A Colina Escarlate (2015)

Muito mistério no mundo mágico de Del Toro

O último filme do diretor Guillermo del Toro que eu pude apreciar foi Hellboy, um filme de 2004 que só tive vontade de assistir em 2015. Antes disso acontecer, tive a oportunidade de ver uma das animações mais lindas que eu já assisti na vida, Festa no Céu. Tudo que eu pensava era que Guillermo del Toro era um cineasta sensacional. Pois bem, tudo o que eu sabia sobre Crimson Peak (título original) ou A Colina Escarlate (título no Brasil) se limitava à direção de Del Toro. Confesso que não sabia do enredo, muito menos do elenco e de quem assinou o roteiro. E por se tratar apenas dele é que eu fui à sala de cinema.

Acredito que assistir alguns filmes desta forma é o modo mais certeira de não elevar ou rebaixar as expectativas. A Colina Escarlate conta a história de Edith Cushing (Mia Wasikowska) uma jovem mulher solitária, que desde a sua infância tinha o desprazer de ver fantasmas. Seu pai era um cara muito importante na sociedade americana e também muito ocupado. Ele fazia parte dos homens que nasceram para transformar a cidade de Nova Iorque no que ela é hoje. Por ficar muito sozinha, a jovem teve a literatura e alguns fantasmas como companhia durante seu crescimento. Enquanto tentava emplacar seu primeiro romance, ela conhece Thomas Sharpe (Tom Hiddleston) um homem que foi até seu pai tentar um investimento para construir uma máquina que pudesse retirar argila do solo com mais facilidade. Só que essa não era a única intenção de Thomas, ao lado de sua irmã Lucille Sharpe (Jessica Chastain), eles levariam muito mais que um simples investimento.

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Além do dinheiro, da confiança dos homens que nasceram para moldar uma cidade, Thomas também levou o coração de Edith – a jovem se apaixona facilmente por Thomas se casa e parte uma nova vida na mansão da família Sharpe, a conhecida Colina Escarlate, que fica do outro lado do Atlântico mais precisamente na gélida Inglaterra. Nesta mansão ela vai ter que conviver com uma série de segredos, fantasmas e mistérios.

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O fantástico e o sobrenatural sempre foi o forte do mundo mágico do cineasta mexicano e neste filme não é diferente. Logo de cara você fica fascinado pelo figurino, pela maquiagem e pela fotografia que mesmo usando uma paleta de cores mais escuras você consegue enxergar cada detalhe de uma determinada cena. Isso tudo melhora quando o vermelho escarlate contrasta com o tom sombrio no decorrer da trama.

Além de estar na direção, Del Toro também assina os roteiros juntamente Matthew Robbins e aqui que mora um pouco do problema de A Colina Escarlate. Em seu primeiro ato ele é um filme arrastado, os roteiristas tiveram dificuldade em desenvolver a história dos personagens e dar as devidas  justificas aos personagens que vão tentar conduzir o enredo de forma objetiva e mais ampla do mote central da trama. Os fantasmas estão ótimos e finalmente diferentes do que estamos acostumados a ver. Alguns lembram muito os Nazgûl da trilogia de O Senhor dos Anéis (2001). Contudo, eles poderiam ser um dos pilares de sustentação do longa e não apenas um tempero dele. Já no segundo ato, o filme se desenvolve bem, se sustenta e prende a atenção do espectador até o final.

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Mia Wasikowska muito conhecida por ter feito Alice no País das Maravilhas (2010), se representa muito bem, a sua relação com os fantasmas e a forma com que ela leva a paixão pela literatura a sério, e o jeito que se transportou da tela para os olhos do espectador deu o tom necessário ao seu protagonismo.

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Tom Hiddleston que despertou paixões em muita gente quando interpretou Loki em Os Vingadores (2012), está um pouco frio e por vezes sem sal. Seu personagem é um mistério, as vezes lembra bem de leve a aparência de Edward Mãos-de-Tesoura outras um pouco o John Cusack que fez Edgar Allan Poe em The Raven (2012). Isso era tudo que eu pensava quando olhava pra cara dele durante os 118 minutos do filme. Talvez o clima do longa e a proposta seja essa. Ainda assim, é algo muito frio e sem sal para alguém que ao meu ver poderia entregar muito mais. Ele é capaz disso, eu sei, você sabe, mas eu sei também que nem tudo é como a gente quer e, por sua vez, esbarra no problema de roteiro citado mais acima.

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O ponto alto do elenco definitivamente está em Jessica Chastain, quando se trata de um filme como esse que permeia entre vários gêneros, mas principalmente entre o suspense e o sobrenatural, o vilão é quem se destaca. Toda a magia do filme além dos mistérios, do figurino e de todos os outros atributos do mundo mágico criado por Del Toro, está no vilão ou em quem pende mais para esse lado. A insanidade de Lucille Sharpe, seu jeito dissimulado e o ar de tensão ou de olhar pra ela e pensar: “ai está  a mina que vai causar o filme inteiro”. É o que complementa o filme com maestria.

A Colina Escarlate não é um filme de terror, é um filme de suspense ligado ao sobrenatural que carrega no drama de seus personagens o mistério que conduz a trama do inicio ao fim. Você vai se assustar em alguns momentos, você pode até sentir medo, mas a tensão toda está no mistério. Como exatamente disse Guilhermo del Toro em uma das suas entrevistas durante enquanto promovia o filme. Se trata de um filme de misterioso e não de algo relacionado ao gênero que carece muito de uma renovação.


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