HQ do Dia | O Último Voo das Borboletas – Kan Takahama
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HQ do Dia | O Último Voo das Borboletas – Kan Takahama

O amor não tem fórmula e nem precisa ser convencional, só precisa ser amor!

Esquece os samurais, as lutas, os superpoderes e qualquer outra coisa que você já leu em um mangá. “O Último Voo das Borboletas”, publicado pela Editora Pipoca e Nanquim, tem uma pegada diferente. Digo, diferente de qualquer narrativa ao estilo shounen (os mangás de lutinhas), claro. Mas até mesmo para um estilo shoujo (mangás destinados ao público adolescente feminino), a história da autora japonesa Kan Takahama, é diferente.

No Japão do século XIX, o bairro de Maruyama, em Nagasaki, é frequentado por locais e estrangeiros quando o assunto é se divertir com mulheres. Em meio a uma vasta opções de garotas espalhadas pelos bordéis da região, se destaca uma moça chamada Kichou. Ela é a protagonista da história e está nas classes das mais elevadas das prostitutas do país denominadas como “Tayu”.

HQ do Dia | O Último Voo das Borboletas – Kan Takahama

No Japão, o nome dado às “mulheres de diversão” é “yuujo”, que são as prostitutas que trabalham nos “yuukakus”, os “bairros de diversão” legalizados. Uma “Tayu” é praticamente uma “yuujo” só que de alta classe. Essas informações o leitor encontrará como observação na história e no glossário ao final do mangá.

Outro aspecto que preciso adiantar antes de contar a sinopse, é a diferença entre as gueixas e as yuujos/taiyus. As gueixas são artistas de ambos os sexos, predominantemente feminino, que passam por um rigoroso treinamento nas artes tradicionais japonesas do entretenimento. As gueixas eram as responsáveis por entreter o cliente com música e dança até a chegada das yuujos. Essa informação também está no glossário.

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Sabendo disso, o leitor vai mergulhar no enredo de uma prostituta que consegue encantar qualquer homem do “bairro da diversão”, mas vive num dilema amoroso que parte seu coração todos os dias. A narrativa de início é apresentada de forma fria assim como os sentimentos e atitudes de Kichou. Mas ao longo das páginas, o leitor vai mergulhando no complexo mundo que está dentro de sua cabeça.

Enquanto Kichou batalha todos os dias para atender todos os clientes com muita atenção e doçura, do outro lado temos um outro núcleo que mostra pai e filho numa situação muito difícil na vida. O pai tem um tumor no cérebro e está com os dias contados, já o filho acha que a culpa de estarem em uma situação ruim é da ex-esposa do pai. A mulher que ele lutou tanto pra tirar de uma casa de prostituição, motivo que fez ele gastar toda a fortuna que tinha acumulado durante anos, o abandonou e voltou a ser o que ela sempre foi.

O problema é que nem filho nem pai soube pra onde ela foi. Enquanto Kichou atende um ou outro velho babão, ela vai articulando da forma que pode pra manter o homem que ama em uma situação minimamente confortável. Isso inclui também, oferecer seus serviços para um médico holandês chamado Doutor Toon em troca de cuidados para o amor da sua vida. Apesar de tudo ser ficção, este personagem é o único na história que foi baseado em uma pessoa real.

O médico vai fazer o possível para cuidar do homem que ele acha que é irmão de Kichou, enquanto o filho do rapaz, que ele pensa que é um sobrinho dela, também terá todo o suporte do médico para aprender medicina ocidental. Mas por qual motivo o médico faz tudo isso? Simples, ele também se apaixonou por Kichou.

É do imbróglio emocional e das relações entre todos eles, que o leitor vai ser conduzido por um Japão diferentemente poético e histórico.

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“O Último Voo das Borboletas” aborda o amor em suas várias camadas. Faz também uma distinção didática entre amor e sexo, além de fortalecer vínculos afetivos independentemente de todas as ferramentas usadas por outros personagens para quebrá-los. Seja pelo uso da profissão, julgamento de familiares e sociedade.

O traço e o roteiro de Kan Takahama se casam muito bem. É perceptível o sentimento transmitido quadro a quadro, assim como é leve qualquer cena de nudez apresentada no mangá. Ao final de “O Último Voo das Borboletas”, o leitor vai compreender a relação de uma das mais belas borboletas com a trajetória de Kichou. Assim como vai conhecer o amor que não é convencional e não tem fórmula.

O posfácio e o glossário funcionam muito bem como conteúdo de apoio que facilitam e melhoram a experiência do leitor.

“O Último Voo das Borboletas” é um mangá diferente e que merece ser lido e relido. Se você ficou interessado, pode adquirir seu exemplar com desconto aqui.

E aí, curtiu?

Escrito por Bruno Fonseca

Fundador e editor-chefe do PL. Jornalista apaixonado por quadrinhos, filmes, games e séries.

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