O Jogador Número 1

Mais uma história clichê nerd caricato

O livro que tem dado o que falar no momento, que até foi transformado em filme, O Jogador Número 1 é tido como uma ode aos anos 80, ao universo dos videogames e todas as nerdices possíveis. 

O livro se passa em 2044, a vida na Terra se tornou muito mais difícil com guerras constantes, escassez de recursos e energia e o aumento da pobreza. A vida de Wade é assim, vivendo com uma tia que não se importa com ele, em um trailer comunitário com mais duas famílias, ele encontra refúgio no OASIS, uma plataforma de jogos online onde as pessoas podem assumir a forma de avatares, trabalhar, estudar e viver de uma forma muito mais digna que a vida real.

O OASIS foi criado por James Halliday um bilionário apaixonado pela cultura pop dos anos 80, de filmes a games, que ao morrer deixa em seu testamento uma caçada a diversos easter-eggs que premiará o jogador número 1 com toda a sua fortuna, além do poder de controlar a empresa detentora do OASIS. Wade é quem dá o pontapé inicial  ao encontrar o primeiro dos easter-eggs, e assim começa uma jornada através da cultura pop/nerd e contra tudo e todos atrás do grande prêmio.

Wade é um garoto de 17 anos com todos os trejeitos de um garoto nerd, simpático apesar de retraído, gordinho, sedentário e louco por games, filmes, quadrinhos e principalmente obcecado por Halliday e pela caça ao ovo. Em seu caminho, Wade conhece Ash seu melhor amigo, Art3mis a paixão adolescente e os malvados da IOI – empresa de tecnologia que tem por objetivo achar o prêmio final para que altere a forma de funcionamento do OASIS, começando a cobrar pelo acesso e fazendo com que grande parte da população não possa mais acessá-lo.

Outro ponto superpositivo para quem é fã, é a riqueza de detalhes e referências aos anos 80, tudo super verídico, dos jogos do Atari, aos primórdios dos computadores. É como se fosse um Stranger Things em formato de livro. Os filmes da época, as músicas, os cenários, é realmente um ode aos anos 80 e sua gloria nerd e pop. Tem diversos fatos curiosos à respeito dos autores, atores e filmes da época. É definitivamente uma lição sobre os anos 80, assim como uma baita homenagem à década. Para quem conheceu é uma delícia de reviver e relembrar e, para quem não teve a oportunidade, é um bom jeito de conhecer a riqueza dessa época.

Porém nem tudo são flores e há diversas partes do livro em que o autor discorre tanto sobre a tecnologia, ou sobre detalhes que para a história nem são relevantes e fazem com que a leitura seja cansativa, para não dizer chata. Chega determinados momentos da leitura que você cogita sinceramente avançar umas páginas sem ler porque já não aguenta mais certas explicações.

Wade também tem momentos que parece ser um garoto muito chato, que sabe tudo, já jogou tudo, e quando dá alguma mancada ou comete algum erro parece forçado demais. Além disso, todos os personagens são totalmente clichês, alias, a história inteira é um verdadeiro clichê do tamanho gigante. Não que isso seja errado, mas é uma fórmula batida que sabemos que dá certo. O garoto pobre que deseja dar a volta por cima, os amigos de bom coração e fieis, a paixonite platônica e os vilões maniqueístas. Funciona, só não surpreende.

O Jogador número 1 é também um livro totalmente feito para o nerd e o gamer completamente viciado. Que manja o que é cada termo de um jogo ou de uma tecnologia. Alguém que não tem tanto apreço a isso pode se sentir meio perdido em algumas coisas no livro, e nem as extensas explicações conseguem simplificar o entendimento, pior, só deixam o leitor ainda mais confuso 

No final das contas, O Jogador Número 1 é mediano, tem seus pontos interessantes, mostra uma década muito rica da história, mas a leitura é arrastada e o máximo do clichê nerd atrapalham e muito o potencial do livro.

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