Poltergeist (2015)

O remake tecnológico que não desvaloriza o clássico

Raramente eu gosto de remakes, principalmente dos meus filmes favoritos. Mas dessa vez, confesso que me surpreendi. Poltergeist 2015 veio para quebrar tabus de que atualizações são feitas para estragar a memória do clássico.

Nem todo filme precisa de remake, nem todo remake faz jus ao original, e nem sempre é a intenção dos diretores superar o clássico. Eu sei que inúmeros cinéfilos destilarão ódio pelos quatro cantos da internet, inclusive aqui. Falarão horrores da nova versão, condenarão Hollywood por falta de criatividade, e acharão inúmeras falhas no novo Poltergeist. Mas é só assistir o original para ver que nem tudo é perfeito no mundo da sétima arte, e toda produção tem os seus defeitos.

Poltergeist – O Fenômeno, é um clássico do terror/ficção de 1982, escrito e produzido por Steven Spielberg e dirigido por Tobe Hooper. Aclamado no mundo todo, e considerado amaldiçoado (pela morte precoce da protagonista Heather O’Rouker, e pelo assassinato brutal da interprete de sua irmã). Saiba mais clicando AQUI

Poltergeist  (2015) | O remake tecnológico que não desvaloriza o clássico

Poltergeist clássico tem uma legião de fãs, e conta o drama da família Freeling, cuja filha mais nova, Carol Anne, é sequestrada por fantasmas. Começa então uma verdadeira batalha dos pais para resgatá-la antes que seja tarde demais. Longe de ser um filme de terror qualquer, ele virou uma obra icônica do gênero.

Agora você me diz “Se Poltergeist era clássico, não precisava de remake“. Ou algo do gênero. Aí que você se engana! Tudo que é feito para homenagear, é válido. Acredito que esse tenha sido o maior propósito dessa versão. Não é erro algum apresentar a uma geração acostumada com terrores fracos, o que foi o terror de verdade e imortalizá-lo outra vez. Eu sei, eu sei. O filme original superou inúmeras barreiras nos anos 80. Mas o atual pode conquistar muitos da nova geração e quebrar tantas outras.

Poltergeist 2015 é dirigido por Gil Kenan (Monster House) e adentra a era do terror contemporâneo, sem copiar descaradamente o filme original. A produção ficou por conta de Sam Raimi (Evil Dead), o roteiro foi escrito por David Lindsay-Abaire (Coração de Tinta). Com nomes desse porte, você realmente acha que o filme é de todo ruim?

Poltergeist  (2015) | O remake tecnológico que não desvaloriza o clássico

Minha resenha crítica pode ser a única falando bem do filme. Afinal, o senso comum diz “não se mexe nos clássicos”. Mas será mesmo? Não se mexe porque muitos filmes foram “estragados” pela nova Hollywood, e, na maioria das vezes, são cópias baratas e sem nenhum propósito. Ao meu ver, Poltergeist 2015 não foi feito com esse intuito.

Quem acompanhou desde a divulgação do roteiro, até os primeiros teasers, sabe que o remake foi feito para homenagear. O filme é uma atualização, e não uma cópia barata. Em seus 93 minutos de duração, ele foca no que Poltergeist seria se tivesse sido produzido em 2015, e não no que o filme anterior era: único e insuperável.

Vamos à uma comparação boba: você não trocaria seu iPhone 6 por um Nokia 2280, estou certa? E sabe por quê? Recursos atualizados. Mas isso não significa que o novo seja melhor em tudo, nem apaga a funcionalidade daquele “celular tijolo” que tinha uma bateria que durava meses. Ambos tem seus méritos.

Uma cópia barata e um remake tecnológico são coisas distintas!

Poltergeist  (2015) | O remake tecnológico que não desvaloriza o clássico

Na maioria das críticas sobre o filme, li reclamações sobre um remake perdido, um fracasso, mais do mesmo, etc. Mas Poltergeist 2015 conta com um grande aliado: a tecnologia. Câmeras, monitores, fios, televisores, drones entrando no inferno e transmitindo as imagens via iPad. Enquanto o clássico deixava o público imaginar como eram as trevas, esse filme nos apresenta ela. Se você sempre quis ver onde vai parar a criança, essa é a sua chance.

Eu confesso que sempre achei o original sensacional, ele mexia com nossa imaginação de um jeito fantástico. Mas o que a tecnologia nos proporciona, é exatamente o que nos imaginávamos. Poderia ser bizarro, mas ficou sensacional. E sabe o motivo? O primeiro filme não tinha recursos para nos mostrar o “purgatório” esse teve, e fez bem ao abusar disso.

Se 90% dos diretores tivesse isso em mente, 90% dos clássicos não seriam um lixo. Pegar aquilo que não tinha chance de ser produzido pela limitação da época, e nos mostrar. Poltergeist 2015 teve orçamento de US$ 40 milhões, e não mostrou menos do que investiu. Um filme feito para o cinema 3D. A nova versão nunca será o clássico, mas esse filme – em específico – não foi feito para ser, e sim para apresentar a nova geração como se conta uma boa história de terror. E quem sabe, por sorte, conquistar uma nova legião de fãs para ambos.

A história é a mesma, a forma como ela é conduzida, não. A família Bowen chega a uma nova casa, em um bairro com preço acessível – pois o pai ficou desempregado – então a filha mais nova Madison Bowen começa a conversar com espíritos, através do armário e da TV. Até que é capturada por eles.  Essa versão mostra mais a relação e os problemas dos membros da família, e, apresenta cada um com sua personalidade distinta. Muitas cenas – principalmente as cruciais – foram refeitas para deixar um gostinho de saudade do original, mas existem algumas novas. As torres elétricas na vizinhança foram exibidas inúmeras vezes, como elemento imponente e assustador, como se quisesse mostrar que o filme foi feito para nossa era viciada em tecnologia.

Poltergeist  (2015) | O remake tecnológico que não desvaloriza o clássico

Celebridades instantâneas, a relação humana com a tecnologia, a obsessão do ser humano por novas máquinas… Tudo isso se encaixa perfeitamente com a nossa época. Demônios, árvores, palhaços possuídos e gosmas no chão fazem de Poltergeist 2015 uma atualização do que já era bom, sem desvalorizar o filme clássico. Como é o caso de diversos outros títulos.

Encaixar um terror nos dias atuais, é também encaixar a tecnologia no terror. Pegar um clássico oitentista como Poltergeist, e transformá-lo em um terror para nova geração, é mais do que um desafio. Imagine você, contar uma história como a do filme, para uma pessoa que nasceu praticamente com um iPhone na mão. “Uma criança é capturada por espíritos malignos, mas não temos a nossa tecnologia, somente colheres entortando e cadeiras saindo do lugar”. As coisas mudam. As pessoas exigem mais. E esse filme não abusa dos efeitos, só da tecnologia.

Poltergeist  (2015) | O remake tecnológico que não desvaloriza o clássico

Para alguns: exagero. Para quem analisa a nova geração: necessário. Se crianças e adultos não se desprendem da era virtual, por quê um filme deveria? Não é porque eu, Juliane, tenho 24 anos, que devo pensar somente na minha geração. Hoje tudo vem e vai numa velocidade fundamental para digerir o máximo de coisas possíveis, e o filme é assim. Em 1982, era uma geração oposta, o filme Poltergeist original, foi lançado quando os games eram apenas enormes pixels, houve muita limitação na época e muita evolução até hoje. Quando era novidade, é claro, era muito mais fácil de impressionar o espectador.

O ELENCO:

Kyle Catlett, o ator mirim prodígio (visto em Uma Viagem Extraordinária) é o verdadeiro protagonista da história. Interpretando Griffin Bowen “O menino medroso”, ele passa a sensação de que assistiu inúmeras vezes Poltergeist original para viver seu personagem. Li muitas criticas negativas sobre ele, mas posso afirmar que em ambos os filmes o personagem age da mesma forma

Poltergeist  (2015) | O remake tecnológico que não desvaloriza o clássico

A pequena Kennedi Clements interpreta Madison Bowena menina que conversa e é capturada pelos espíritos. Sua atuação é adorável, assim como sua carinha. Mais uma vez nota-se que os atores mirins sabem dar um banho no cinema.

Poltergeist  (2015) | O remake tecnológico que não desvaloriza o clássico

A personagem de Tangina foi substituída por um homem. A original era médium, baixinha, gordinha e com voz infantil. A chegada de Carrigan Burke (Jared Harris), especialista em poltergeists, traz à tona os clichês da TV. Sabe aquele cara que entra na casa assombrada para “limpar o local”? Isso mesmo. Ele sabe exatamente o que fazer, como fazer. Mostrando suas marcas de guerra espalhadas pelo corpo, é possível lembrar de inúmeras histórias que fazem sucesso na mídia.

Poltergeist  (2015) | O remake tecnológico que não desvaloriza o clássico

Sam Rockwell interpreta o pai desempregado Eric Bowen e Rosemarie DeWitt a mãe preocupada e cuidadosa. De todas as atuações, a mais sem graça pra mim foi a do pai.

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Amy Bowen. Saxon Sharbino interpreta Kendra Bowena irmã mais velha insuportável, mimada e viciada em tecnologia, que não sai da videoconferência com sua amiga, e do celular. A típica adolescente de hoje. No elenco ainda temos os especialistas paranormais: Sophie (Susan Heyward) uma ajudante que só sabe dar risada, personagem desnecessário. Doutora Brooke Powell (Jane Adams) que tem uma relação inacabada com Carrigan Burkee e Boyd (Nicholas Braun) aquele cara que trabalha na área, mas só acredita vendo.

A TRILHA SONORA:

Poltergeist original teve sua trilha composta por Jerry Goldsmith, sendo um dos trabalhos mais marcantes do compositor e do cinema, indicado inclusive ao Oscar. Já a nova versão, ficou a cargo de Marc Streitenfeld, que dificilmente conseguirá tal mérito, mas não pecou em sua tentativa.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Vou usar uma comparação bem “proibido ler” do que é o novo Poltergeist em comparação ao clássico: Homem-Aranha interpretado por Tobey Maguire e Homem-Aranha por Andrew Garfield. O novo parte da lógica de que mais é melhor, o antigo já conquistou inúmeros fãs, ou seja: centenas de pessoas vão falar horrores do filme novo, mesmo sem assistir. Afinal, eles já se identificaram com o primeiro.

Poltergeist  (2015) | O remake tecnológico que não desvaloriza o clássico

Com tanta modernidade o filme pode assustar os fãs do original, principalmente nas modificações de algumas cenas. Os sustos são quase os mesmos, mas se você não gosta de mudanças, vai odiar Poltergeist 2015. A nova visão só não me incomodou porque eu sempre achei difícil apresentar um filme do gênero terror/ficção, sem recursos tecnológicos. As pessoas geralmente falam “Nossa, isso era terror para vocês?” não por fazer pouco caso, mas porque não estão inseridas como possíveis personagens na trama.

Poltergeist clássico nunca será superado. E nem é para ser! Tire essa ideia boba da cabeça de que esse ou qualquer outro remake pode substituir o original. Assim como o remake, até o original falha em alguns pontos. O cinema em si não é perfeito. O jeito é quebrar esse tabu de que toda versão foi feita para desvalorizar o filme original.

Eu posso até ser apedrejada por essa crítica, mas honestamente, a pessoa que escreve sobre cinema deve ter a mente aberta o suficiente para saber respeitar o trabalho alheio. O que é bom para você, pode ser péssimo para mim. Essa geração não quer apenas sustos, quer se conectar à eles de uma forma mais real. Se o intuito do filme era apresentar a história do clássico do terror à uma geração acostumada com Pânico na floresta, no lago, no pátio e até na quitanda, os odiadores que me perdoem: POIS ELE NÃO FALHOU.

Poltergeist  (2015) | O remake tecnológico que não desvaloriza o clássico

Só porque o clássico é bom, não significa que o remake seja a coisa mais abominável do mundo. Eles aproveitaram a obra oitentista e abusaram dos recursos atuais. Adaptações são feitas para isso mesmo: ADAPTAR. Tudo, inclusive as gerações, os nomes, o ambiente, os palhaços, as televisões.

Não vou te falar que Poltergeist 2015 é a melhor coisa que a sétima arte já fez, até porque nem o original foi – pode me espancar. Mas, se eu fosse dessa nova geração, e tivesse assistido antes o remake do clássico, eu teria sim gostado. E olha, eu esperava muito menos dessa produção.

Poltergeist estreou no dia 21 de Maio de 2015.


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