Jogos Vorazes – A Esperança Parte 1 (2014)

A única coisa mais forte que o medo!

Um dos filmes mais esperados do ano e, também, a maior estreia da história no Brasil, chegou em 1.300 salas de cinema, batendo A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2 que tinha o recorde de 1.213 salas. Para os fãs, a ansiedade aumentava a cada dia que a estreia e/ou a pré-estreia se aproximava e acredito que as expectativas foram superadas.

Dirigido por Francis Lawrence, a primeira parte de “A Esperança” surpreendeu a mim e acredito que a todos também. Nunca fui um grande fã da saga, tampouco li os livros escritos por Suzanne Collins. Sempre pensava que os filmes eram, digamos, “sem sal”, lentos e as cenas de ação, principalmente, demoravam para ter um ápice. Não é o tipo de saga que me empolga. Contudo, essa falta de empolgação faz com que não exista nenhum tipo de envolvimento pessoal com o filme (não é segredo nenhum que minha resenha sobre O Espetacular Homem-Aranha 2 foi complicada de escrever porque eu fiquei envolvido demais com o longa) e abre espaço para uma análise imparcial.

Jogos Vorazes - A Esperança Parte 1 | A única coisa mais forte que o medo!

A dinâmica de Jogos Vorazes – A Esperança Parte 1 está diferente, um pouco mais rápido, mas mantém um pouco da lentidão marcante nos dois anteriores. Nós temos, nessa primeira parte, uma Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) com o psicológico afetado devido aos traumas que sofreu nos últimos jogos. Pesadelos, alternâncias no humor, insegurança, sentimento de culpa, raiva, dor, entre outros. O filme é centrado no Distrito 13 e Katniss terá um papel fundamental que não é a de heroína, aliás, essa imagem é totalmente desconstruída. Embora ela seja conhecida pelos grandes feitos durante os jogos dos longas anteriores, a história vive outro momento. Ela será indispensável para incitar a revolução dos Distritos contra a Capital, o governo opressor que controla Panem por mais de 75 anos.

Jogos Vorazes - A Esperança Parte 1 | A única coisa mais forte que o medo!

A presidente Alma Coin (Julianne Moore) do Distrito 13, ao lado de Plutarch Heavensbee (Philip Seymour Hoffman), coordenam a campanha para a revolução iniciar, e Katniss é a garota propaganda dos rebeldes. Neste momento, o filme introduz uma crítica ao poder de manipulação que a mídia tem, principalmente quando se trata de fazer certas coisas acontecerem. Roteiros, encenações e tudo que for necessário para conquistar um objetivo A priore pode ser algo ruim, mas a causa é pelo bem maior e a garota do Distrito 12 que se voluntariou para participar dos Jogos Vorazes no lugar da irmã, carrega consigo a missão de transparecer tudo de uma forma realista. Nisso se aproveitam de todas as suas fraquezas para despertar o sentimento que todos querem ver: a verdade que gera credibilidade e faz todos acreditarem que é possível.

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Às vezes é preciso sentir na pele para acreditar, é preciso ver e saber que tudo pode mudar, mesmo com tanta opressão, ou toda manipulação vinda de ambas as partes. De um lado temos Alma Coin montando todo o terreno para a guerra acontecer. Do outro, a Capital, fazendo de Peeta o contraponto, com um discurso mecanizado e um mistério que ronda seu destino desde o final dos jogos em “Jogos Vorazes – Em Chamas“. Eles querem a Guerra, mas nós queremos a Paz, mesmo que isso seja uma forma de continuar no poder.

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Sobre Josh Hutcherson, eu jamais consegui desconstruir a imagem que tenho dele, desde “ABC do Amor“. Toda vez que o vejo em alguma cena, a primeira coisa que me vem na cabeça é ele sofrendo por amor, chorando desesperadamente na cama do seu quarto. Mas neste filme, pela primeira vez, isso mudou um pouco. Sua entrega ao personagem foi diferente se comparado aos anteriores.

O filme peca em algumas partes e não acho que seja um longa para qualquer pessoa assistir. Se por um lado a interpretação de Jennifer Lawrence seja surpreendente, principalmente em cenas como a visita ao Distrito, nas cenas de pesadelos e na indecisão de sua vida amorosa, por outro, há momentos em que a sensação que a protagonista passa ao público é de uma atuação forçada. Principalmente nos alívios cômicos e na cena em que visita alguns sobreviventes. A conexão com os livros de Suzanne Collins é bem forte, o filme é fiel a esse ponto e, pelo que pesquisei com quem já leu, há quem diga que é a adaptação cinematográfica supera a literatura. Portanto, assista os filmes anteriores, e se tiver tempo, dinheiro e disposição, leia os livros.

Jogos Vorazes - A Esperança Parte 1 | A única coisa mais forte que o medo!

Jogos Vorazes – A Esperança Parte 1,  é aquilo que se espera da primeira parte que antecede o final de uma saga. Foi assim com “Crepúsculo” e “Harry Potter” também, não há como fugir muito. Se trata muito mais da história do que cenas de ação; existe muito mais política do que heroísmo. Diálogos mais profundos, tensão e uma agonia sentida a cada minuto que se transcorre. A fotografia está excelente, as tonalidades voltadas para o cinza, azul e as cores frias, no geral, são fundamentais para se reproduzir esse futuro pós-apocalíptico de uma sociedade distópica. Você percebe isso muito bem quando Katniss visita o Distrito 12. A trilha sonora é outro ponto alto, quando a música “The Hanging Tree” começar a tocar, prepare-se para ficar arrepiado. Dá vontade de levantar da cadeira na sala do cinema e sair cantando junto com os outros tributos. E o final… Bem, o é desesperador. Você sairá do cinema com o coração apertado, pois tudo o que mais desejará será assistir, pelo menos, um minuto da cena seguinte. Só que vai ter que esperar durante um ano para isso.

As falhas são pequenas, comparadas com a obra no geral. Este é, de longe, o melhor filme da franquia.

“A Esperança é a única coisa mais forte que o medo!”


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