Jaspion: 34 anos do maior herói japonês do Brasil
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Jaspion: 34 anos do maior herói japonês do Brasil

Ele só chegou à televisão brasileira com muita luta, rendeu bons pontos de audiência e ganhou um mangá feito por brasileiros

Antes mesmo do Jaspion chegar ao Brasil em 22 de fevereiro de 1988 – dia em que foi ao ar o primeiro episódio da série “O Fantástico Jaspion”, no programa Clube da Criança, comandado pela Angélica e exibido pela saudosa Rede Manchete -, outros heróis japoneses como National Kid, Spectroman, Ultraman, Ultrasevem e Ultraman Jack (O regresso de Ultraman) já eram exibidos por aqui.

Jaspion junto de “Changeman”, trouxeram a segunda leva de séries japonesas do gênero tokusatsu (um termo em japonês para filmes ou séries/live-action que fazem uso forte de efeitos especiais) e o sucesso foi tão grande, que a estrada foi pavimentada praticamente pelas rodas do gigante guerreiro Daileon. 

O maior herói japonês do Brasil chegou como quem não quer nada e foi ganhando cada vez mais importância. Se tornou a maior atração de um canal de TV aberta, virou brinquedo, bateu de frente com novelas e programas infantis da Rede Globo, viu a sua história ganhar as páginas dos quadrinhos, conquistou milhares de fãs e marcou a infância de muita gente.

Todo esse sucesso foi se perdurando ao longo de pouco mais de 30 anos de sua existência por aqui, fazendo com que ele ganhasse uma nova projeção com o lançamento de um mangá e a promessa de um filme produzido por brasileiros. Além de todos os 46 episódios, ou seja, a série completa disponível no Prime Vídeo.

Para celebrar as três décadas e meia do lendário guerreiro no Brasil, nós vamos contar tudo que você precisa saber sobre o Jaspion. Sua origem, a repercussão da série no Japão, a chegada no Brasil; algumas curiosidades, as novas aventuras em mangá, o filme e como o Jaspion se tornou um personagem tão especial para nós. 

A origem

Jaspion: 34 anos do maior herói japonês do Brasil

Jaspion tinha um nome totalmente diferente no Japão. Lá, a série se chama “Kyojuu Tokusou Juspion”, que em uma tradução livre era algo como “O Campão da Justiça e Investigador Especial de Monstros Gigantes”. O nome Juspion nada mais é que a junção das palavras “Justice” e “Champiom” (campeão da justiça, em tradução livre).

No Brasil ela passou a ser chamada de “O Fantástico Jaspion”, e é a quarta série da franquia dos tokusatsu chamado de “Metal Hero” – que são os heróis que vestem armaduras metálicas e lutam contra inimigos do espaço e do nosso planeta. Antes de Jaspion estrear no Japão, foram produzidas outras três séries com detetives policiais vindos do espaço. São elas: Gavan (Gyaban), Sharivan e Shaider.

O sucesso desses personagens não iam tão bem por conta das histórias serem bem parecidas. Por isso, a Toei Company (que detém o direito das séries até hoje) resolveu criar uma história um pouco diferente e trouxe em 1985 o Jaspion. Ela foi exibida pela emissora japonesa chamada TV Asahi entre março de 1985 a março de 1986 e contou com um total de 46 episódios e foi interpretada pelo ator e dublê Hikaru Kurosaki

A história

Jaspion: 34 anos do maior herói japonês do Brasil

No planeta Edin, uma estrela a muitos anos-luz de distância da Terra, o profeta Edin encontra um garoto humano que sobreviveu à queda de uma nave espacial no planeta, acidente no qual seus pais morreram. Acreditando nas profecias da Bíblia Galáctica, a qual preceituava que um guerreiro celestial salvaria a galáxia e o universo das forças do mal, Edin crê ser este o garoto predestinado a se tornar o lendário guerreiro.

Ele adota o menino e o cria sozinho dando-lhe o nome de Jaspion, na esperança de que, algum dia, o garoto venha a combater as ameaças do temível Satan Goss, do Império dos Monstros. Anos mais tarde, já adolescente, Jaspion aprende sobre seu destino, e aceita de seu “pai” os equipamentos que seu mentor construiu para auxiliá-lo.

Entre os artefatos, estão a armadura Metaltex, feita do metal mais resistente do universo (metal Ejinium); a andróide Anri, que passa a ser sua companheira na jornada, e a nave espacial Daileon, que tem o poder de transformar-se em um poderoso robô gigante.

Sua missão é encontrar os pedaços da Bíblia Galáctica (que havia se espalhado pelo Universo após o planeta ancestral de Edin ter sido destruído por um cometa) e destruir o império de Satan Goss. 

A chegada ao Brasil

Jaspion: 34 anos do maior herói japonês do Brasil

Uma das partes mais interessantes da jornada do Jaspion do oriente até o ocidente, é como ela deixa de ser uma série medíocre no Japão e passa a ser um sucesso no Brasil.  E tudo isso só acontece por causa de um cara chamado Toshikiko Egashira, um empresário brasileiro e descendente de japoneses que tinha uma locadora de vídeo no bairro da Liberdade, que fica na região central da cidade de São Paulo.

Toshi (como é conhecido até hoje) viajava até o Japão, gravava programas de TV e séries de super-heróis japoneses, voltava para o Brasil e colocava tudo à disposição para os imigrantes e descendentes que moravam no bairro.

Com o tempo, Toshi percebeu que muitos pais e crianças brasileiras passaram a frequentar a locadora e se interessavam bastante por séries que ele trazia como o Jaspion, por exemplo. E essas fitas não tinham dublagem nem legenda. 

O final dos anos 80 e começo dos anos 90 também foram marcados pela chegada do videocassete. Mas eles eram tão caros e inacessíveis no começo, que muita gente fazia até consórcio para comprá-lo. Portanto, quem tinha VHS nessa época destoava da maioria que ainda dependia da programação da TV pra assistir alguma coisa. 

Percebendo o aumento da procura pelas fitas VHS do Jaspion, Toshi entrou em contato com a Toei Company e negociou para ser o distribuidor da série no Brasil.

A compra dos direitos de distribuição, as tentativas de emplacar a série na TV e a ajudinha do grupo Beto Carrero

Jaspion: 34 anos do maior herói japonês do Brasil

Nesse contato com a Toei, o empresário comprou o direito de distribuir os primeiros episódios das séries Jaspion e Changeman, cada uma custando a bagatela de US$ 300 mil. E assim, ele contratou o saudoso estúdio de dublagem Alamo, e foi bater na porta das emissoras para oferecer as séries como uma novidade.

Num primeiro momento Globo e SBT recusaram a proposta. A Band chegou a ficar interessada, mas a proposta feita ao empresario não era boa e o negócio não foi concretizado. Mas o dono da Everest Home Vídeo não desistiu facilmente. Nesse momento da história, entrava a agência de publicidade ligada ao grupo Beto Carrero. Ela anunciava na recente Rede Manchete, eles racharam o espaço comercial e conseguiram a exibição. 

A TV passou então a transmitir as duas séries pelas manhãs em um programa infantil apresentado pela novata e desconhecida, Angélica. Em 22 de fevereiro de 1988, “O Fantástico Jaspion” estreava em cadeia nacional. E partir daí, demorou alguns meses pra coisa engrenar e depois disso foi só sucesso!

O auge, a liderança na audiência e o embate com a Globo 

"O Fantástico Jaspion"
Matéria da VEJA falando sobre o sucesso de Changeman e Jaspion no Brasil

O sucesso que Jaspion estava fazendo passou a chamar a atenção dos bacanas da emissora e, por causa disso, decidiram ampliar os horários de exibição dos episódios. “O Fantástico Jaspion” chegou a bater 8 pontos de audiência na Rede Manchete, um ótimo número pro patamar da emissora à época.

Pra entrar na briga dos tokusatsu, a Globo trocou as séries norte-americanas que passavam na “Sessão Aventura” que ia ao ar às 17h, e passou a exibir séries do mesmo estilo do Jaspion. A primeira foi Bicrossers, depois veio Gavan (Gyaban) e Shaider. Enquanto a Band estava apenas com Sharivan. Mas mesmo assim, nenhuma dessas chegavam aos pés do sucesso que Jaspion fazia. 

A briga por anunciantes no canal do grupo Bloch era bem grande também. Eles lutavam para ter um espaço no intervalo comercial da atração, a procura foi tão grande que um episódio de 20 minutos chegou a ter cinco breaks – algo que era considerado (pela emissora) muito para episódios com esta duração. 

Jaspion foi exibido até agosto de 1994 e, para manter a exibição dos 46 episódios durante todos esses anos, a Rede Manchete tinha o costume de reprisa-los sempre que julgava necessário. E antes de ter a série completa, a Manchete tinha uma estratégia de apresentar alguns episódios e quando conseguia um novo, ela reprisava todos eles e logo em seguida apresentava o episódio inédito.

Ela fez isso por diversas vezes, assim como também demorou para exibir o último e derradeiro episódio de “O Fantástico Jaspion”: “A união dos povos da Via Láctea”. Era bem comum naquela época não exibirem a série de ponta a ponta. 

A saída da Rede Manchete e a invasão de produções japonesas na TV brasileira

Em 1994, Jaspion disputava espaço com outras séries na Rede Manchete como: “Jiraiya, o Incrível Ninja”, “Policial de Aço Jiban”, “Cybercops, os Policiais do Futuro”; “Guerreiro Dimensional Spielvan” (que chegou a ser chamado por aqui de Jaspion 2), “Black Kamen Rider”, “Comando Estelar Flashman”, “Cavaleiros do Zodíaco” e tantos outros. 

Com diversas atrações semelhantes, Jaspion já não era tão interessante quanto no começo e acabou deixando a Manchete. Dois anos depois, a série foi exibida pela metade na Record, em 1997 pela Gazeta, ganhou versões em DVD, foi exibido em uma porção de canais da TV Aberta e hoje os direitos pertencem a Sato Company – empresa gerida por Nelson Sato, o responsável por trazer Cybercops pro Brasil naquela época e outras séries de mesmo gênero.

+ Veja no vídeo abaixo, a linha do tempo do Jaspion apresentada pelo Danilo, do canal TokuDoc.

O mangá e o novo filme produzido por brasileiros

A JBC está produziu e publicou o mangá com novas aventuras do maior herói japonês do Brasil. Com produção totalmente nacional e em parceria com a Toei e a Sato Company, o mangá do Jaspion foi escrito por Fábio Yabu e desenhos de Michel Borges. 

Jaspion: 34 anos do maior herói japonês do Brasil

Para celebrar os 30 anos de exibição de “O Fantástico Jaspion” no Brasil e também comemorando os 110 anos de Imigração Japonesa no país, Nelson Sato, divulgou que será produzido um filme do herói por aqui. Tanto a produção quanto o elenco, será de brasileiros e descendentes de japoneses.

Por enquanto a produção está parada e não há novidades sobre quando o filme vai ser lançado. Até tentaram ir atrás de informações sobre a quantas andam o filme do Jaspion, mas nada de concreto foi confirmado.

Onde assistir 

"O Fantástico Jaspion"

“O Fantástico Jaspion” – a série completa com 46 episódios -, está disponível no canal Tokusatsu TV de forma gratuita. Para quem não quer assistir à “Jaspion” pelo YouTube, desde agosto de 2019, a série está disponível completa, dublada e sem cortes na plataforma de streaming da Amazon. O valor da mensalidade é de R$ 9,90 com teste grátis de 30 dias, e o cliente ganha frete grátis em vários produtos na loja da empresa.

COME ON, BOY! 

E aí, curtiu?

Escrito por Bruno Fonseca

Fundador e editor-chefe do PL. Jornalista apaixonado por quadrinhos, filmes, games e séries.

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