“God Save The Queen” e a essência sociológica por trás do Sex Pistols

1 ano atrás ( 12/11/2016 )

O ano fora 1977, e dentre os principais eventos deste ano temos a posse de Jimmy Carter como o 39° presidente dos Estados Unidos, o assumo de Mengistu Haile Mariam ao poder da Etiópia, a perda de importantes figuras culturais como Elvis Presley, Charlie Chaplin e Maria Callas e um acontecimento não menos importante dos que já citado: a ascensão do Movimento Punk.

Conhecido como o “Ano do Punk”, fora em 1977 (sete anos após a iniciação da Cultura Punk como movimento social) que houve a explosão de artistas seguindo a música, o estilo de vida e a prática do “Faça Você Mesmo”. Bem mais do que isso, grande parte desse movimento foi devido ao club de música CBGB, que tornou-se conhecido como o berço do punk 77 e está marcado na história de bandas e pessoas como Television, The Ramones, The Bee Gees, Blondie e dentre muitos outros, envolvendo a história da banda protagonista desta matéria: Sex Pistols.

"God Save The Queen" e a essência sociológica por trás do Sex Pistols

A banda inglesa de punk rock Sex Pistols é considerada a responsável pelo o começo do Movimento Punk no Reino Unido e também, por ter influenciado direta e indiretamente muitos músicos de punk rock e rock alternativo. A banda, que por vezes deixava em evidência sua vertente anarquista, provocou diversas controvérsias que tornaram-se o centro das atenções entre a opinião pública britânica. Seus shows frequentemente eram fonte de problemas para os organizadores e as autoridades, e suas aparições públicas quase sempre terminavam em confusões.

Criada no ano de 1975, apenas em 1976 a banda inglesa lançou a sua primeira faixa “Anarchy In The U.K.” (“Anarquia no Reino Unido”). Embora tenha sido proibida nas rádios e tenha recebido criticas negativas, a faixa alcançou relativa projeção nas paradas do Reino Unido e logo tornou-se amplamente considerada como o hino definitivo do punk, trazendo também um grande impacto cultural em seu lançamento e proporcionando aos Sex Pistols um público mais amplo.

"God Save The Queen" e a essência sociológica por trás do Sex Pistols

E enfim, apenas em 1977 a faixa protagonista desta matéria fora lançada. Sendo a segunda faixa da banda britânica, “God Save The Queen” (“Deus Salve a Rainha”teve seu lançamento ocorrente no mesmo período das comemorações dos vinte e cinco anos de ascensão da Rainha Elizabeth II ao trono da Grã-Bretanha e de outras nações que compõe os Reinos da Comunidade das Nações. De acordo com relatos do gerente da banda na época, Malcom McLaren, o lançamento da faixa coincidira propositalmente com o Jubileu de Prata da rainha, mas tão pouco a faixa havia sido escrita por causa do evento, assim relata a banda.

A faixa, que originalmente se chamava “No Future” (“Sem Futuro”) até o vocalista Johnny Roten ter a ideia de zombar da monarquia britânica e assim referenciar o título da faixa ao hino nacional da Inglaterra, foi altamente polêmica entre a sociedade britânica por igualar a monarquia a um “regime facista” e por dizer que na Inglaterra “não havia futuro”. De fato, “God Save The Queen” é uma música que relata a rebeldia contra a política britânica, uma vez que muito dos jovens sentiam-se alienados pela a regra sufocante da monarquia real à moda antiga.

"God Save The Queen" e a essência sociológica por trás do Sex Pistols

Você não escreve uma canção como “God Save The Queen” porque você odeia a raça inglesa. Você escreve uma canção como essa porque você os ama e está cansado de vê-los sendo maltratados.“, relatou Johnny Roten. E assim, embora tivesse aparente intenção de evocar a simpatia da classe trabalhadora inglesa e gerar um sentimento geral de ressentimento contra a monarquia, que o Sex Pistols criara o hino para o movimento punk na Inglaterra.

A faixa atingiu a primeira posição na parada da influente revista NME, mas duvidosamente atingiu apenas a segunda posição da UK Singles Chart, conforme informado pela NBC, ficando ironicamente atrás apenas da faixa “I Don’t Want To Talk About It” (“Eu não quero falar sobre isso”) do artista Rod Stewart. Muitas das emissoras de rádio recusaram-se ou excluíram a faixa de sua playlist, e alguns grandes varejistas recusaram-se a estocar, onde por outra ironia, rotulando-o tabu a canção tornou-se ainda mais comercializável e vendeu uma incrível marca de 150 mil cópias apenas na primeira semana de lançamento.

"God Save The Queen" e a essência sociológica por trás do Sex Pistols

Em 1996, durante um show em São Paulo, o vocalista Johnny Roten mudou parcialmente o refrão de “God Save The Queen” e “Anarchy in The U.K”, contextualizando o Brasil e referindo-se como “Não há futuro para o sonho brasileiro” e “Eu quero ser um anarquista em São Paulo”. De certa forma, ainda que não aparente e/ou seja de certa dificuldade fazer uma análise destas duas faixas para com a atualidade brasileira, é incrível perceber como ainda que o contexto histórico mude, ambas as faixas sempre terão algum lugar em que se encaixar, sendo este no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo.

Por vezes, o Sex Pistols não são dos maiores exemplos de pessoas ou como um grupo artístico. A banda teve apenas um álbum lançado e sua carreira não fora das mais grandiosas possíveis em comparação a outros artistas. No entanto, mesmo já sendo indicados para o Hall da Fama do Rock and Roll (e fervorosamente negado chamando o museu de “uma mancha de mijo”), é de se concordar com Johnny Roten que o Sex Pistols pertence a um grupo muito seleto de artistas, que podem afirmar com convicção haverem mudado o mundo.

Esta matéria não visa enaltecer de fato a banda britânica, mas sim a mensagem por trás do Movimento Punk e que tal banda evidencia fervorosamente em duas – de não apenas suas mais importantes faixas – mas do próprio movimento e, como tal, da história do mundo. No fim das contas, o punk sempre foi decepcionante e sempre será. E digo isso não no sentido de ser necessariamente ruim, mas porquê ao voltar-se para as críticas sociais agressivas, ela nos mostra o porquê do Sex Pistols nunca ter acabado propriamente, simplesmente fracassou porque as pessoas não sabem o que é o verdadeiro.

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