HQ do Dia

Deadpool #45 – A morte de Deadpool

Conforme anunciado desde o início deste ano chega o fatídico momento que os fãs do Mercenário Falastrão tanto lamentaram. A última edição de Deadpool atinge a marca de 250 edições com o nome do Degenerado na capa e finaliza o título do protagonista. A edição número 45 de Deadpool tem 83 páginas contendo a aventura principal (na qual o personagem morre de fato), 6 histórias protagonizadas pelos coadjuvantes do título (A Rainha Shiklah – esposa de DeadpoolAgente PrestonEvan – o Jovem ApocalipseAgente Scott Adsit, o Fantasma de Benjamin Franklin Michael o Necromante). Além dessas histórias temos uma bem humorada história final envolvendo DeadpoolThanos e a Manopla do Infinito além de uma surpresinha envolvendo um dos membros do elenco do seriado Agentes da S.H.I.E.L.D.

Sim. É bastante conteúdo e uma verdadeira celebração do atual run dos autores Gerry Duggan e Brian Posehn neste título. Mas lógico que você estáDeadpool-45-Cover-1211b-674x1024 lendo isso aqui porque quer saber da morte do Mercenário, né? Bom, a história principal nesta edição coloca Deadpool novamente contra a organização terrorista U.L.T.I.MA.T.U.M. Ao ver sua família e amigos ameaçados pelos terroristas o Mercenário parte para a ofensiva em uma investida solitária contra um exército inteiro de terroristas. O roteiro é nos moldes das últimas histórias escritas por Duggan e Posehn, então qualquer que seja a sua opinião sobre as histórias atuais de Deadpool esta edição não vai fazer você mudar de ideia. Temos aquele mesmo Deadpool com caixas de textos mais sérias e reflexivas, uma linguagem nada coloquial e muita matança elaborada e sem sentido. Se você se diverte com isso é uma história que provavelmente vai agradar pela quantidade de ação contida. A morte no entanto não pode ser classificada como épica tampouco engraçada. O que transparece nas cenas finais do personagem é que os autores se viram obrigados a matar o desgraçado e meio que usaram os artifícios que o contexto geral da Marvel oferece atualmente (dizer mais que isso seria um spoiler). Portanto se você espera que o Deadpool passe desta para uma melhor (ou pior) de forma heroica ou de uma maneira que faça você urinar de rir, esqueça. É lógico que para matar um personagem que já sobreviveu a praticamente tudo como Deadpool somente algo na escala aqui proposta, mas a maneira como a morte é apresentada e conduzida pelos roteiristas soa mundana, tediosa e forçada apesar de toda a grandiosidade do instrumento de sua destruição final. Os autores poderiam facilmente matar o personagem usando a mesma premissa, mas conduzindo o Mercenário até o fim de uma forma muito mais digna, usando humor, sarcasmo e algo que deixasse uma marca na carreira do personagem. Isso infelizmente não ocorre.

Salvam-se então as histórias secundárias escritas por equipes de roteiristas convidados, que são curtas, mas resgatam o humor negro de outros tempos e mostram o elenco de apoio e o próprio Deadpool de maneira bem mais casual, bem humorada e leve do que os roteiristas atuais do título se propuseram a fazer nas últimas 45 edições. No final os próprios Duggan Posehn se rendem ao escracho característico do personagem e conseguem escrever uma história final (aquela com Thanos e a Manopla do Infinito) que tem cara de Deadpool, mas é tarde. O estrago está feito e o Mercenário já era.

A equipe de arte em Deadpool #45 no entanto não tem culpa do fim meio estúpido. Tanto o artista da história principal Mike Hawthorne quanto a grande seleção de talentos que ilustram as histórias secundárias fazem um trabalho totalmente digno do fim deste personagem. Temos uma arte 100% Deadpool em praticamente todas as histórias e uma apresentação gráfica de primeira da morte do Mercenário. A HQ é bonita. A condução da história principal é muito bem desenhada e visualmente temos Deadpool matando e mutilando e infringindo a dor como deve ser.

A morte de Deadpool encerra o run de Gerry Duggan Brian Posehn no título do Mercenário Falastrão e definitivamente não é uma ruptura de formato ou uma festa de diversão. O roteiro apresenta o mesmo tipo de história morna e com lampejos escassos de humor que já vem permeando esta revista há pelo menos uns três anos. Aqui e ali vemos resquícios de uma época em que o título deste personagem tratava exclusivamente de morte e humor descontrolado. Hoje em dia a HQ se afastou bastante disso e esta edição final reflete bem o trabalho desta equipe de roteiristas. Uma premissa até bem interessante para o fim deste querido personagem, mas conduzida de forma sonolenta, tediosa e sem brilho. Para muitos fãs Deadpool já vem agonizando há algum tempo e a Marvel só fez o favor de desligar os aparelhos da publicação.

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