HQ do Dia

Injection #1

O trio responsável pelo retumbante sucesso de crítica Cavaleiro da Lua (as seis primeiras edições do mais recente volume da revista do personagem da Marvel) une esforços agora em uma franquia original e autoral que teve sua estreia esta semana pela Image ComicsInjection conta a história de um grupo de ex-funcionários de uma mega-corporação que são recrutados para resolver um problema com um projeto que eles próprios criaram no passado. O famigerado projeto que leva o nome da HQ fugiu ao controle da empresa e aparentemente tem consequências desastrosas para o futuro da humanidade. É aí que entra o elenco principal do título – limpar a bagunça que criaram.Injection-1

Ellis é tudo menos direto ao ponto nesta edição de estreia. Desde a apresentação da trama até os personagens, tudo é extremamente vago e fugaz . Quando você achar que está começando a pegar o fio da meada há uma abrupta ruptura no roteiro e somos obrigados a começar tudo de novo em uma outra linha narrativa. Isso torna a avaliação da edição de estreia um tanto quanto ambígua – se por um lado a falta de informação e de um roteiro mais focado e linear é irritante por outro as cenas mostradas, protagonizadas por um elenco perturbado e muito humano e permeadas por diálogos extremamente bem escritos do autor intrigam ao ponto de você chegar ao fim da leitura já implorando pela segunda edição. Ellis consegue ser irritantemente brilhante nesta estreia, algo muito incomum no contexto atual de quadrinhos onde quase tudo é enlatado para atender os caprichos de leitores que não querem pensar muito. De qualquer maneira há uma pequena inclinação para a história da protagonista principal Maria Killbride, uma mulher desgastada e cheia de cicatrizes emocionais que foi responsável pelo projeto Injection e pagou um alto preço por isso. Maria cativa logo de cara com seu jeito sequelado e amargo e é responsável pelas falas mais humanas da primeira edição.

A arte de Declan Shalvey Jordie Bellaire nesta estreia não é nada do que você espera caso já conheça o trabalho da dupla. Esqueça a grosseria rústica de Cavaleiro da Lua, os artistas aqui nos entregam uma apresentação gráfica extremamente polida, limpa e clara. Poucos quadros horizontais por página no início desta edição dão bastante espaço para as narrações elusivas do autor e para seus diálogos. Cenários muito bonitos que variam de uma claustrofóbica instituição para tratamento mental, passando por um ambiente campestre, imagens de outras dimensões, algumas cenas urbanas com uma caracterização européia eficaz culminando em um final visualmente chocante. O destaque além da versatilidade de ambientes, são as expressões faciais da protagonista, Maria, que variam de acordo com a época em que as cenas se passam. As linhas faciais e os olhos mudam completamente de acordo com as cenas. Detalhes de arte sutis, mas que fazem uma diferença muito grande na hora dos diálogos.

Injection não vai te fisgar nas primeiras páginas. Não tem ninguém voando, dando socos em uma página dupla ou salvando a humanidade de alguma ameaça genérica logo na primeira edição. Muito pouco é revelado sobre a natureza da trama e dos personagens nesta primeira edição. O roteiro é bastante solto e aberto a sua interpretação. Entretanto apesar de tudo ser bastante vago, não dá pra avaliar mal o material apresentado aqui. A sensação que temos pelo ritmo desta estreia é de que o autor já tem planejado pelo menos as 30 primeiras edições da revista e que a trama é imensa, imprevisível e cheia de ramificações entre passado, presente e futuro. O clima amargo de investigação e a sensação de que tudo já deu errado e vai piorar pontua praticamente todas as cenas da revista. Temos protagonistas fortes e com um background rico que ainda devem ser explorados e uma arte de altíssimo nível que atende perfeitamente o clima proposto pelo roteiro. Para quem está com o pé atrás espere até a quinta edição e vamos ver como as coisas se desenvolvem. Se você ficou curioso com o clima sci-fi meio Vertigo da revista compre a primeira edição, mas saiba que ao final se verá obrigado a pegar a edição seguinte se quiser algumas respostas.

Leia minha última resenha: HQ do Dia | Convergence #6


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