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HQ do Dia | Art Ops

Art Ops é a coisa mais esquisita publicada nesta nova leva de títulos do selo Vertigo no final de 2015. Isto é um elogio.
O gibi criado por Shaun Simon (co-autor de “The True Lives of the Fabulous Killjoys” com Gerard Way) e Michael Allred (de “Madman” e do belíssimo recente volume do Surfista Prateado) nos apresenta uma equipe de operativos especializada em proteger obras de arte. O diferencial e o que torna o título tão inusitado é que em Art Ops a arte é viva, ou seja, as obras mostradas são personagens.
As primeiras 3 edições de Art Ops (que teve sua estreia em Outubro de 2015) mostram a equipe através de duas gerações de personagens: A pragmática e eficiente líder de operações, Regina Jones, que liderou o time durante sua época de ouro nas décadas de 1980 até os dias mais recentes e seu filho, Reggie Riot, um jovem sem rumo na vida que sofre com a negligência da mãe e se vê envolvido em seu trabalho após um acontecimento trágico.
HQ do Dia Art OpsSimon apresenta Regina e Reggie como personagens intencionalmente opostos. Enquanto a mãe é extremamente séria, comprometida com sua função e trata todo o nonsense deste universo de maneira bastante objetiva, Reggie está pouco se fudendo, não tem intenção de se envolver com a atribuição que lhe designada e só quer ficar em paz. Grande parte da história se passa nos tempos atuais. O Art Ops está em frangalhos e isto é visto como uma oportunidade para antagonistas mal intencionados que pretendem tirar proveito da situação.
Alternando entre os dois núcleos narrativos em épocas diferentes, mas com o mesmo nível de esquisitice, Simon transforma este arco inicial em um barril de pólvora no melhor sentido da palavra. Tudo é balanceado através da figura chamada “The Body”, um ex-personagem de quadrinhos que foi removido de seu gibi de origem por Regina para se tornar um operativo da organização e que agora tenta orientar Reggie em sua função de líder da equipe.
Pelo andar das primeiras edições sabemos mais ou menos como a trama vai se desenvolver no primeiro arco, e não há problema algum nisso. Shaun Simon mantém um ritmo de leitura muito bom com diálogos divertidos, certa dose de ação e uma porção de referências artísticas e à cultura pop em geral.
Reggie é um personagem difícil de simpatizar, mas fácil de entender e o único problema real em sua história de “origem” é a utilização de um personagem querido como “escada” para suas motivações. Lógico que este artifício é usado em quase que todas as origens traumáticas de personagens em quadrinhos, mas aqui a “síndrome da geladeira” (pesquisar a origem de Kyle Rayner como Lanterna Verde) é gritante e descarada. Tanto que só ficamos sabendo o nome da pessoa usada como degrau após o evento traumático chave para a catarse de Reggie. No geral o roteiro de Art Ops com seu tom nitidamente hipster é sim extremamente divertido por causa do estranho e único universo criado por Shaun Simon e ilustrado pelos Allred…
Ah os Allred… Como não amar este casal? Se você pegar a primeira edição de Art Ops e não achar uma das coisas mais esquisitas e lindas da Vertigo em 2015 é bom você rever seus conceitos. Brincadeiras a parte, é sempre um deleite ver Michael criando personagens originais (ainda mais neste conceito absurdo proposto por Shaun), desenhando Nova York e finalizando tudo enquanto sua esposa Laura faz aquele trabalho vibrante e incrível de colorização. Fica evidente em Art Ops a qualidade e entrosamento da dupla de artistas à partir da segunda edição quando Michael é auxiliado nos desenhos por Matt Brundage. O traço aí torna-se um pouco mais sujo, os quadros um pouco mais poluídos e a caracterização nem sempre atende os padrões altíssimos da edição de estreia. Não é nada que impacte muito a leitura, mas há uma clara diferença entre o casal Allred trabalhando sozinho e os Allred trabalhando com Matt Brundage na arte.
Art Ops tem muito do espírito louco de “Madman” de Allred, mas em um contexto um pouco mais centrado e se passando em um universo que abre um zilhão de janelas de ótimas possibilidades narrativas. O roteiro de Shaun Simon é muito movimentado e apesar de Reggie Riot não ser um protagonista muito simpático à princípio, isto pode servir como uma jornada de crescimento muito interessante de acompanhar para este personagem. Fora a síndrome da geladeira, o roteiro é 100% divertido e envolvente e promete muita loucura nos números que virão. A arte, apesar de não ser de total responsabilidade do casal Allred atualmente é diferenciada, muito impactante, viva e tende a melhorar a medida em que o entrosamento entre Michael e Matt Brundage for sendo refinado. Vale a pena ler Art Ops? Mas é claro! Em qual outro gibi do mercado você vai ver a Monalisa cantando em uma banda de Punk Rock atualmente? Nenhum!

Veja também: HQ do Dia | Sheriff of Babylon #1

E aí, curtiu?

Escrito por Igor Tavares

Carioca do Penhão. HQ e Videogames desde 1988. Bateria desde 1996. Figuras de ação desde 1997. Impropérios aleatórios desde 1983.

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