Insurgente (2015)

Uma sequência madura e independente

Enfim chegamos a mais uma etapa da série Divergente: Insurgente. O longa estreou no dia 19/02 e nós fomos conferir tudo o que esta sequência tinha para nos mostrar.

Seguindo o mesmo mote do primeiro, aqui nós temos um cenário futurista, dividido em facções, onde cada um dos seres viventes tem que se enquadrar em uma delas – caso contrário, você é considerado um divergente, e sua vida está destinada à desgraça… Ou não! Neste caso, temos alguém que se incomoda em não se encaixar na “sociedade perfeita” comandada por Jeanine (Kate Winslet) – estamos falando de Tris (Shailene Woodley). Nesta nova etapa, a protagonista ao lado de Quatro (Theo James), tem a missão de encabeçar uma revolução contra o regime totalitarista imposto por Jeanine. O diretor Robert Schwentke não se preocupou em explicar a história novamente, ou como funciona o futuro distópico onde o longa é ambientado. Desta forma, ficou mais fácil deixar o filme fluir e a história foi contada com mais liberdade.

Insurgente | Uma sequência madura e independente

A Tris de Insurgente está totalmente diferente da Tris de Divergente. Mais madura, mais segura de si e mais confiante, existe aqui uma evolução visível da personagem anterior para a atual. Ela toma a frente de tudo com coragem, e não se esconde por causa da alcunha que carrega. Tris passa a desempenhar o papel de protagonista com esforço e maestria, tentando cativar o espectador a cada momento com sua atuação. Por mais que, no primeiro filme, ela não tenha convencido, em Insurgente é perceptível a sua evolução. É neste ponto que o filme se destaca do primeiro, é aqui que a trama começa a amadurecer e, também, a se mostrar diferente de Jogos Vorazes – uma verdadeira sombra que A Série Divergente carrega.

Insurgente | Uma sequência madura e independente

A inversão dos papéis, onde é mostrado uma personagem feminina tomando as rédeas de um filme de ação, soa infinitamente melhor em Insurgente do que um homem sendo o responsável pelo heroísmo da protagonista. O cuidado com essa típica situação foi tomado e, felizmente, a trama não sucumbiu ao clichê. Tris é uma heroína de verdade, os desejos por vingança e por um mundo melhor partem dela e sua coragem está acima do materialismo mundano. Como qualquer herói que se preze, esta heroína quer fazer o que é certo, mesmo que isso custe a sua vida, o seu relacionamento e, principalmente, passar por cima de coisas que ela jamais conseguiria em outro momento. Seu companheiro, Quatro, tem função que lhe convém na trama – a de ser o coadjuvante. Ele ajuda, se esforça, se entrega e não ocupa ou ultrapassa o papel que é dela. Muito mais impactante que no primeiro, ambos tem uma ligação muito mais forte e, desta vez, a química entre os atores faz com que o público testemunhe uma relação sincera, e não forçada.

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Kate Winslet está limitada como vilã e permissiva demais. A limitação vem de suas cenas apenas em frente a uma caixa de simulação no prédio central da “Erudição“. Ou através de avisos transmitidos em painéis nas diversas facções. Seus capangas são responsáveis por muito mais ação, e seu desfecho deixou tanto a desejar quanto as cenas em que poderia incendiar ainda mais a trama.

As cenas de ação estão infinitamente melhores em relação a Divergente (2014), e ficam claras as referências oriundas de “Matrix” (1999), tanto pelos cabos usados nas provas de simulação, quanto no uso de CGI e nas coreografias em cenas de combate corpo-a-corpo.

O que não me convence, ainda, é o clichê repetitivo onde as cidades, num futuro distópico, sofrem momentos de guerra civil e tudo é retratado como se fosse algo pré-histórico. Prédios em ruínas, bosques inundando tudo, a massificação da cor cinza, um antagonismo estranho entre a modernidade e o retrocesso estrutural físico. Será que toda distopia tem que ser assim? Um apocalipse zumbi em meio a uma sociedade moderna perfeita?

Ansel Elgort e Miles Teller executaram papeis que me deixaram até agora meio confuso. Basicamente eles entram em cena e não sabem o que querem, não sabem para onde vão e, quando menos se espera, tudo muda de lugar. O que resta é você com cara de “Ué? Será que se encontraram?”

A fidelidade ao livro não é das melhores, e muitos leitores da saga de Veronica Roth reclamaram, mas em contrapartida, existe um esforço tremendo de produção e roteiro para fazer o longa e a trama interessantes. E eles realmente conseguiram isso.

Insurgente | Uma sequência madura e independente

Insurgente veio mostrar que não se trata de uma fanfic de “Jogos Vorazes” e que, independente de um primeiro filme que não agradou tanto, está mais maduro, cheio de ação, bons efeitos especiais e tem uma história que vale a pena ser contada. O protagonismo e a liberdade que deram a Shailene Woodley de mostrar que sua personagem pode evoluir e pode convencer o espectador  teve um  papel fundamental numa história que poderia muito bem se tornar apenas “mais do mesmo”.


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