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Origens & Evoluções | Supergirl

A Supergirl é uma super-heroína da DC Comics, criada oficialmente pelo escritor Otto Binder e projetada pelo artista Al Plastino. Seu nome verdadeiro é Kara Zor-El e ela é prima biológica de Kal-El, o Superman. Nesta matéria você vai conhecer mais sobre as origens e evoluções dessa personagem. Bora?

Conhecer e, principalmente, entender a história da Supergirl não é tarefa fácil. Prometo que vou me esforçar ao máximo pra simplificar o que eu puder, mas vamos aos fatos: várias personagens já “vestiram o manto” da heroína e os reboots da DC não ajudam. Tente me acompanhar.

KARA ZOR-EL – SUPERGIRL ORIGINAL PRÉ-CRISE
Primeira aparição: Action Comics #252 (1959)
Quadrinistas: Otto Binder e Al Plastino

Origens & Evoluções | Kara Zor-El

Kara Zor-El morava em Krypton e junto com seus pais biológicos – Zor-El e Alura In-Ze – sobreviveram à explosão do planeta porque a cidade onde moravam, Argo City, possuía uma redoma protetora. Entretanto, após ser atingida por uma chuva de meteoros, a redoma se rompeu e a cidade foi invadida por radiação de kryptonita. Zor-El envia sua filha para a Terra na única nave existente em Argo City. Chegando na Terra (com um uniforme parecido com o do Superman para que ele a reconhecesse), Kara conta sua história ao primo, que aconselha a kryptoniana a manter sua identidade em segredo. Ela então vai morar em um orfanato (Midvale), escolhe o nome de “Linda Lee” e usa uma peruca morena pra esconder os cabelos loiros. Depois de adotada, recebe o nome de “Linda Lee Danvers” e se torna a ajudante secreta do Superman, até que ele resolve apresentá-la pro mundo.

Origens & Evoluções | Kara Zor-El

Essa primeira versão da heroína é bastante divertida e, como todo gibi antigo, esquisita. Kara tinha um gato de estimação (Streaky, o Supergato), criado por Jerry Siegel e Jim Mooney em 1960.

Origens & Evoluções | Kara Zor-El

Ela também tinha um cavalo – Cometa, o Supercavalo – criado por Jim Mooney 2 anos após o Supergato, na revista Action Comics #292 (1962).

Origens & Evoluções | Kara Zor-El

Somente em 1972, mais de dez anos após sua primeira aparição, Supergirl ganhou uma série própria. Infelizmente “Supergirl v1” só teve dez edições.

Em 1982, dez anos depois de seu primeiro título solo, ela ganhou outra série própria chamada “The Daring New Adventures of Supergirl”. O título durou até 1984.


EIS QUE ROLA UMA REVIRAVOLTA CRIATIVA NOS ESCRITÓRIOS DA DC COMICS!

Meados dos anos 80. A DC Comics constata que conceitos como o do Multiverso estavam confundindo leitores, as vendas do título “Superman” estavam em declínio, entre outros problemas. Para conseguir simplificar seus quadrinhos, a editora decide extinguir o Multiverso, suas terras paralelas e suas diferentes versões de personagens. A mesma resolveu reformular seus títulos da linha “Superman” e voltar com a ideia original do homem de aço como o “único kryptoniano vivo”. Bem-vindo/a à “Crise nas Infinitas Terras” (1985).

Leia mais: A lista completa das animações da DC Comics

Origens & Evoluções | Kara Zor-El

Muitos personagens foram eliminados dos quadrinhos e 50 títulos da editora foram cancelados. Como você já deve imaginar, Superman não seria o “último kryptoniano vivo” se Supergirl, Supergato, Superboy, Supercão e outros personagens existissem. Eles precisavam morrer.

Origens & Evoluções | Kara Zor-El

Numa das histórias mais marcantes da história da DC, Supergirl sacrifica a própria vida para salvar o primo e todo o Multiverso da destruição iminente orquestrada pelo Antimonitor (Crisis on Infinite Earths #7). Todas as memórias referentes a ela são extintas, ou seja, Linda Lee Danvers, a partir de agora, nunca existiu.

Origens & Evoluções | Kara Zor-El

Entretanto, a Crise gerou alguns (vários) problemas de continuidade nos quadrinhos. Um dos mais difíceis foi a origem da Legião dos Super-heróis sem Superboy – e as revistas da Legião eram populares demais para serem extintas. Tentando resolver a situação, o escritor John Byrne – responsável pela nova origem do Homem de Aço – criou o “Mundo Compacto”, uma dimensão paralela. Sim, fizeram toda uma bagunça pra eliminar universos paralelos e logo depois criaram mais um.


MATRIX – A SEGUNDA SUPERGIRL
Primeira aparição: Superman v2 #16 (1988)
Quadrinistas: John Byrne

Nesse Mundo Compacto existia uma versão “do bem” de Lex Luthor, que usando o DNA de Lana Lang do Mundo Compacto (que havia morrido) e uma substância chamada protomatéria, deu vida a uma criatura artificial, a Matrix. As habilidades dela incluíam super-força, super-velocidade, rajadas mentais, telecinese, invisibilidade e, por ser feita de protoplasma, também tinha o poder de assumir outras formas (uma mistura de Caçador de Marte com Superman).

MAS NÃO SE ESQUEÇA QUE ELA NÃO ERA KRYPTONIANA – a DC Comics estava lutando pra manter o status do Superman como “último kryptoniano vivo”.

Tendo o Mundo Compacto sido destruído por criminosos e deixado Matrix como a única sobrevivente, ela vem ao “Universo Real” e torna-se a Supergirl. Sete anos, em 1994, depois ela ganha uma minissérie de quatro edições – Supergirl v3.

Uma das histórias mais marcantes dessa versão acontece quando, sem conhecer o “nosso” Lex Luthor, alia-se a ele. Quando descobre as diferenças entre os Lex dos dois mundos – e que este Lex estava tentando cloná-la – ela rompe o relacionamento e vai morar com os Kent, que lhe batizam “Mae”.

Em 1996 a popularidade da heroína não era a mesma de antigamente e, numa tentativa de alavancar as vendas, o escritor Peter David foi designado para uma reformulação na Supergirl (DE NOVO) numa nova série mensal, modificando vários aspectos de sua caracterização.

LINDA DANVERS – SUPERGIRL PÓS-CRISE
Primeira aparição: Supergirl vol.4 #1 (1996)
Quadrinistas: Peter David e Gary Frank

Peter David decidiu criar uma identidade secreta para a heroína e abordar tramas religiosas e de terror em suas revistas. Surge, então, Linda Danvers (sim, é o mesmo nome da versão Pré-Crise, outros elementos da época também foram incorporados). Embora a intenção fosse deixar as coisas mais simples para os fãs, a verdade é que esta fase ficou mais complicada do que a da Matriz.

Linda Danvers era uma jovem e talentosa artista, que repetidamente entrava em atrito com os pais conservadores (um policial e uma religiosa, que pesadelo!). No auge de sua rebeldia (Linda quiere ser hardcore, pero su mamá no la deja), ela se juntou a um culto satânico e arrumou um namorado lá. Acontece que esse mesmo namorado, durante um ritual, cortou a garganta da moça, que seria o sacrifício para um demônio. Infelizmente, quando Matriz chegou, a garota já estava morta.

Mas Matriz não desiste tão fácil e une seu corpo e sua mente à adolescente (ela é feita de protoplasma, então consegue fazer essas coisas, sei lá), transformando-as em uma só. Isso gera algumas consequências esquisitas, como 1) ela e Linda serem apenas um ser, com personalidades e memórias mescladas; e 2) seu sacrifício ter transformado Linda/Matriz/Supergirl no Anjo da Terra com Asas de Fogo – um emissário de Deus com o poder da chama sagrada e de julgar os pecados dos condenados (gente, qual a necessidade disso?).

Você já deve estar imaginando o quanto a DC estava estressada tentando arrumar um lado, destruindo o outro e fazendo os leitores correrem para as colinas, né? Pois bem. Hora de tentar (de novo) deixar a mitologia da Supergirl mais fácil, ou seja, eliminar a Matriz e esse anjo flamejante.

Linda/Matriz/Supergirl tem uma batalha cataclísmica contra o vampiro Carnivore, que resulta na separação de Linda e Matriz, bem como o fim do Anjo da Terra com Asas de Fogo. Só que a ideia da editora era continuar com uma Supergirl nos quadrinhos, portanto, os roteiristas decidiram que Linda manteria boa parte dos poderes que dividiu com sua outra metade. Esta série foi a mais longa protagonizada pela heroína, tendo 80 edições.

Origens & Evoluções | Supergirl

Depois da separação, rola um momento bem legal onde Linda utiliza peças de uma loja comum para criar um novo traje. A partir daí ela passa a vestir uma camiseta branca, saia, capa e peruca loira, e se denomina Supergirl.

Ah, esse é meu uniforme favorito! Principalmente por aparecer nas séries animadas da DC.

CIR-EL
Primeira aparição: Superman the 10 Cent Adventure #1 (2003)
Quadrinistas: Steven Seagle e Scott McDaniel

No ano de 2003, uma Supergirl chamada Cir-El surgiu em “Superman: The 10 Cent Adventure nº 1”. A moça afirmava ser filha do Superman e de Lois Lane vinda do futuro. Ela possuía os mesmos poderes dos do Homem de Aço, e de emitir rajadas incandescentes de sol vermelho (que anula os superpoderes adquiridos por kryptonianos sob o sol amarelo).

Infelizmente Cir-El descobre que não é filha de Superman e tampouco possuía sangue kryptoniano. Ela era uma adolescente normal que teve seu DNA alterado por Brainiac e foi enviada pelo mesmo para dominar o planeta Terra. Ela morreu um tempo depois, sua linha temporal foi corrigida e sua existência foi apagada. Foi a Supergirl que menos apareceu nos quadrinhos.

SUPERGIRL – OS ÚLTIMOS DIAS
Quadrinistas: Peter David e Ed Benes

A DC cansou de Linda e resolveu trazer Kara Zor-El de volta à ativa. Como? Da forma mais complicada possível, como sempre.

Em 2003 foi lançada uma minissérie de três partes chamada “Supergirl – Os Últimos Dias” – um retcon da história.

A nave de Kara Zor-El (a verdadeira, que morreu em Crise das Infinitas Terras) sofre um redirecionamento e vai parar na Era Pós-Crise. A garota não faz ideia de que está em uma linha temporal totalmente errada, mas não se preocupa com isso num primeiro momento. Ela e Linda Danvers se tornam amigas, mas a presença de Kara na era Pós-Crise desestabiliza o espaço-tempo. Surge então o Espectro (Hal Jordan, na época) e conta pra jovem que seu destino é morrer (pelo amor da deusa como é que alguém deixou esse roteiro ser publicado?).

É CLARO QUE O GÊNIO FEZ COM QUE AS DUAS GAROTAS ENTRASSEM EM DESESPERO. Pra salvar a vida dela, Linda viaja para a era Pré-Crise (???) passando-se por Kara, com a intenção de morrer em seu lugar. Acontecem algumas coisas bizarras enquanto ela está lá, como se casar com o Superman da Terra-1 (WTF) e ter uma filha com ele (WHAAAAAAT?).

Rolaram algumas tretas aqui e ali, e Linda é confrontada por Espectro quando ainda estava na Era Pré-Crise. Ele explicou que quem deveria morrer era Kara e não Linda. Ela volta e, por mais que soubesse que seu destino era esse, Kara implorou pela ajuda de Linda, que sabia que não tinha muita escolha. Linda a engana e a transporta de volta para sua época.

Linda não conseguiu superar a culpa pelo que fez a Kara e isso a levou a abandonar o manto de Supergirl. Ela não mais sentia-se digna de usá-lo.

KARA ZOR-EL – SUPERGIRL IV PÓS-CRISE
Primeira aparição: Superman/Batman #8 (2004)
Quadrinistas: Jeph Loeb e Michael Turner

Em 2004, vinte anos depois de matar a personagem na Crise das Infinitas Terras, a DC traz de volta a prima de Kal-El nas páginas de Batman/Superman, na saga “A Supergirl de Krypton” (Superman/Batman #8-13) – COMO SE NADA TIVESSE ACONTECIDO! Ela ganha uma nova origem (D E N O V O) que ignora a Kara criada anteriormente (WTF), permitindo que ela “conhecesse” Kal-El e o planeta Terra de forma “original”. Digno de nota que os desenhistas não pouparam o sexismo na hora de desenhar esta versão, que parece especialmente dedicada aos punheteiros de plantão.

Pode-se dizer que essa Supergirl surgiu pra tentar apagar da memória de todas as anteriores (SIM, TODINHAS), e tem praticamente a mesma história da personagem original (ela volta a ser a kryptoniana Kara Zor-El, já que aparentemente a DC conseguiu superar os traumas de “último kryptoniano vivo” do Azulão), só com algumas alterações. Vamos lá:

Quando Krypton ia explodir, duas crianças foram enviadas à Terra: Kal-El, que viria a se tornar o Superman, e Kara Zor-El, sua prima. Kal era apenas um bebê e Kara já era uma criança. A nave da garota deveria seguir a nave do primo, mas ela ficou em animação suspensa dentro de um enorme pedaço do planeta. Quando a nave finalmente chegou na Terra, foi parar no porto de Gotham City (que lugar maravilhoso para pousar, não é mesmo?). Ela é encontrada, sozinha e assustada, pelo Cavaleiro das Trevas e mais tarde descobre seu primo Superman.

Depois de todo o drama da chegada, o Azulão resolve que a melhor coisa a fazer neste primeiro momento, era ensiná-la a dominar seu poder. Ele enviou a prima para a Ilha Paraíso, onde aprendeu a lutar e dominar seus problemas. Diana criou muita afeição pela personagem. Uma imagem que ilustra seu treinamento é uma das mais sexistas que já vi na minha vida, e olha que já li quadrinho pra caralho:

Ela passou a maior parte do tempo aprendendo sobre seu lar, seus poderes e sobre do que é feito um herói. Sua personalidade variava entre badass e influenciável, mas no geral era uma boa personagem feminina.

Se você acha que finalmente tudo vai ficar bem na história da Supergirl, eu tenho PÉSSIMAS notícias pra te dar: REBOOT!

Em 2011 a DC Comics relançou toda a sua linha editorial e, consequentemente, a Supergirl ganhou uma nova origem.

SUPERGIRL – OS NOVOS 52
Primeira aparição: Supergirl v6 #0 (2011)
Quadrinistas: Michael Green, Mike Johnson e Dave McCaig

Desta vez, a heroína apresenta personalidade, comportamento e uniforme bem diferente das suas versões anteriores. E um outro nível de sexismo também – o que foi comum na maioria dos títulos dos Novos 52.

Era uma vez uma nave alienígena que entra na órbita da Terra e cai na Sibéria (Rússia). Uma jovem usando tapa-sexo (!!!) chamada Kara Zor-El sai do interior da nave bastante confusa, pensando que ainda está em Krypton. Ela não sabe de nada, nem de seus poderes, nem do que aconteceu com seu planeta (ela acha que está sonhando, coitada) e muito menos sobre seu primo. A moça não consegue se comunicar com terráqueos, pois só fala a língua kryptoniana e não tem nenhuma afeição pelo povo da Terra.

Kara é nervosa, agressiva, desinibida e imprevisível. Nada de receber o primo de braços abertos, ela prefere lutar com ele para se certificar de que o Azulão é, de fato, kryptoniano. Ela muito mais sábia que suas versões anteriores e tem sua própria Fortaleza da Solidão, chamada Santuário – presente de Zor-El.

Depois da chegada conturbada e de absorver todas as informações sobre seu planeta e sua família, Kara começa a se adaptar à realidade. Ela foi conquistada por H’el na saga Inferno Na Terra, participou dos Lanternas Vermelhos por um tempo e fez parte da Liga da Justiça Unida.


Depois dos eventos da saga Convergence, o título solo da Supergirl sumiu do mapa. Aparentemente, a DC iria relançar quando começasse a série de TV da Supergirl, mas até agora nada aconteceu. Tomara que ela volte com roteiristas menos doidos, que façam jus à última filha de Krypton.

Qual fase da Supergirl é sua favorita? COMENTE!

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E aí, curtiu?

Escrito por Louise

Amo, respiro e me alimento de quadrinhos, acho completamente normal se envolver emocionalmente com personagens de séries e filmes, e já vou avisando: NÃO MEXA COM MEUS HERÓIS!

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