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HQ do Dia | A Lenda da Mulher Maravilha #1

A lenda das origens da Mulher Maravilha revisitada.

Apesar do título da Mulher Maravilha ter sofrido uma notável queda de qualidade desde que o casal Meredith e David Finch assumiram na edição número 36 de “Wonder Woman”, (Confira a resenha aqui) Diana Prince está em alta.
Com o imenso hype gerado pela presença da personagem no próximo filme inspirado nos quadrinhos da DC Comics “Batman versus Superman: A origem da justiça”, era natural que a editora explorasse de maneira mais acentuada esta franquia.
Portanto em Outubro de 2015 a DC Comics começou a publicar digitalmente em periodicidade semanal a série em 9 partes (anunciada a princípio) chamada A Lenda da Mulher Maravilha. O título digital conta com argumento e arte de Renae de Liz e é finalizado, colorizado e letrado por seu marido Ray Dillon. De lá para cá a publicação digital fez tanto sucesso entre a comunidade de leitores que teve sua vida útil estendida (o gibi em formato digital já está na edição número 11) e esta semana a DC Comics começa a publicar finalmente em papel estas histórias através deste número 1 que compila as 3 primeiras partes da saga de origem da Amazona.
HQ do Dia A Lenda da Mulher Maravilha #1
Sim. A Lenda da Mulher Maravilha é mais uma origem alternativa da personagem. Neste caso particularmente retornamos ao barro de Themyscira de onde a origem mais popular da personagem se deu em suas primeiras décadas de existência. Renae de Liz entende que a proposta da Mulher Maravilha sempre foi o emponderamento feminino, portanto aqui temos uma jovem Diana mortal tendo que superar dificuldades de sua mortalidade sem ajuda dos deuses (assim como todos nós).
Só este retorno a uma premissa mais humana e básica da personagem já cativa o leitor logo de cara. Mas não é só isso. Renae inicia esta história indo lá atrás e repassando de maneira simples, mas exuberante toda a mitologia por trás da Ilha de Themyscira e a relação da Rainha Hypolita com os deuses do Olimpo.
A maneira como o pano de fundo do gibi é apresentado é classuda, épica e com aquela cara de conto de fadas antigo que não vemos em qualquer revista (principalmente na DC Comics) atualmente. O texto de Renae cai no limite entre o rebuscado e o texto de explanação que estamos acostumados normalmente e tudo aqui tem cara de épico. Desde as falas das personagens, até o fluxo de cenas.
Diana é mostrada com cerca de 10 anos de idade. Aqui vemos uma menina já muito sensível e atenta às necessidades da comunidade que a cerca. Além disso temos os já clássicos conflitos entre a moça e sua mãe. Diana anseia por ser uma guerreira e irá seguir este caminho independente do que seja designado para
ela pela Rainha Hypolita.
A arte de De Liz e Dillon nesta publicação é uma verdadeira doçura. Ver Diana Prince e as futuras “amazoninhas” crianças estudando em Themyscira aquece o coração de qualquer fã. Ao mesmo tempo o casal não escorrega nas cenas de ação fantásticas e na representação grandiosa das criaturas mitológicas e deuses que fazem parte deste contexto. Renae desenha com perfeição praticamente qualquer coisa que coloca em seu roteiro e a revista ganha demais com isso. O visual do gibi é muito claro e colorido e tudo aqui tem cara de conto de fadas infantil meio Disney, desde caracterização até as expressões e figurinos.
Uma apresentação em geral em quadros bem largos e com bastante espaço para a bela fotografia da ilustradora. Consistência absoluta nas 3 primeiras partes do arco e um visual que combina perfeitamente com o tom da narrativa.
O leitor mais tradicional provavelmente vai chegar com pé atrás quando se deparar com A Lenda da Mulher Maravilha. A história, fora do contexto atual da personagem na continuidade DC Comics, vem recontar algo que quem conhece Diana Prince já está cansado de saber. O principal trunfo da história de Renae de Liz é trazer a vulnerabilidade da personagem de volta nesta origem e aproximar a Amazona de seu público alvo. A Lenda da Mulher Maravilha é o primeiro passo de uma linda releitura de uma história de emponderamento feminino, escrita de forma classuda e ilustrada de maneira impecável por este casal de artistas.

Veja também: HQ do Dia | Paper Girls #1

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Escrito por

Carioca do Penhão. HQ e Videogames desde 1988. Bateria desde 1996. Figuras de ação desde 1997. Impropérios aleatórios desde 1983.

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