Cake – Uma Razão para Viver (2014)

O sabor amargo da perda

Um filme de Daniel Barnz, que consagrou Jennifer Aniston e surpreendeu a crítica.

A história de Cake – Uma Razão Para Viver (2014) gira em torno de Claire Simmons – interpretada por Jennifer Aniston.

Claire é uma mulherCake - Uma Razão Para Viver | O sabor amargo da perda traumatizada e depressiva, que é viciada em remédios. Por trás de sua amargura e de suas cicatrizes visíveis, é possível notar que ela esconde uma dor bem mais intensa do que a do próprio corpo. O filme se desenrola em um ritmo lento para refletir a condição em que a personagem se encontra.

Ela busca ajuda em um grupo para pessoas com dores crônicas e depressivas. Lá, ela descobre o suicídio de um dos membros do grupo, Nina – interpretada por Anna Kendrick.

Entre as lágrimas de suas companheiras em um “memorial”, Claire não poderia ser mais curta e grossa ao falar o que realmente pensava da suicida e do que ela fez. Com isso, ela é obrigada a deixar o grupo –  o que vira sua vida de ponta cabeça.

Em primeiro momento, Claire aparenta ser uma megera sem coração. Uma pessoa tão amarga que é incapaz de se emocionar com a dor alheia. Até a hora dela começar a ter alucinações com Nina e com seu suicídio, e você compreender melhor o que aconteceu com ambas.

Cake - Uma Razão Para Viver | O sabor amargo da perda

Claire fica tão obcecada pela história desta mulher que começa a investigar a sua vida feito uma stalker, até ultrapassar o limite da intimidade – indo até a casa do viúvo Roy – interpretado por Sam Worthington se passando por uma ex-moradora do lar. Aos poucos, Claire começa a desenvolver uma relação de afeto com Roy. Uma compatibilidade na dor, e começa a mostrar os ingredientes da própria história.

Cake - Uma Razão Para Viver | O sabor amargo da perda

O filme deixa, do início ao fim, um ponto de interrogação na cabeça do expectador e a pergunta: “Que raios aconteceu com Claire?”. Se você não tiver uma boa percepção, chegará ao final se questionando a mesma coisa. Assim como em uma receita de bolo, a falta de um ingrediente pode destruir tudo. É preciso saber a hora que ele está Cake - Uma Razão Para Viver | O sabor amargo da perdano ponto, ou ele fica abatumado.

Cake é realmente feito de ingredientes essenciais. Com o compreender da trama vem também o sabor amargo da perda. Seja ela de uma pessoa, da própria vida, ou da vontade de viver. Você odeia e se comove com Claire, ao mesmo tempo que não compreende o que aconteceu. Por vezes ela não sabe se está dormindo ou acordada, alucinando ou se dopando. E você fica viajando nisso ao lado dela durante algum tempo.

A personagem Silvana – interpretada por Adriana Barraza, nos mostra por que não desistir de Claire. Há um ingrediente secreto atrás dessa receita que quase ninguém imagina. A empregada, que é tão protetora quanto uma mãe, abre mão da própria vida para aguentar a “pirraça” de uma patroa que está acabando com a dela, se entupindo de amargura, remédios e solidão.

Cake - Uma Razão Para Viver | O sabor amargo da perda

Jason Bennett interpretado por Chris Messina, é o marido que parece nem existir. Claire não o aceita por perto e, embora ela ainda seja a “Senhora Bennett”, eles não moram mais juntos (por algum motivo muito mais dolorido do que as feridas em seu corpo). Com o passar das cenas percebe-se que um acidente trágico mudou a vida de Claire e de quem a rodeava, e não suportando a dor física e emocional ela amargou.

A interpretação de Jennifer Aniston é fabulosa, ela passa dor e emoção em cada cena, em uma ponte ou até mesmo se virando de um lado para o outro na cama. Adriana Barraza se sobressai em seu papel, ela é a bondade do filme. Sam Worthington se torna o personagem mais adorável e sensato da história. Jason Bennett aparece pouco, mas nas poucas vezes que aparece nos comove. Anna Kendrick é uma alucinação com percepção crua da morte.

Cake - Uma Razão Para Viver | O sabor amargo da perda

Cake é excelente, e foi uma pena Jennifer Aniston não ter sido indicada ao Oscar por sua atuação. Cake não é uma história bonita sobre a vida, é uma receita amarga sobre a perda. Cake não é um romance – embora de certa forma ele fale de amor, de relações, de família. Cake não é um dramalhão embora envolva mágoa, raiva, dor e sentimento. Cake é um é um filme para ser saboreado em pedaços assim com um bom bolo de chocolate, e se eu te contar mais que isso a receita não vai ter o mesmo sabor. Cake é um filme cru e verdadeiro de como qualquer tipo de perda afeta a nossa vida e de quem nos rodeia, e como na perda achamos nossos pedaços e procuramos adoçar a vida de alguma forma.


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