Túmulo dos Vagalumes (1988)

Um retrato fiel dos horrores da guerra

Túmulo dos Vagalumes (Hotaru no haka) é um filme japonês de 1988. Produzida pelo Studio Ghibli e realizada por Isao Takahata. A animação possui apenas 93 minutos e é uma das histórias mais devastadoras do gênero.

Quando falamos em animação, pensamos em histórias engraçadas e empolgantes. Mas é impossível abordar a realidade da guerra assim. Em alguns filmes homenageamos os ditos vencedores, em outros caçamos nazistas, em livros conhecemos as vítimas, mas nada disso se compara a vivência.

Túmulo dos Vagalumes é baseado no livro semi-autobiográfico de Akiyuki Nosaka, eu não posso te contar sobre o que exatamente da vida de Nosaka, pois o spoiler seria gritante. Mas posso afirmar que essa história tem sabor de realismo, não espere unicórnios em tempos de dor, você precisa encarar a verdade.

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A vida de dois irmãos Seita e Setsuko, é retrata no período da Segunda Guerra Mundial no Japão, época em que ocorreu o bombardeamento de Kobe. O pai deles é convocado para defender o país na guerra, pois faz parte da marinha japonesa, e a mãe, que cuida deles, é vítima de um bombardeio de aviões norte-americanos. Com essa introdução parece que a história não tem como ficar mais pesada. Mas vai por mim, isso não é nada perto do todo.

A animação Túmulo dos Vagalumes  mostra de forma dilacerante a luta pela sobrevivência das duas crianças, em meio à pobreza e miséria que assola o Japão. Fome, doenças, desamparo, falta de empatia dos familiares sobreviventes. Tudo retratado da forma mais crua possível, animação feita de gente.

Duas crianças a mercê dos sonhos destruídos pela guerra. Seita tem 12 anos, e Setsuko aproximadamente uns 4. Ele assume a posição de irmão mais velho e guardião, cuida dela como se fosse sua própria filha, mesmo sendo uma criança, tirando comida da própria boca para alimentá-la. Eles até conseguem moradia por um tempo, mas a dona (que se não me engano é a tia deles) os repele a todo momento, tenta tirar deles o pouco que os pais deixaram.
Como a maioria já sabe, em época de guerra a comida era racionada, ou seja: ela não queria duas crianças para sustentar, mas não ligou de aproveitar do alimento vindo do auxílio deles.

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Seita e Setsuko perdem o abrigo e vão morar no meio do nada, literalmente. Um “esconderijo” construído em uma montanha, como se fosse a toca de algum animal. O dinheiro começa a ficar curto, até se tornar inexistente, ambos passam fome, Seita se arrisca em horários de bombardeio para furtar casas vazias enquanto os donos estão protegidos nos abrigos. Setsuko por sua vez, é uma linda menininha que sonha e ilumina sua “nova casa” com vagalumes.

Foi bem difícil escrever essa resenha sem me comover ao lembrar dos detalhes. Quando assisti pela primeira vez essa animação, uns anos atrás, fiquei completamente emocionada. Refleti por horas o que tinha acabado de ver. Quem me conhece sabe que sou fanática por terror psicológico, drama, ação, e que não tenho muitos filmes na minha lista de favoritos que sejam dramáticos. Pois bem, Túmulo dos Vagalumes é meu filme em animação favorito, e é também, uma das histórias mais comoventes que o cinema já viu.

Bem realista no quesito empatia, como mesmo em situações difíceis, as pessoas tentam tirar o que resta de quem já tem pouco. Não é um filme pra todo tipo de público. Quem não se importa nem com o próprio cachorro, gato, parente, amigo, vai achar uma história dramática demais.

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A realidade é o que mais choca!

Se colocar no lugar deles é doloroso demais, principalmente pelo fato de ser uma animação, e possibilitar uma variedade de “realismo descrito” que um filme não proporciona. Um belo exemplo disso é “A Menina que roubava livros” no cinema não impressionou tanto quanto nas livrarias, isso porque tudo que é adaptado é limitado, o que não acontece na nossa imaginação, e por sua vez, nas animações.

Túmulo dos Vagalumes é um filme que não desce pela garganta sem auxílio de lágrimas, assim como a dor e o sofrimento da guerra. Nas livrarias, no cinema, na televisão, nos jogos, na vida, vemos o desespero pela sobrevivência. E uma história como essas é uma injeção de empatia na veia dos seres humanos.

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O título, um tanto que poético, é relacionado ao curto tempo de vida dos vagalumes. Nas palavras da inocente Setsuko a pergunta “Por que vagalumes morrem tão cedo?” deixa o ar de questionamento e simbolismo. Não existe beleza na guerra. Essa história vai fazer você dar valor a cada segundo da sua vida, mesmo que seja por poucos minutos.

O Studio Ghibli foi fundado pelo diretor do filme, Isao Takahata. Apesar de ser um filme consideravelmente antigo,  o desenho, o contraste, a iluminação e a paleta de cores escolhida é formidável. Túmulo dos Vagalumes é considerado até hoje um dos filmes mais tristes do cinema e uma das animações mais bem-sucedidas.

 


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