Jojo Rabbit | O humor em declarar a alienação que aprisiona
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Jojo Rabbit | O humor em declarar a alienação que aprisiona

Filmes sobre Segunda Guerra Mundial e holocausto existem aos montes, muitos cineastas tentaram com transparência mostrar essa época dura, escura e cheia de paradigmas. A própria ideologia foi abordada por Charles Chaplin em um de seus filmes, ideologia que como percebemos nos dias de hoje parece ter retornado. “Jojo Rabbit” é a declaração satirizada de como uma forte alienação pode nos prender, prejudicar e escravizar nossa mente.

Dirigido por Taika Waititi, o filme é baseado no romance “Caging Skies”, de Christine Leunens, no qual demonstra com um bom humor o regime nazista empunhado na população e como  endeusavam seu líder. Uma forma de explorar o pior lado da humanidade de uma maneira leviana sem se perder em um lado piegas. 

Jojo Rabbit | O humor em declarar a alienação que aprisiona
Jojo e seu amigo Hitler

Johannes Betzler ou “Jojo” (Roman Griffin Davis) é um menino de 10 anos que sonha fazer parte das forças militares do regime nazista, nutre um amor imenso e cego pelo sistema, tanto seu próprio imaginário cria Hitler (Taika Waititi) como seu amigo imaginário para o guiar nesse caminho. Sua visão é contida com forte insistência da sua mãe Rosie (Scarlett Johasson) que tenta sempre fazer o garoto a enxergar a verdadeira realidade. 

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Porém, um dia uma reviravolta transforma a vida do garoto quando ele descobre que sua mãe esconde uma judia no quarto de sua irmã. Curioso, ele tenta de inúmeras maneiras conhecer o seu “inimigo”, a jovem Elsa (Thomasin McKenzie),  mas o que começa aversão se torna uma admiração. Logo percebe quão falho e desprezível é o regime que tanto defende. 

Jojo Rabbit | O humor em declarar a alienação que aprisiona
Jojo encontra Elsa.

Tanto o roteiro como a narrativa, quer nos conduzir na precariedade e no absurdo como os personagens levam suas vidas no regime. A visão deturpada que possuem de outros povos especialmente os judeus, sempre atribuindo males e razões como se eles fossem demônios de chifres e caudas, o cúmulo do absurdo sempre apresentado com um humor ácido e de forma satirizada. 

Nesse contraponto, Jojo é um rapaz que tenta fazer parte desse globo alienado, mas que ao partir da fase de amadurecimento, passa a enxergar sabiamente como tudo funciona e como todos são limitantes em suas visões e ações. Não é a toa que essa essa visão seja deturpada, o próprio estilo de vida é não enxergar problema nenhum, um simples assassinato ou morte é tratado de forma leviana, afinal estão no mundo dos sonhos, não é?

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Jojo Rabbit | O humor em declarar a alienação que aprisiona
Jojo e sua mãe Rosie

O Hitler, amigo imaginário criado pela mente inocente de Jojo, é uma transparência dessa própria alienação, ele enxerga em sua figura um amigo, como ele próprio diz seu “melhor amigo”. Essa figura transborda os erros do regime de aprisionamento e alienação colocado em forma lúcida, isso fica claro pois  o humor sempre o transforma em um bobão e idiota.

Este é um dos primeiros papéis grandes de Roman Griffin Davis no cinema e o jovem já começou com o pé direito, sua jornada de amadurecimento de uma mente fechada para uma aberta fica clara e sentida em cada uma de suas ações. Scarlett Johansson é a mãe protetora que tenta de sua melhor maneira colocar um pingo de realidade na vida do garoto com seu jeito delicado, porém esconde um ativismo para se libertar de tal regime.

Jojo Rabbit | O humor em declarar a alienação que aprisiona
Jojo e Hitler desconfiados.

Somos guiados bem nessa história porque Taika Waititi é preciso em sua direção, o que muitos duvidavam, mas o diretor sabe contar uma história, claro que da sua maneira e sempre a base de um bom e forte humor. Seus enquadramentos são escolhidos para declarar a atuação do ator, coisa que ele sempre tenta buscar o melhor de cada um. E não vamos esquecer a estética de filmagem que lembra muito a assinatura do diretor Wes Anderson.

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O acerto de “Jojo Rabbit” é utilizar o humor para carregar uma época que nós como humanidade desejamos esquecer em nosso presente. Ao mesmo tempo deixa claro os perigos que alienação, poder e visões erradas em uma figura pode acarretar prejudicialmente na sociedade em que se mantém, pois o aprisionamento cria ovelhas que seguem sempre o rebanho e sem limitas ao não pensar.

Talvez seja uma cutucada na ferida para declarar que talvez estejamos tão perto disso novamente.

E aí, curtiu?

Escrito por Rafael Tanaka

Publicitário, amante de cinema, quadrinhos, filmes e séries. Sempre existe coisas para se descobrir nesse mundo da cultura pop.

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