Animais Fantásticos e Onde Habitam (2016) | Um filme que pode ser observado sob duas perspectivas diferentes

4 meses atrás ( 20/11/2016 )

Em 15 de julho de 2011, o Brasil recebia o último filme da saga Harry Potter. As Relíquias da Morte: Parte 2 com roteiro de Steven Kloves e direção de David Yates, concluiu um clico de oito filmes. Cinco anos depois, os fãs de Harry Potter puderam novamente assistir um filme baseado em seu universo. Animais Fantásticos e Onde Habitam chegou aos cinemas no dia 17 de novembro de 2016, dirigido também pelo então David Yates, mas desta vez com roteiro da autora que deu vida ao universo que carrega uma legião de fãs por todo mundo – J. K. Rowling.

Animais Fantásticos e Onde Habitam se passa quase 70 anos antes do universo dos oitos filmes da saga Harry Potter. Mais precisamente no ano de 1926, Newt Sacamander (Eddie Redmayne), desembarca em Nova York levando apenas uma maleta, ele chega em um ambiente totalmente diferente de onde saiu e isso reflete, especialmente, sobre as diferenças nas regras de convivência entre “trouxas” e bruxos. Em sua maleta, Newt abriga os famigerados animais fantásticos, por fora ela tem a aparência simples de uma mala dos anos 20, mas por dentro existe um novo universo pela qual o bruxo entende muito bem. Logo de cara, o destino do protagonista se cruza com o de um trouxa, Jacob Kowalski (Dan Fogler), onde ele acaba deixando alguns animais escaparem causando um imbróglio com o Congresso Mágico dos Estados Unidos, que zela pela exclusão da sociedade bruxa da sociedade no-maj (no Brasil é chamada de “Trouxa”) devido ao medo gerado no Julgamento das Bruxas de Salém. Em paralelo, o longa apresenta algumas manifestações misteriosas, uma força descomunal tem deixado um rastro de destruição por onde passa, que é conhecida pelos bruxos como “Obscurus”.  Além de ter que recuperar todos os animais que escaparam de sua maleta, Newt terá que lidar diretamente com essa força. Sobre esse enredo o longa será conduzido com maestria.

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Animais Fantásticos e Onde Habitam é um grande filme de aventura, ele empolga, ele faz rir, ele apresenta clichês como qualquer outro filme e também aborda um universo ainda não explorado de forma muito contundente. Mas o grande problema é sob qual perspectiva você vai assisti-lo.

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 Sob a perspectiva de um fã da saga Harry Potter, o longa de David Yates é sensacional! Ele dialoga muito bem com esse público e, em sua maioria, vão adorar revisitar um universo que tanto amou – mesmo que não tenha em sua história Harry, Hermione e Ron e Hogwarts, de uma forma propriamente dita. Através desse ângulo, o filme caminha bem em todos os seus aspectos, Eddie Redmayne convence como Newt, assim como Katherine Waterston, a coadjuvante da história, também está muito bem como Porpentina “Tina” Goldstein. O elenco de apoio rouba a cena por algumas vezes, como é o caso de Dan Fogler, Ezra Miller e Alison Sudol. David juntamente com Rowling fez questão de apresentar um fan service não tão escancarado, mas conseguiu trazer um pouco da magia (perdão pelo trocadilho) oriunda dos oitos irmãos mais velhos.

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 Sob a perspectiva de um não fã da saga Harry Potter, o longa não agrada tanto como deveria. Esse é o meu caso. Eu olhei com essa perspectiva e, acredite, eu gostaria muito de ter em meu ímpeto – a primeira. Ao meu ver, o filme se mantém na média, ele não apresenta alguns recursos tão surpreendentes ou um roteiro que dialoga comigo diretamente. Isso, obviamente, não quer dizer que o filme é ruim, longe disso. Isso quer dizer, que de tudo que eu vi, o filme apresenta uma narrativa que não transparece para mim a identificação que transparece aos fãs. Apesar de bem, Eddie Redmayne me pareceu pouco expressivo se comparado com seus dois últimos trabalhos (A Teoria de Tudo (2014), onde levou o Oscar de Melhor Ator e A Garota Dinamarquesa (2015)). Isso fica meio evidente na cena que ele está deitado na cama no casa da Tina. O elenco de apoio, é o grande diferencial desse longa. Eles estão verdadeiramente muito bem, as cenas de Jacob Kowalski e Queenie Goldstein, não só dão o alivio cômico necessário à trama, como também eleva a aura do filme em tons distintos das sombras dos Obscurus.

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A parte da vilania é que incomoda um pouco mais e que, independente das perspectivas observadas, o filme peca não de forma grosseira, mas peca pelo desenvolvimento e principalmente pela escolha do casting. Nunca vi o Colin Farrell protagonizando um bom vilão, quem assistiu Presságios de Um Crime (2016) sabe disso, e aqui não é tão diferente do que foi no filme do brasileiro Afonso Poyart. Ezra Miller carrega o filme nas costas nessa parte muito mais que Farrel ou que o próprio Johnny Depp, como Gellert Grindelwald. É no caso de Deep, que existe o problema da escolha do elenco. Esse é um cara que ficou preso em uma saga e desde então, tudo que ele faz é interpretar variações de um tal capitão que provavelmente você deve conhecer. Eu não quero me alongar nessa parte, mas foi algo que passou batido. Existem milhares de atores que poderiam estar no lugar dele e que dariam um ar vilanesco muito mais poderoso do que os trejeitos de um pirata com um visual platinado com fantasia de bruxão amedrontador.

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Animais Fantásticos e Onde Habitam é basicamente um filme que funciona muito mais para quem é fã da saga. E só. Para quem não é, o filme é apenas legalzinho. Só me resta saber se existe fôlego para mais quatro filmes baseado no universo do livro homônimo escrito J.K Rowling.


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