Resenha – Duna

Política, geopolítica, religião, guerra e muita areia (SEM SPOILERS!)

Publicado no Brasil numa linda, rediagramada e reorganizada nova edição pela Aleph, Duna te traz uma surpresa enorme no fundo do livro: “Não conheço nada que se compare a este livro, a não ser O Senhor dos Anéis.”, disse ninguém mais ninguém menos que o autor responsável por 2001: Uma Odisseia no Espaço (e considerado um dos pais da ficção científica moderna), Arthur C. Clarke.

Escrito pelo estadunidense Frank Herbert e publicado em 1965, Duna é (literalmente) um conjunto de metáforas extremamente bem construídas que faziam referência à situação política, social e econômica do planeta durante o fim da década de 50 e o começo da década de 60. Hebert traça uma faixa que atravessa a história cultural do ocidente, focando na ascensão de religiões (principalmente o cristianismo), na luta por poder e domínio em relação a povos diferentes, no posicionamento geográfico em relação às demais nações, os trâmites políticos, petróleo e a escassez de água.

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No enredo, acompanhamos o desenrolar de um golpe político através do massacre de uma família e na expansão de um império a partir do domínio de uma substância: a mélange (paralelo ao petróleo), que abastece veículos, garante poderes especiais aos seres que dele consomem (como extensão da vida) e move a economia intergalática. Seguimos a história de Paul Atreides, um jovem filho do Duque do Planeta Caladan. O Imperador ordena ao Duque Leto que passe a administrar outro planeta, que é o oposto de seu planeta natal (paralelo ao planeta Terra – cheia de vida, água em abundância, com bastante vegetação, etc.): Arrakis, conhecida pelos locais como Duna (um lugar árido, escasso em vida, abundante em mélange, e com pouquíssima água). Leto substitui uma outra família, a casa dos Harkonnen, no que parece ser parte de uma estratégia que, conforme descobriremos depois, condenará os Atreides ao exílio no planeta árido.

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A partir disso o enredo tem três principais focos: a intriga política por trás de tudo o que aconteceu e tudo que está acontecendo (além dos interesses de cada parte), a luta pela sobrevivência dos Atreides ao ambiente extremo de Arrakis, e o fundo religioso e místico por que perpassa a obra, suas personagens, suas motivações e a especiaria (mélange). Além disso, percebemos as engrenagens da exploração, da economia e do consumo por trás do comércio e das viagens realizadas dentro do universo criado por Hebert, e como tudo gira em torno do mélange – que, segundo um dos dizeres do livro, quem controla a especiaria, controla o universo.

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Da batalha pela sobrevivência, tanto contra Arrakis, quanto contra a mão impiedosa dos seus inimigos, os Atreides se enxergam no meio da realização de uma profecia messiânica (que remonta o desenvolvimento do cristianismo) cheia de mistérios, caminhos sombrios e escolhas complexas. O pano de fundo religioso do enredo é extremamente fundamental e traz com ele o crescimento de personagens, o desenrolar da história e até mesmo a apresentação de temas e facetas fantásticas e extremamente originais, como as “bruxas”, os rituais de iniciação e o povo do deserto.

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Frank Hebert consegue unir fantasia, suspense e ficção científica de maneira magistral, tendo criado um dos maiores clássicos do sci-fi e influenciado centenas de artistas pelo mundo inteiro. De maneira harmoniosa, Duna nos carrega por suas paisagens duras e inóspitas, mas que nos proporciona também uma curiosidade insaciável em relação ao mundo novo – que descobrimos junto dos personagens.

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Com 571 páginas, não é uma leitura leve, e os apêndices NÃO podem ser ignorados. Lançado no Brasil pela editora Aleph, responsável por diversos dos maiores títulos de ficção científica que estão sendo publicados no país, Duna é o tipo de história obrigatória não tão somente às/aos amantes do gênero, mas a todas/os aquelas/es que gostam de um enredo muitíssimo bem construído, uma narração forte, viva e que consegue nos transportar para a imensidão hostil de Arrakis.

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Ah, e talvez eu tenha esquecido de uma coisinha mínima, mas tem também…

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Vermes Gigantes!

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Muito gigantes! Curioso/a? Minha promessa de ‘sem spoilers’ continua, então corre lá para ler!

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