte, mas acima de tudo originalidade. Digamos que puxar o saco é mesmo a parte mais fácil.

Quaisquer semelhanças com o proibidoler.com são puras coincidências.


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