Deuses Caídos

Religiosidade, crença e horror cheio de brasilidade

Esteve em minhas mãos o livro “Deuses Caídos“, publicado pela Suma de Letras e escrito pelo Gabriel Tennyson. O livro tem um quê de Stephen King com paranormalidade e horror que deu um tempero a mais na obra. 

Deuses Caídos conta a história de um serial killer com poderes paranormais que está assassinando evangelistas famosos — e os vídeos de cada um deles sendo torturados são publicados na internet e ganham cada vez mais views. Para garantir que o assassino seja capturado e o máximo de discrição mantida, Judas Cipriano — um padre indisciplinado, descendente de são Cipriano e herdeiro de alguns poderes celestiais –  é convocado. Veterano nesse tipo de caso, o padre é enviado para trabalhar como consultor da Polícia Civil e fica responsável por apresentar à jovem inspetora Júlia Abdemi – o lado místico da cidade. Para resolver o caso — e sobreviver —, os dois precisarão de toda ajuda que puderem encontrar… O que inclui se unir a uma súcubo imortal, um dragão chinês traficante de armas mágicas e um gárgula que é a síntese da sociedade carioca.

A primeira coisa a se dizer sobre Deuses Caídos, é que não é um livro para crianças definitivamente. A escrita é pesada, recheada de xingamentos, cenas explicitas e gráficas e uma descrição da sociedade carioca bem escrachada e até mesmo meio promíscua. Por outro lado, é bem realista em termos de trejeitos, expressões e construções da localização da história. Podemos dizer até que vai causar uma dualidade nos leitores entre amar e odiar como tudo foi retratado.

O livro se pauta muito na religiosidade e crenças como cenário para os acontecimentos, passando por São Cipriano indo até o Saci , por exemplo. Na historia nós seguimos Judas Cipriado, descendente de São Cipriano e também santo, apesar de seus gostos duvidosos e peculiares. Ele faz o meio campo entre a igreja e a polícia do Rio de Janeiro,  garantindo que as pessoas não descubram os eventos paranormais. E é chamado para descobrir quem está assassinando nomes da igreja com um passado inglório.

Esse apoio e construção em cima da religiosidade poderia ser tendenciosa e até mesmo chata, mas Gabriel consegue criar uma história rica e interessante, sem parecer pregação e também sem insultar a fé e religiosidade. Me lembrou um pouco do sentimento que tenho assistindo a série Lucifer. Mas apesar de mexer com esse tema, o autor não o faz de forma desrespeitosa.

Outro ponto bacana, é que o autor através do palavreado, xingamentos e gírias, o horror das cenas e dos acontecimentos são atenuados, ao mesmo tempo que amenizam em alguns momentos os detalhes mais grotescos e brutos. É um livro fácil de ler, agradável, um pouco chocante, mas muito interessante e de rápida leitura.

Deuses Caídos conta uma história grotesca, empolgante, recheada de mitologia, religiosidade, violência e desafia a lógica de forma primorosa. O desfecho então, é um show a parte! Dando margem para que essa história continue por muitos livros ainda. Definitivamente um livro sobrenatural de terror como poucos vistos no Brasil.

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