Proibido Ler entrevista

Fiona Staples – A premiada desenhista de SAGA

Desde que teve sua primeira edição lançada no dia 14 de Março de 2012 pela Image Comics, Saga vem se tornando muito mais do que um simples título mensal. A trama original, comovente, divertida e totalmente louca, concebida por Brian K. Vaughan e a arte ousada, inovadora e apaixonante de Fiona Staples contribuem para que esta HQ se torne cada vez mais um fenômeno cultural na indústria de quadrinhos. Com 3 prêmios Eisner em 2013 (Melhor série mensal, Melhor nova série e Melhor roteirista para Brian K. Vayghan) e mais 3 em 2014 (Melhor série mensal novamente, Melhor roteirista para Brian Vaughan e melhor artista para Fiona Staples) o título é um sucesso absoluto de crítica e vendas.

Recentemente a editora Devir anunciou o lançamento da primeira prensagem de Saga em território nacional e o Proibido Ler teve a oportunidade de conversar com a jovem e já multi-premiada artista canadense, Fiona Staples sobre a HQ. Aqui, ela apresenta exclusivamente o título ao público brasileiro, nos conta detalhes da trama e do processo criativo da HQ e ainda fala sobre o impacto do imenso sucesso de Saga em seu cotidiano.

Proibido Ler entrevista | Fiona Staples - A premiada desenhista de SAGA

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Alana é uma das protagonistas principais em Saga.

PROIBIDO LER: Saga vai ganhar sua primeira impressão em território Brasileiro este mês. Como você descreveria o título para um público não familiarizado?

FIONA STAPLES: Ok, bem… É tipo um épico de ficção científica e fantasia que se passa nesta galáxia, onde um grande guerra está acontecendo, e dois soldados, Marko e Alana, de lados opostos da guerra, se encontram, se apaixonam e fogem parar ter um bebê. A história acompanha sua pequena família enquanto eles são perseguidos por seus respectivos exércitos, assassinos e caçadores de recompensas que querem destruir esta família. E o bebê, na verdade, será um personagem principal da história no futuro. Atualmente ela é somente um bebê, mas basicamente vamos acompanhar a história de vida da pequena Hazel enquanto ela cresce.

PL: Eu sei que já faz um tempo, mas você se lembra no início de Saga e como surgiu a ideia, o conceito geral do título?

STAPLES: Foi algo que Brian (K. Vaughan), o roteirista, inventou. Eu acho que ele já tinha essa ideia para este universo de fantasia há bastante tempo. Tipo, desde que ele era criança. Ele imaginou este mundo onde caras com chifres lutam contra uma raça de pessoas com asas, mas ele não tinha um roteiro de fato até mais recentemente, quando se tornou um pai. Ele tem duas crianças pequenas em casa e acho que isso meio que o inspirou a fazer uma história sobre uma família.

PL: Uma das marcas registradas de Saga é seu elenco de personagem incomuns. Qual o mecanismo por trás do processo de desenvolvimento de personagens que não se parecem com nada que eu já tenha visto antes mas, ao mesmo tempo, parecem tão vivos e humanos?

STAPLES: Eu sempre tento manter o equilíbrio entre os dois. Por se tratar de uma história louca de fantasia, nós queremos ter alguns alienígenas bem estranhos com com um design bem maluco, mas ao mesmo tempo (a história) é muito focada na família e em suas relações entre si, então, queremos que os personagens se mantenham relacionáveis com o público. Então tento manter o equilíbrio dando a eles essas características legais como asas, chifres e, você sabe… Homens-planta ou monstros de pedra, mas tento vesti-los com roupas normais e desenhar seus rostos de maneira que seja fácil ver as expressões, e espero que as pessoas consigam ver um pouco delas mesmas nestes personagens.

PL: Existe algum personagem em Saga que seja o seu favorito? Ou você os ama todos da mesma forma?

STAPLES: Eu amo todos eles, mas minha personagem favorita provavelmente é Izabel, que é uma fantasma babá adolescente. Ela sempre tem as falas mais engraçadas.

PL: Meu favorito é o “Gato da Mentira”…

STAPLES: Oh, eu amo o Gato também. É sempre divertido desenhar cenas com ele.

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“Erotismo alienígena” na arte de Saga.

PL: Os ambientes imaginários de Saga são uma parte muito importante da história. Que tipo de referência visual para arquitetura e natureza você utiliza no título?

STAPLES: A maioria dos ambientes são baseados em locações do mundo real. Tipo, lugares no planeta Terra são usados como ponto de partida e eu só faço algumas mudanças brincando com a proporção ou as cores para fazê-los parecer mais fantásticos. Tipo o Sextillion (NOTA: trata-se de um Planeta na história de Saga) por exemplo é levemente baseado em Amsterdã, a maneira como as ruas se combinam para formar um parque de diversões maluco (risos)… Disney World. Alguns lugares são baseados em ruínas do Cambójia e coisas desse tipo, ou mesmo as florestas que cercam o lugar onde cresci.

PL: Eu estava lendo a última edição (Saga #22) e teve uma cena em uma varanda com o Príncipe Robô IV. No fundo havia uma favela que me lembrou um pouco o Rio de Janeiro…

STAPLES: Sim. Pode ter alguma influência subconsciente, pois eu estava acompanhando a cobertura da Copa do Mundo pela TV (risos).

PL: Nós podemos ver um pouco de arte erótica em algumas edições de Saga. Que tipo de referência visual você utiliza para estas cenas?

STAPLES: A maioria delas vem da minha cabeça. Se algo é muito complicado, às vezes eu tenho que ver, você sabe… filmes pornô ou algo do tipo… (risos). Mas normalmente são alienígenas esquisitos nestas cenas, então não há muita referência… (risos)

PL: Você migrou para arte 100% digital antes de começar a trabalhar em Saga, mas como o título mudou seu jeito de desenhar quadrinhos?

STAPLES: Bem, este é o primeiro título regular que desenho, então eu sabia que eu tinha que ser mais rápida. Eu trabalhei em títulos mensais anteriormente, mas somente os primeiros seis meses naquelas ocasiões. Então eu sabia que eu estaria comprometida com esta HQ por um longo tempo, e eu tinha que descobrir uma maneira de ser consistente e ainda conseguir cumprir os prazos mensais. Então mudei meu método de colorização um pouco. Eu comecei a fazer fundos de quadros pintados digitalmente. É um visual meio que baseado em animações.

PL: Você escuta música enquanto desenha? Que tipo de música?

STAPLES: Sim. Isso muda o tempo todo. Atualmente estou ouvindo muita música Pop Coreana (risos) e música Country, como velhos álbuns de Dolly Parton ou Steve Earle… E trilhas sonoras de filmes também.

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Fiona Staples e Brian K. Vaughan na cerimônia de entrega do prêmio Eisner de 2014.

PL: Você pode citar que tipos de quadrinhos a inspiraram a se tornar uma artista profissional?

STAPLES: Bem, um dos principais quadrinhos que li na infância foi Tin Tin. Foi tipo, uma das poucas HQs que eu lia na minha infância. Quando eu realmente me envolvi com quadrinhos, na minha adolescência e nos meus primeiros anos de faculdade, foi no final dos anos 1990 e início de 2000. Então, era isso que eu estava lendo… As coisas que eram lançadas naquela época. Eu li muito Hellboy, Tank Girl, 30 dias de noite… Então foram os primeiros quadrinhos que eu li. Além disso, eu lia edições antigas da revista Heavy Metal. Estas foram as coisas que me deixaram interessadas no trabalho de arte e me fizeram perceber que quadrinhos tinham muito potencial. Quadrinhos não eram somente estas revistas de super-heróis com quatro cores. Haviam muitos estilos (de arte) que estavam sendo incorporados. Eu estava lendo muitas coisas diferentes, mas estas foram as que me fizeram querer trabalhar com quadrinhos.

PL: Existe algum autor, em particular, que você gostaria de trabalhar?

STAPLES: Sim. Eu gostaria de trabalhar com Simon Spurrier, que recentemente escreveu Six Gun Gorilla (da Image Comics) e muitas trabalhos para a editora Avatar como Crossed. Nós, na verdade, somos amigos há bastante tempomas nunca trabalhamos juntos e sempre amei seu jeito de escrever.

PL: Qual o impacto do sucesso de Saga na sua rotina e na sua vida?

STAPLES: É ótimo ter um emprego fixo. Não ter que me preocupar de onde virá meu salário nos próximos 3 meses. (Saga) Me deu muita estabilidade, eu acho… E a liberdade para fazer coisas como viagens quando eu tenho tempo livre é muito bom. Eu passo muito mais tempo trabalhando, no entanto (risos), é claro. Eu sempre tento equilibrar, cumprir meus prazos e ter tempo de me divertir.

PL: Saga tem um público imenso e uma das bases de fãs mais fortes do mercado de quadrinhos. Qual foi a coisa mais esquisita que você já viu um fã fazer?

STAPLES: Eu acho que alguns casais deram o nome de Hazel a seus bebês por causa de nossa personagem (risos), o que é uma coisa enorme. Eu nunca poderia esperar que isso acontecesse. É tipo um passo além de um cosplay ou uma tatuagem. Isso é, provavelmente, a coisa mais louca, mas muito legal e lisonjeira. E é um nome bonito, eu acho.

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PL: Em entrevistas antigas você dizia que gostaria de trabalhar em uma HQ de horror. Saga satisfez essa necessidade ou você ainda está considerando a ideia?

STAPLES: Na verdade, fiz algumas coisas de horror no início da minha carreira. Eu fiz Done to death que é sobre vampiros e uma HQ chamada North 40 que é sobre uma cidade que é invadida por mutantes… E eu realmente me diverti. Eu queria mesmo trabalhar mais com horror, mesmo que seja em outro título ou mesmo como parte de Saga. Nós ainda não chegamos lá, mas acredito que Saga tem potencial para ser qualquer gênero de história que nós quisermos, então há uma chance de fazermos um arco de horror ou algo mais assustador em Saga.

PL: Como uma artista de quadrinhos, imagino que gerenciar o seu tempo seja bem complicado. Qual é conselho você daria para artistas neste quesito?

STAPLES: Eu acho que é só uma questão de criar um hábito. Se forçar a acordar cedo e trabalhar, e tentar manter horários razoáveis assim como um trabalho normal. E você tem que perder a expectativa de que será sempre divertido o tempo todo. Mesmo que você ame desenhar isso não será divertido todos os dias. Vai ser ruim e monótono assim como qualquer trabalho duro (risos) e você tem que se acostumar a se sentir assim (risos) e fazer o trabalho assim mesmo.

PL: No que você está trabalhando agora?

STAPLES: Neste momento estou trabalhando na edição 24 de Saga. Então nós entraremos no nosso hiato após a conclusão deste arco de história.

PL: Quais são seus planos para o futuro?

STAPLES: Eu vou fazer mais Saga, que continuará indefinidamente e para sempre (risos). Espero fazer mais capas. Eu tenho feito trabalhos de capas para a Marvel e a Dark Horse e algumas para outros títulos da Image. Vou fazer tudo que eu conseguir. Também gostaria de começar a trabalhar em algumas histórias curtas  que escrevi. Eu nunca me interessei muito em escrever, mas acho que se não começar agora, provavelmente nunca escreverei.

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Capa alternativa da novíssima Thor #1 por Fiona Staples.

PL: Como é a sensação de perceber que o seu trabalho atingiu um público tão vasto como Rússia e Brasil?

STAPLES: É simplesmente maravilhoso que a HQ esteja viajando mais longe do que eu já fui. Eu nunca pensei que Saga pudesse ser traduzido para Francês, Português ou Russo e espero que todos vocês gostem.

 Assim termina mais uma entrevista. Muito Obrigado a Fiona Staples por disponibilizar tempo para apresentar Saga ao público Brasileiro. Para mais arte de Fiona Staples, acesse http://www.essentialsequential.com/

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