The Babadook (2014)

O terror que se alimenta da mente

The Babadook é um filme australiano de 2014, disponível na Netflix e premiado em alguns festivais de cinema. Abusando de uma atmosfera psicológica, fotografia com planos fechados, paleta de cores sombrias, cortes excepcionais e uma sonoplastia tensa, é possível afirmar que esse é um dos melhores filmes de terror da década.

Muitas críticas pela internet tornam a história mais infantil do que ela realmente é. The Babadook não é um filme sobre um conto infantil, nem sobre mais uma criança demoníaca. Tire essas caricaturas presentes nos filmes de terror atuais e se prepare para conhecer uma nova visão do gênero. Explorando medos intensos e obscuros, o longa não poderia ter sido melhor elaborado.

A história de The Babadook se passa, na maior parte do tempo, dentro de uma casa clássica, com atmosfera sufocante, mãe e filho, corredores e escadas. Sem abusar de clichês do terror, a trama te envolve e te faz ser parte da história.

Deixamos Babadook entrar. Não o vemos o tempo todo, mas sentimos sua presença. A troca de sustos avulsos por uma tensão gradual, sem excesso de violência gratuita e baldes de sangue. The Babadook te perturba sem apelar, se apoderando da sua mente. Puro terror psicológico.

The Babadook (2014) | O terror que se alimenta da mente

 “A vida nem sempre é o que parece. Pode ser uma coisa maravilhosa, mas também pode ser bem traiçoeira.”

A trama gira em torno de uma família que, seis anos após a morte do pai/marido, ainda sofre com as consequências da perda. Amelia (Essie Davis) tem um filho pequeno, Samuel (Noah Wiseman), um garoto que sonha diariamente com um monstro terrível. Ele costuma assustar outras crianças, criar armas de defesa pessoal e não dá sossego algum para a mãe.

The Babadook (2014) | O terror que se alimenta da mente

Amelia tem o costume de ler para que ele durma, até que Samuel decide escolher um livro novo: “Mister Babadook”. O livro surgiu nas mãos dele de forma misteriosa e a mãe jamais o tinha visto pela casa, mas a estranheza não para por aí. Assim que Amelia começa a ler a história, com ilustrações pop-up bizarras e obscuras, se depara com claras ameaças de morte. E o pior, seu filho entra em desespero e reconhece a entidade que ele vê em seus sonhos. Desacreditando de sua veracidade e horrorizada com o que o filho encontrou, ela o guarda o livro no topo de um armário, pensando nunca mais ser perturbada por isso. Apenas pensando!

A solidão é um ponto forte do filme, tanto a mãe quanto o menino são excluídos socialmente e incompreendidos. Certo de que Babadook quer matá-los, Samuel começa a tentar proteger a mãe de todas as formas possíveis. Ele fala muito sobre o monstro, atrapalhando mais ainda a convivência de ambos com outras pessoas. Amelia não consegue acreditar em sua história… Até os pesadelos também tomarem conta dela.

“Quanto mais negar, mais forte eu fico. Você começa a mudar quando eu entro. O Babadook cresce sobre sua pele.”

The Babadook (2014) | O terror que se alimenta da mente

Babadook, personagem que dá nome à história, é uma criatura bizarra que se veste com uma capa e cartola, ambas pretas. Assim como na depressão, a escuridão dele toma conta da trama e de seus personagens. Uma viagem aos medos que escondemos, e ao que os nossos monstros fazem com a mente. Quando Amelia começa a ver Babadook, começa também a mudar de personalidade, até ficar irreconhecível.

The Babadook (2014) | O terror que se alimenta da mente

Uma história que não seria nada sem seus protagonistas. The Babadook é um filme focado em atuações fortes e terror psicológico. Noah Wiseman deu um banho de atuação e com apenas 7 anos de idade, ele passa mais emoção do que muito marmanjo no cinema.

The Babadook (2014) | O terror que se alimenta da mente

Essi Davis interpretou brilhantemente uma mãe que perde tudo, inclusive a noção de realidade. Ela entrega a melhor performance feminina que eu já vi no terror dessa década.

The Babadook (2014) | O terror que se alimenta da mente

O elenco também conta com: Daniel Henshall, Hayley McElhinney, Barbara West, Ben Winspear.

No sentido biológico e social, The Babadook aborda a mente humana e seus monstros. A diretora estreante Jennifer Kent, afirmou em entrevista:

“Penso que há muito horror para se explorar das mulheres. Nós vivemos com ele. Não retrato elas como vítimas, mas há medo em ser mulher. É diferente do que os homens sentem. Por isso, sim: penso que é interessante tornar essa área mais equilibrada no cinema. Há muitas histórias para se contar nesse espaço.”

Um terror de caráter ambíguo. Quem sabe uma metáfora para os monstros que alimentamos na mente? Deixe ele entrar e tire suas próprias conclusões. The Babadook está disponível na Netflix!


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