Boneco do Mal (2016)

Quase um ótimo filme

Embora não esteja no grande circuito comercial brasileiro, The Boy ou Boneco do Mal, como foi traduzido por aqui, é o tipo de filme que paira em uma atmosfera de estranheza e o ar do “bobo”. Não me atrevo a dizer que é um filme trash.

Já tivemos ótimas histórias envolvendo objetos e seres inanimados que não necessariamente entraram nessa categoria (injustamente malvista por muita gente de fora do nicho). “Annabelle” (2014) é um exemplo disso – que por mais que tenha qualidade ou força postos em cheque, traz sim, conceitos bem sólidos e momentos de construção de clímax muito bons (assim como uma inesquecível sequência do elevador – filmada sem cortes!).

Com roteiro de Stacey Menear (primeiro trabalho grande) e dirigido por William Brent Bell (Filha do Mal, 2012), traz uma história que resgata a sensação de incômodo de maneira bem eficiente – tanto pelo jeito que a narrativa nos é apresentada, como na atuação dos ‘pais’ do tal garoto, quanto na fotografia e na edição de som.

Boneco do Mal conta a história de Greta (Lauren Cohan – The Walking Dead), uma estadunidense que chega em um casarão na Inglaterra para assumir um trabalho como babá. A parte surpreendente (para Greta) é descobrir que seu trabalho não envolve tomar conta de um garoto, mas sim de um enorme boneco bizarro que um casal de idosos bizarros insiste em ser seu filho. Existem motivos por trás da permanência da garota na Inglaterra – tanto por ser essa a primeira visita ao país, quanto, bem, motivos relacionados à trama que a fizeram deixar os Estados Unidos.

Boneco do Mal Quase um ótimo filme - mas quase não é o suficiente (review sem spoilers!) (6)
A fórmula utilizada no filme que não é exatamente nada inédito – o que não é, de jeito nenhum, algo negativo. Tome como exemplo “A Invocação do Mal” (2013) que seguiu praticamente de cabo a rabo a receita do terror clássico assim como o ritmo e ao modo como a história se desenvolve funcionam muito bem.

Boneco do Mal Quase um ótimo filme - mas quase não é o suficiente (review sem spoilers!) (3)
Existe um bom espaço ao público para um período interno de hipóteses a respeito do que está acontecendo. O boneco está vivo? O casal de idosos é realmente maluco? A garota está enlouquecendo? Existe mais por trás disso do que se imagina? O longa brinca com os vários caminhos que a história pode tomar e aproveita muito bem essa interação – além de guardar a revelação por trás da trama para o momento correto (nem cedo demais, nem tarde demais).

A fotografia e composição das cenas remetem a um cenário sombrio e úmido (psicológica e fisicamente) que pode ser facilmente reconhecido  se pensarmos em “A Chave Mestra” (2005) ou em “A Mulher de Preto” (2012). O som, um dos pontos fundamentais e básicos de um filme de terror, funciona exatamente da maneira como deveria funcionar, adicionando mais camadas de estranheza à experiência.

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A atuação dos personagens centrais não é magistral, mas entrega aquilo que se espera – com destaque para o casal de idosos (Diana Hardcastle e Jim Norton), que são, sem dúvidas, um dos pontos altos nesse quesito. A trilha sonora não se destaca – o que não é nenhuma surpresa, tendo em vista que pouquíssimas e específicas trilhas do gênero são verdadeiramente memoráveis como “O Exorcista” (1973).

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O grande problema é que apesar de tudo isso, o longa não funciona bem. Não é um filme ruim, não me levem a mal. É uma experiência interessante e contra a corrente da inundação de lugares comuns dos últimos anos (embora a própria história acabe descambando para um deles). Em determinado ponto você percebe que a construção feita até então não valeu o que está prestes a ser entregue.

Vale assistir, principalmente se você for fã de terror, mas é um produto inferior se comparado a, por exemplo, Annabelle – que, convenhamos, não é lá essas coisas.

Boneco do Mal Quase um ótimo filme - mas quase não é o suficiente (review sem spoilers!) (2)

Boneco do Mal (The Boy) estreia oficialmente no Brasil no dia 18 de fevereiro. Não é imperdível, mas vale a pipoca.


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