Praia pequena, peixe grande

Há quem prefira o campo, as matas, o piar das andorinhas, mas incontestáveis são os momentos da qual você, literalmente, afunda o pé na areia e olha para as ondas vindo e não voltando. Sim, a praia também proporciona alegria de vez em quando, apesar da invasão corpórea (em relação a tudo) nos feriados prolongados. Que se afogue em águas salgadas quem nunca enfrentou fila para comprar pão em pleno 1º de janeiro.

Tudo já começa na estrada. Você tem a idéia de sair de casa o mais cedo possível achando que não pegará trânsito nenhum. Pois bem, você só esqueceu que milhares de pessoas tiveram a mesma idéia que a sua. Conclusão: enfrentará quatro horas de viagem de qualquer maneira. Nada mais normal! Os carros, todos cheios de travesseiros e com a família completa, enfileiram-se numa jornada interminável para pagar o pedágio. Sem contar com os bigodinhos que, no meio dos carros, vendem água pseudo-gelada e coxinha requentada às cinco da manhã.

Chegando à brisa escaldante de uma cidade litorânea, descarregar o carro, fazer as devidas compras, verificar as instalações da casa e preparar algo para o almoço tornam-se os últimos pensamentos em mente. Todos só querem desfrutar da maravilha em sentir a água gélida do mar e os raios ultravioletas flechando no corpo inteiro. A certeza é que você vai para a praia e quase desiste de pisar na areia, motivo gerado pela multidão fervorosa que já domina todo metro quadrado possível. Encontrar conhecidos, famílias inteiras comendo marmita, gringos lendo um livro e algum Teletubbie vendendo algodão-doce não é nenhuma dificuldade. Aliás, embaixo daqueles 30°, como o individuo aguenta fantasiar-se com aquele pano todo? Tenho a idéia que diz: ou a fantasia é menos feia do que o individuo, ou este tem vergonha em ser reconhecido como ambulante praiense.

Depois de meia hora procurando um lugar para estacionar-se, enfim, você entra no mar. Isso não significa um proveitoso banho, pois sacolas plásticas e outras matérias não reconhecíveis mas bem prováveis passam pela sua perna. Seu pensamento positivo afirma que era só um peixinho beliscando sua coxa, mas a realidade bate na porta, e você caminha em direção à areia.

Neste momento é que sua visão ganha poderes: uma mãe balofa de biquíni brincando com sua filhinha, essa criança usando fralda e enchendo a bunda de areia, duplas de pai e filho batendo bola e lixo, muito lixo, na beira da praia. Outro fato é que naquele labirinto humano você demorará um bocado para encontrar o local onde seus companheiros estão. Se é que eles já não desistiram e voltaram para casa.

Depois de todo o dia regado a protetor solar e cerveja água de coco, você volta pra casa cheio de areia nos pés, toma aquele banho morno e já reclama das costas ardendo, mesmo tendo usado o fator 60 até no sovaco. Praia é praia e tenho certa sorte do meu escritório não ser lá.

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