Z for Zachariah (2015)

A humanidade de um mundo pós-apocalíptico

A temática pós-apocalíptica tornou-se recorrente para os cineastas modernos. Nós testemunhamos as consequências do apocalipse de formas variadas como guerra nuclear, esgotamento de energia, ataques de zumbis, entre outros. E enquanto alguns argumentam que o tema já está saturado, eu digo que realmente gosto deste tipo de premissa. É um cenário que oferece aos cineastas um leque de oportunidades para trabalhar os seres humanos através de uma infinidade de emoções e relacionamentos.

Z for Zachariah ambienta-se nesse cenário conhecido e popular. Mas o filme, dirigido por Craig Zobel e baseado em no romance homônimo publicado originalmente em 1974, apresenta várias novidades e se diferencia da norma pós-apocalíptica. Alguns lampejos de ficção científica podem ser vistos ocasionalmente, mas a maior parte do roteiro não se dedica ao apocalipse em si. O longa é centrado numa dinâmica mais atraente e envolvente – o drama humano.

Z for Zachariah (2015) | A humanidade de um mundo pós-apocalíptico

O filme começa após um holocausto nuclear. Não há destruição generalizada ou vastos terrenos baldios. Apenas o vazio, a radiação e as cidades silenciosas repletas de resquícios do passado. É nesse lugar que conhecemos Ann (Margot Robbie), que vasculha a cidade radioativa vestida em roupas especiais. Logo ela volta para seu lar – uma fazenda em um terreno milagrosamente livre de radiação no alto das montanhas. Ann vive sozinha, ou melhor, com seu cachorro e sobrevive usando os ensinamentos de seu pai, que a fez trabalhar no campo desde pequena. Ela também manteve a fé de seu pai, crendo que Deus protegeu suas terras para um destino traçado.

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Certo dia, quando sai para caçar, Ann fica chocada com o que vê – outro ser humano. Em uma estrada sinuosa em meio às montanhas, usando um traje anti-radiação e puxando um carrinho com seus pertences, está John Loomis (Chiwetel Ejiofor). Depois de um primeiro encontro complicado, Ann leva John para a fazenda, onde ele começa a ajudar com o trabalho. Antes do fim do mundo, John era um cientista e engenheiro. Ele respeita as crenças de Ann e é grato por sua hospitalidade.

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Uma relação humana única é formada, cada um partindo de esferas muito diferentes, tentando entender o outro. Mas as coisas se complicam quando um misterioso estranho, chamado Caleb (Chris Pine), chega e se transforma na terceira parte desta relação, trazendo uma nova leva de complexidades emocionais.

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Esta é a história que Zobel quer contar. Não há monstros mutantes, não há hordas de zumbis e tampouco um novo tipo de lei cujo líder é um carrasco. São simplesmente três pessoas lidando com situações internas e externas. Talvez eles sejam as últimas pessoas na Terra – o que acrescenta uma perspectiva única para a história. Mesmo em suas situações incríveis de sobrevivência, os mais vis e primitivos instintos humanos ainda precisam de atenção. E, apesar de suas situações milagrosas, as pessoas sempre vão entrar em conflito.

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Existe um elemento espiritual profundo na personagem de Margot Robbie que promove um rico simbolismo na história. Loomis e Caleb, por outro lado, trazem as reviravoltas e não estou falando de brigas, mas sim de emoções. Mesmo em sua simplicidade, a história é um exercício inteligente e diferenciado das questões humanas e da exploração interna de cada pessoa, em suas diferenças.

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Margot Robbie, Chiwetel Ejiofor e Chris Pine estão sensacionais e seguram muito bem o longa sem ajuda de elenco de apoio. Z for Zachariah combina mais com o gênero drama do que com ficção científica, apesar de sua premissa. Além disso, se trata de um roteiro bastante subjetivo e que não agrada todos os tipos de público. É uma história que te faz pensar, sentir raiva, se colocar no lugar dessas pessoas, tentar tomar decisões por eles e, principalmente, refletir sobre a humanidade que cada um carrega.


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Por Louise


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