Snoopy & Charlie Brown – Peanuts: O Filme (2016)

O importante é nunca desistir

“Eh! Meu amigo Charlie
Eh! Meu amigo Charlie Brown, Charlie Brown”

Parafraseando Benito di Paula, vamos falar do filme de animação Snoopy & Charlie Brown – Peanuts: O Filme, que estreou nos cinemas brasileiros no início do ano. O longa é baseado em “Peanuts”, as tirinhas icônicas publicadas pelo gênio Charles M. Schulz e também na animação criada a 50 anos por Bill Melendez.

O filme foi realizado por Steve Martino (Era do Gelo 4) e escrito por Craig Schulz, Bryan Schulz (filho e neto do autor respectivamente) e Cornelius Uliano, e contou com a participação de Bill Meléndez (por meio de gravações arquivadas) e Noah Schnapp na dobragem. Este é o quinto longa-metragem baseado na tirinha e o primeiro filme baseado nos personagens desde o último, feito há 35 anos.

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Snoopy & Charlie Brown – Peanuts: O Filme, começa mostrando a turma do Minduim curtindo o primeiro dia de neve do inverno. Neste dia, em específico, eles não tem aula e a turma inteira saiu para brincar. Charlie Brown aproveita para colocar em prática sua técnica em pilotar uma pipa, algo que não dá muito certo. Aliás, nada na vida do Charlie Brown dá certo de primeira e ele é o fracasso em pessoa – você perceberá isso ao longo do filme.

Continuando… Um pouco mais tarde, naquele dia, uma garota de cabelos vermelhos chega na vizinhança e vai morar ao lado da casa de Charlie Brown. Minduim se vê na chance de demonstrar que ele é um garoto especial e que não vive apenas de fracassos. Charlie Brown percebe que com a chegada da garotinha ruiva, ele tem uma oportunidade única de esquecer os erros do passado e iniciar uma nova fase em sua vida. Ao mesmo tempo, Snoopy, o ás da aviação, terá que enfrentar o seu principal inimigo, Barão Vermelho. Porém, o Beagle mais famoso do mundo, sempre que possível, estará ao lado do seu dono se metendo nas missões dele para chamar a atenção da nova garota do bairro, sua eterna paixão.

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O título da animação já deixa tudo muito claro: a história tem foco nos personagens Snoopy e Charlie Brown. Enquanto um deles faz de tudo para deixar de ser um fracassado e vencer o medo de falar com a garota mais bonita da escola, o outro embarca numa perseguição em sua casinha de cachorro voadora contra o Barão Vermelho, um caça alemão da Primeira Guerra Mundial.

Em segundo plano nós somos apresentados ao restante do elenco, que é composto por personagens brilhantes como Lucy, Woodstock, Patty Pimentinha, Linus, Sally Brown, Schroeder e Chiqueirinho. São eles que darão o combustível necessário para a condução da trama. Apesar da grande jornada de Charlie Brown, são personagens como Lucy e Sally que fazem o filme ter um ritmo mais dinâmico e conduzem o espectador com muita diversão.

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Lucy tem um comportamento egoísta e muito sincero perante as trapalhadas de Charlie Brown, enquanto Sally vê em cada situação uma oportunidade para tirar proveito e alavancar a popularidade do irmão. Tudo isso regado ao humor característico do autor, encontrado nas tirinhas que foram impressas em mais de 2.500 publicações de 75 países ao redor do mundo.

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O roteiro, que foi escrito pelo filho e neto de Charles M. Schulz, traz a mistura do clássico e do contemporâneo na medida certa ao retratar com maestria a vida dos personagens desta história. Essa atenção com o público mais velho e também com aqueles que estão conhecendo esse universo agora (como muitas crianças, por exemplo) se faz necessária não só para a compreensão deles e para o saudosismo dos mais velhos, como também para perpetuar ainda mais a obra de Schulz.

Através da jornada do personagem principal, ambos retrataram muito bem questões como vencer os próprios medos, saber que às vezes nem sempre é necessário ter talento para fazer algo, e sim vontade, determinação e, acima de tudo, nunca desistir. É através de pequenas lições que o filme mostra o lado humano de cada um dos personagens e essas mesmas lições refletem na vida dos pequenos e grandes espectadores.

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A trilha e os efeitos sonoros também fazem referência às primeiras animações de Peanuts. Além dos temas criados por Vince Guaraldi, tem também as falas dos adultos feitas por um trombone e as onomatopeias de Woodstock e Snoopy, que lembram muito o trabalho de Melendez. Isso potencializa ainda mais a questão de unir o velho ao novo.

A direção de Steve Martino contribui com um didatismo que dispensou a apresentação mais aprofundada de todos os personagens. Você vai conhecendo um a um sem pressa e sem um atropelar o outro. Além disso, a animação em 3D conseguiu unir as referências clássicas com as atuais, pois o traço de Schulz ainda se faz presente e isso é notório ao longo do filme. O único problema foi no roteiro ter focado demais em dois personagens e ter deixado a turma do Minduim em segundo plano, mas ainda assim, estamos diante do melhor produto de Peanuts lançado em mais de uma década.

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Snoopy & Charlie Brown – Peanuts: O Filme é uma animação cheia de simplicidade que vai agradar todos os públicos. É um filme para assistir com a família, com os amigos, com o parceiro ou parceira, ou também sozinho. Enfim, é um filme para assistir de qualquer jeito e, mesmo assim, a diversão estará garantida. Você sairá da sala de cinema amando a Lucy, analisando as estratégias de marketing da pequena Sally e se enxergando na pele de Charlie Brown em alguns momentos. A mensagem que fica é nunca desistir, mesmo com tantos erros e se achando incapaz, com dedicação e força de vontade você chegará onde quiser e às vezes muito além do que se imaginou.

Ps: Não ter tocado o clássico do Benito di Paula que comecei essa resenha enquanto subia os créditos, ao menos na versão exibida nos cinemas brasileiros, me deixou deveras triste.


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