Turma da Mônica – Laços (2019)

Só o cinema é capaz de realizar tais sonhos

Ao subir dos créditos, logos após mais um plano infalível do Cebolinha acabar nas pancadas de Sansão, eu tive a certeza que eu acabara de ver uma obra tão linda quanto a graphic novel homônima de Lu e Vitor Cafaggi que inspirou o longa. Aliás, tudo que o universo criado por Maurício de Sousa nos mostrou em 60 anos, estava ali em sua essência. Não há como dizer que um só fã da turma do Bairro do Limoeiro não tenha sentido que foi um sonho realizado.

A importância da Turma da Mônica para o País é enorme, gerações cresceram lendo e muitas crianças foram alfabetizadas com suas histórias. A tradição é gigantesca, mas o amor por cada um dos personagens é ainda maior.

Dirigido por Daniel Rezende (Bingo: O Rei das Manhãs) e com roteiro de Thiago Dottori, “Turma da Mônica – Laços” começa dando ao espectador a sensação de que ele está dentro de uma história em quadrinhos da turminha. Só que dessa vez, as páginas dão lugar a tela, os quadros viram frames, eles recebem um tratamento especial, um pouco de magia e se transformam naquilo que nossos olhos esperaram tanto.

Cebolinha (Kevin Vechiatto) bola mais um plano infalível para tentar colocar as mãos no Sansão. Cascão (Gabriel Moreira) e o “cacholo” Floquinho serão seus cúmplices. A ideia é enganar Mônica (Giulia Benite) e Magali (Laura Rauseo) fazendo o Floquinho fingir que desmaiou e que precisa de um veterinário. O plano como sempre cai por terra, quando a Mônica desmascara o Cebolinha e desce a coelhada nele e no Cascão. Desse jeito, Daniel Rezende desperta no espectador tudo aquilo que a gente sempre leu nos quadrinhos. Enquanto a cena inicial rola, há elementos e referências ao universo das histórias do Mauricio de Sousa que situa e conforta quem assiste. Um cuidado muito grande de saber que desde os primeiros momentos é tudo Turma da Mônica.

Depois dessa abertura, o desenrolar da trama leva o espectador para a jornada de quatro crianças super entrosadas que em nome da amizade, do carinho e, claro, dos laços que criaram ao longo de anos, desbravam uma floresta em busca do paradeiro do Floquinho. O cachorro do Cebolinha foi raptado pelo Homem do Saco (Ravel Cabral), e como qualquer pessoa que ama seu pet, o menino que quer ser o “dono da lua” no lugar da “golducha e dentuça”, faz mais um plano e dessa vez contará com a ajuda de todos para torná-lo definitivamente, INFALÍVEL!

De forma doce e carinhosa, o primeiro live-action da Turma da Mônica consegue divertir, emocionar e empolgar quem assiste. Não é difícil lembrar de filmes como “Os Goonies” (1985), “Conta Comigo” (1986) ou séries como “Anos Incríveis” e “Stranger Things”. E são jornadas deste estilo que ajudam na evolução dos personagens, na forma como eles cativam o público, como demonstram que possuem química e entrosamento e conseguem despertar na gente o que de melhor o cinema pode proporcionar.

Os destaques ficam também para o elenco adulto. Rodrigo Santoro como o Louco é um dos pontos altos do filme. A dona Cebola (Fafá Rennó), o Seu Cebola (Paulo Vilhena), Dona Luiza (Mônica Iozzi) formam um belo time de apoio e tudo se encaixa de um jeito único e sem margem para qualquer tipo de questionamento. Você olha para a cara de cada um deles, e enxerga ali a essência de cada um dos personagens pela qual eles representam. Tudo em “Turma da Mônica – Laços” é nítido e sem ponto fora da curva.

A mágica que Daniel Rezende conseguiu fazer com a história de um palhaço controverso que comandou por muitos anos a programação infantil nas manhãs da televisão brasileira, foi ampliada ao colocar os personagens mais amados das histórias em quadrinhos nacionais sob a perspectiva do real e do palpável.

O resultado foi tão positivo, que “Turma da Mônica – Laços” deu início ao universo da Turma da Mônica nos cinemas. Sim, por causa dele, o próprio Maurício de Sousa anunciou que uma sequência já está garantida e que vai pensar em outras histórias envolvendo demais personagens que têm grande chance de ganhar uma aventura em live-action.

Leia mais: HQ do Dia | Turma da Mônica – Laços

Mas enfim, tem coisas que só o cinema consegue proporcionar e ter acompanhado desde o anúncio da escolha do elenco até a concretização de um trabalho que levou anos pra acontecer, é um sonho realizado. Um sonho que não é só meu, mas de milhares de brasileiros.

“Turma da Mônica – Laços” é algo que o cinema nacional ainda não tinha experimentado. É único e agora é nosso. É de todos os fãs da Turma do Bairro do Limoeiro.

Turma da Mônica – Laços” estreia no dia 27 de junho nos cinemas do País. 


VEJA TAMBÉM:

COMENTE:

© 2019 Proibido Ler. Todos os direitos reservados.