A paixão de Hollywood em destruir a Golden Gate
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A paixão de Hollywood em destruir a Golden Gate

Ela já serviu de cenário para muitos filmes, mas por qual motivo ela aparece quase sempre catastroficamente destruída?

Desde a década de 70, Hollywood tem paixão por criar filmes de catástrofes e, a cada título lançado, ela não poupa grana nem efeitos especiais para produzi-los. Seja filme com invasões de alienígenas, colisões de meteoros ou desastres naturais, a indústria tem prazer em usar a ficção pra destruir algumas cidades norte-americanas como Nova York, Los Angeles, Washington e a menina dos olhos da costa Oeste, São Francisco.

Não importa se é nos games, na televisão ou no cinema, quando Hollywood está cansada de bater em monumentos como o Empire State Building, a Estátua da Liberdade, o obelisco de Washington ou a própria Casa Branca e, até mesmo o letreiro mais famoso do mundo que fica em Los Angeles, sobra para a Golden Gate dar uma variada nos filmes com catástrofes.

A ponte que liga a cidade de São Francisco a Sausalito, na região metropolitana de São Francisco, é o principal cartão postal da cidade, uma das mais conhecidas construções dos Estados Unidos, é uma das Sete maravilhas do Mundo Moderno e único monumento grandioso da Costa Oeste.

A Golden Gate já esteve em perigo pelo menos em uma dezena de filmes e por causa disso surgiu a dúvida: por qual motivo Hollywood gosta tanto de destrui-la?

A paixão de Hollywood em destruir a Golden Gate
O Monstro Do Mar Revolto (1955) foi o primeiro filme que destruiu a ponte

Se levarmos em conta o que diz alguns estudiosos da ficção nas mídias, podemos ter uma resposta que chega próximo do que conhecemos como “parque das atrações”. No livro “A ficção nas mídias – Um curso sobre a narrativa nos meios audiovisuais”, de Marcelo Bulhões, ele afirma o seguinte:

“Os meios audiovisuais dedicam-se à estimulação sensorial dirigindo-se ao que há de voyeurístico em todos nós. Diante de sons que pulsam e imagens que se agitam, somos a toda hora convidados a um comportamento ‘bisbilhoteiro’, chamados a lançar nosso olhar para existências que não são as nossas, sem que sejamos acusados. Assim, o parque das atrações midiáticas oferece-se como recurso para que, na condição de voyeurs, acessem um mundo ‘mentirosamente’ pleno de desafios e realizações”.

Ou seja, a Golden Gate ou qualquer outro monumento famoso dos EUA, segundo o autor, são destruídos pra que possamos saciar nosso prazer por um mundo de fantasia. Onde sabemos que na realidade, dificilmente isso vai acontecer, mas que é prazeroso imaginar como seria se a monumental ponte fosse parcialmente ou totalmente destruída. E neste caso entra as grandes produções de Hollywood para nos alimentar.

A paixão de Hollywood em destruir a Golden Gate
Golden Gate sendo destruída por um tubarão em “Monstros Marinhos” (2009)

Para complementar o seu estudo, Bulhões fez outra afirmação acerca desses desejos:

“Os meios audiovisuais buscam, pois, transformar o imaginado ou o idealizado da ficção em uma imagem poderosamente atrativa. Daí a presença de efeitos especiais e do mais sortido repertório de truques computacionais para tornar o impossível ou o absurdo algo visualmente admissível.”

+ Veja dando play no vídeo abaixo, outras destruições da Golden Gate em filmes. 

E aí, curtiu?

Escrito por Bruno Fonseca

Fundador e editor-chefe do PL. Jornalista apaixonado por quadrinhos, filmes, games e séries.

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