Boyhood – Da Infância à Juventude (2014)

Um filme contra a mesmice

Este filme não é algo que você está acostumado a ver. Isso engloba a sua produção e também a sua narrativa. O que chamou muita atenção em Boyhood – Da Infância à Juventude – não só a minha, mas da crítica e público em geral – foi a forma como ele foi produzido. Basicamente foram 12 anos que o longa levou  para ficar pronto e podemos considerar mais um daqueles filmes que você assiste não pela história, trama ou enredo, mas sim, pelo belo trabalho de um diretor: Richard Linklater, o gênio por de trás da obra. Talvez ela seja pensada dessa forma nos dias atuais, quando tudo que se vê não passa de “mais do mesmo”.

Boyhood – Da Infância à Juventude foi filmado entre maio de 2002 e outubro de 2013, e a surpresa disso tudo é que o elenco permaneceu o mesmo. Você vê as crianças crescendo e virando adultos e os adultos ficando velhos e cumprimentando a melhor idade.

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Resumidamente,  o longa é centrado na vida de Mason (Ellas Coltrane), um menino de seis anos que mora em Houston, no Texas, com a mãe, Olivia (Patricia Arquette) e a irmã, Samantha (Lorelei Linklater, filha do diretor). O pai das crianças é Mason Sr. (Ethan Hawke), um sujeito irresponsável, que some por longos períodos para trabalhar em outras cidades e tenta compensar a ausência com passeios e saídas esporádicas com os filhos.

Dentro de todo universo em volta de Mason, temos críticas à sociedade americana, ao alcoolismo dentro de relacionamentos, à violência doméstica, ao bullying sofrido por Mason, as fases de uma adolescência, os primeiros amores, a primeira transa, as incertezas sobre o futuro e etc.

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A evolução de Mason da infância até o início da fase adulta

Linkater neste filme não tem o objetivo de mostrar um drama que se difere dos outros pela sua narrativa. A questão aqui é vivenciar algo diferente do que se tem de moderno na sétima arte, talvez você nunca tenha sentado na cadeira para assistir um filme onde o importante é ver a evolução de cada um que faz parte do elenco, acompanhar cada fase da vida deles e perceber o quanto cada um mudou, envelheceu e se transformou.

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Evolução dos pais de Mason

A narrativa chega a ser desinteressante, por vezes lenta e cansativa, não é uma história que te prende. Mas como eu disse esse não é objetivo. O que te prende é imaginar como tudo isso foi feito e como cada um deles vão chegar no final.

É um filme feito com carinho, cuidado e muito bem costurado. Linklater conseguiu fazer isso muito bem, pois ele consegue retratar cada momento importante da vida de alguém, Ellas Coltrane é um garoto que transmite a simplicidade e por vezes muita serenidade em seu olhar, vê-lo em ação é tão legal quanto o restante do filme. Você realmente fica curioso em saber como ele vai terminar essa jornada e o que será dali para frente.

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Mesmo com tanto tempo de produção você percebe que não houve, em nenhum momento, a quebra de conexão entre o elenco, você não sente nenhuma mudança na forma como cada um se comporta em cena. É a mesma coisa do início ao fim. Talvez se você não soubesse que foram 12 anos de produção e que, a cada espaço de tempo, se gravava um pouco do filme, acharia que ele foi rodado de uma vez. Até mesmo os erros de continuidade são quase imperceptíveis.

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Boyhood – Da Infância à Juventude não é um filme comum – isso está na cara – se você não está acostumado com esse tipo de filme, vai achar que perdeu 2:45h da sua vida, sim, o filme é longo, isso é mais um erro? Depende do ponto de vista. Para um bom apreciador da sétima arte, o que se viu durante esse tempo foi uma aula de produção, carinho e respeito pelo trabalho que se faz.

Assista: Boyhood – Da Infância à Juventude | Trailer legendado, ele está sendo muito bem aceito pela crítica de todo o mundo. Tudo indica que será um dos favoritos ao Oscar e, do jeito que a academia gosta desse tipo de filme, possa ser até que leve a estatueta.


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