Missão: Impossível – Nação Secreta (2015)

Ação, adrenalina e woman power

Missão: Impossível – Protocolo Fantasma (2011) deu à franquia uma identidade nova e estável. Foi um sucesso de bilheteria e público, repleto de ação, com uma história divertida e um humor quase auto-depreciativo. Agora temos o quinto filme, Missão: Impossível – Nação Secreta, que abraça todos os pontos altos de seu antecessor e, em seguida, os eleva.

Fale o que quiser sobre Tom Cruise, mas ele é um ator que se redefiniu e continua a ser bem-sucedido pelo simples motivo de saber quem é, ainda mais nesta fase da sua carreira. Seu personagem, Ethan Hunt, em Nação Secreta sintetiza perfeitamente seu estado atual. O ator se afastou dos sorrisos de “Top Gun: Ases Indomáveis” (1986), das danças de “Negócio Arriscado” (1983) e da extravagância de “Jerry Maguire: A Grande Virada” (1996).

Neste filme, Ethan ainda é um super-agente do FMI, mas ele também é frágil, passível a derrota e, muitas vezes, dependentes dos outros. É uma abordagem inovadora, que faz o personagem ser menos super-herói e mais humano.

Missão: Impossível - Nação Secreta (2015) | Ação, adrenalina e woman power

O filme inicia com duas batalhas acontecendo separadamente. A primeira se dá em um comitê de supervisão do Senado, onde o diretor da CIA, Alan Hunley (Alec Baldwin), está tentando acabar com a FMI devido às suas ações irresponsáveis ​​e prejudiciais. O Agente Brandt (Jeremy Renner) defende o grupo, porém sem sucesso. A FMI é desligada e todos os agentes devem ficar sob o controle da CIA.

Ethan Hunt, por sua vez, está envolvido em outra batalha: uma operação secreta com o intuito de expor uma organização crimininosa global conhecida como “Sindicato”. Ele é atraído para uma armadilha e capturado pelo misterioso líder do Sindicato, Solomon Lane (Sean Harris). Uma agente britânica – igualmente misteriosa, diga-se de passagem – chamada Ilsa Faust (Rebecca Ferguson) ajuda-o a escapar, mas sem revelar suas razões ou motivos. Convencido, agora mais do que nunca, de que o Sindicato deve ser combatido, Ethan se prepara para deter Lane, fugir da CIA (que o está perseguindo) e determinar de que lado está Ilsa.

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Tom Cruise contribui bastante nesses filmes e, sabiamente, se envolve com cineastas de qualidade. Christopher McQuarrie (No Limite do Amanhã) dirige e roteiriza o longa, além de trabalhar regularmente com Cruise. Sem mencionar ele ganhou um Oscar pelo roteiro brilhantemente detalhado de “Os Suspeitos” (1995).

O roteiro de Nação Secreta apresenta sequências de ação repletas de adrenalina, ao mesmo tempo que contempla seus personagens com bons diálogos e humor inteligente. Menção honrosa ao estupendo diretor de fotografia, Robert Elswit (Missão: Impossível – Protocolo Fantasma), vencedor do Oscar por seu trabalho em “Sangue Negro” (2007). Sua câmera nunca faz um enquadramento ruim e suas cenas de ação são muito prazerosas – particularmente a perseguição emocionante entre um carro e uma moto pelas ruas de Casablanca.

Missão: Impossível - Nação Secreta (2015) | Ação, adrenalina e woman power

Voltando à história e, particularmente, a Ethan Hunt, é impossível expressar suficientemente o quanto é agradável ver um personagem principal, forte e poderoso, se revelar mais humano e dependente dos outros. Nação Secreta conseguiu, desta forma, pisar em muitos clichês de filmes de ação – particularmente aqueles que o público não aguenta mais. Temos uma abordagem que não denigre o personagem em momento algum e, inclusive, consegue manter seu alto nível de habilidades. Mesmo sendo extremamente qualificado, ele repetidamente é resgatado e/ou confia na sabedoria dos outros, e isso não o faz menos incrível.

Essa característica é muito bem explorada na relação de Ethan e Ilsa. É uma relação de igualdade muito rara de se ver e eu, provavelmente por ser feminista, fiquei surpresa e satisfeita. Como dito anteriormente, temos um herói mais humano e Ilsa tem a mesma abordagem. Uma mulher implacável, com cenas de luta tão convincentes quanto as de Cruise, manipuladora, inteligente e, ao mesmo tempo, humana e emotiva.

Missão: Impossível - Nação Secreta (2015) | Ação, adrenalina e woman power

Acredito que Ilsa é a personagem mais complexa do filme, e a melhor parte desse relacionamento é o fato de McQuarrie e Cruise não forçarem um romance. Confesso que, por mais que estivesse boquiaberta com a performance de Rebecca Ferguson, fiquei com um pé atrás, afinal, uma mulher bonita e sedutora ao lado do personagem de Tom Cruise sugere um romance em algum momento da história. Em vez disso, o filme se desvia de mais um clichê e não tenho palavras para descrever o quanto isso foi satisfatório.

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Existem tantas outras coisas que eu poderia dizer sobre Nação Secreta… Por exemplo, as belas paisagens e a dimensão global; o resto do elenco e o grande trabalho que executaram; o fato de ser um blockbuster incrível sem precisar de clichês, etc.

Em vez disso, vou apenas dizer que Nação Secreta é um filme muito bom e faz por merecer a bilheteria milionária. Este é, definitivamente, o melhor filme de 2015 depois de “Mad Max: Estrada da Fúria” e você estará fazendo um desserviço a si mesmo(a) se não assistir nas telonas.

Que venha M:I 6.

Leia também: Missão: Impossível | O segredo da qualidade e do sucesso da franquia


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Por Louise


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